Vibra (VBBR3) 1T26: crescimento em volumes e margens sinaliza que companhia aproveitou plenamente a janela de volatilidade no setor
Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, analisa os resultados da Vibra Energia no 1o trimestre de 2026.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
07/05/2026 às 13:59
A Vibra reportou números extraordinariamente fortes no 1T26, combinando crescimento de volumes, expansão relevante de margens e aceleração do processo de desalavancagem, mesmo em um cenário externo adverso marcado por restrição de oferta e alta volatilidade dos preços internacionais de combustíveis. Os volumes totais tiveram aumento de 4% a/a, trazendo revendedores bandeira branca com a garantia de oferta de produtos, em meio às incertezas de abastecimento, resultando em uma expansão da base em 155 novos postos no trimestre (adição líquida de 58 postos). A margem EBITDA ajustada da rede de postos chegou a R$ 310/m³, 60% superior ao resultado do 4T25. Como contrapontos, apontamos: (i) elevação das despesas operacionais ajustadas (+18% a/a), refletindo maior complexidade logística e esforços comerciais em um ambiente de escassez; (ii) resultado financeiro ainda negativo (–R$ 581 milhões), apesar de melhor a/a; e (iii) pressão persistente no segmento de Renováveis, impactado por curtailment elevado (19%). Mas, em resumo, trata-se de um resultado memorável para a companhia, que pôde fazer uso desses fortes números para diminuir sua alavancagem financeira para 2,0x dívida líquida/EBITDA (ante 2,4x no 4T25), em movimento mais acelerado do que esperávamos, além da queda no custo médio da dívida e do alongamento do prazo médio, melhorando o perfil do endividamento.
Os avanços regulatórios recentes, com a entrada em vigor da monofasia da nafta e a regulamentação do Devedor Contumaz, sinalizam bons resultados operacionais no médio prazo, ainda que vejamos as margens deste trimestre como atípicas, dadas as condições de precificação extremamente favoráveis devido à eclosão de conflito geopolítico no trimestre.
A Vibra pagou R$ 350 milhões em JCP no 1T26 (exercício 2025) e anunciou R$ 393,5 milhões adicionais em JCP (exercício 2026), o equivalente a R$ 0,33 por ação, ou seja, um payout de 26,4% do lucro líquido e um dividend yield de 1% no trimestre, com o foco mantido na redução da alavancagem em detrimento de uma maior remuneração ao acionista.
Destaques financeiros.
A receita líquida ajustada atingiu R$ 48,3 bilhões (+7% a/a), enquanto o lucro bruto ajustado avançou 32% a/a, com forte margem bruta de 7,2% (+1,4 p.p. a/a). O EBITDA ajustado ficou em R$ 3,2 bilhões (+58% a/a), impulsionado principalmente pela rentabilidade excepcional da rede de postos, que apresentou um avanço de +69% a/a, mais do que compensando a queda do EBITDA da Comerc (R$ 147 milhões, –31% a/a). O lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,5 bilhão (+63% a/a), com fluxo de caixa operacional de R$ 1,9 bilhão (+101% a/a), o que possibilitou a redução da dívida líquida.


Destaques operacionais.
Na Rede de Postos, os volumes cresceram 6% a/a, com destaque para gasolina (+11% a/a) e avanço do mix de aditivados. A margem bruta atingiu R$ 379/m³ (+46% a/a) e o EBITDA recorrente chegou a R$ 1,7 bilhão (+91% a/a), com margem recorrente de R$ 310/m³ (+81% a/a), refletindo ganhos estruturais de precificação. No segmento B2B, os volumes cresceram 1% a/a, com destaque para o desempenho em QAV (+11% a/a, com novos contratos de aviação). O EBITDA recorrente foi de R$ 679 milhões (+18% a/a), com margem recorrente de R$ 210/m³ (+17% a/a), ainda que pressionado por despesas operacionais mais elevadas por m³. Em Renováveis, a Comerc seguiu impactada pelo contexto desafiador, com EBITDA @stake1 de R$ 192 milhões (–28% a/a), dada a persistência do curtailment (19%), menor recurso solar e ambiente desfavorável no trading, parcialmente mitigados pelo crescimento do segmento de Soluções em Energia.
De forma geral, a Vibra segue apresentando resultados robustos, beneficiada pela melhora estrutural do ambiente regulatório, com uma execução comercial bastante acertada na rede de postos. Ainda assim, vemos desafios relevantes: o segmento de Renováveis deve seguir volátil, e as despesas operacionais por m³ seguem em trajetória de alta, enquanto o resultado financeiro ainda pesa sobre o lucro líquido, apesar da melhora acima das expectativas na alavancagem. Dado esse contexto e considerando a forte valorização das ações no período (alta de 24% apenas no 1T26), entendemos que parte relevante dos avanços já se encontra precificada, sustentando a manutenção da nossa recomendação neutra, com o preço-alvo de R$ 27,00 para 2026, acompanhando principalmente a sustentação do patamar de margens, a continuidade da desalavancagem e a normalização do segmento de Renováveis.
Desempenho da Ação.
O papel VBBR3 sobe 96% nos últimos 12 meses, bastante acima dos 46% do Ibovespa e de seu principal par listado, a Ultrapar (+81%) no mesmo período. Em nossa opinião, tal performance deriva da Vibra seguir demonstrando resiliência e bons retornos, vide a elevação do ROIC (retorno sobre capital investido) neste trimestre, que chegou a 18,6%, +2,2 p.p. ante o 4T25.
VBBR3 vs IBOV

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