Vibra (VBBR3): Confira comentários do BB-BI sobre Investor Day 2025 e novo preço alvo
Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, comenta sobre Investor Day 2025 e estabelece novo preço alvo para 2026.
Publicado por: Análise BB

Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, comenta sobre Investor Day 2025 e estabelece novo preço alvo para 2026.
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
10/12/2025 às 16:27
O Investor Day da Vibra, realizado ontem (09), reforçou nossa visão positiva sobre a companhia, considerando a resiliência de seu portifólio e momento único de inflexão regulatória no setor de combustíveis como gatilhos para a continuidade do bom desempenho do papel em bolsa. A combinação de medidas contra o crime organizado no setor, como as ações Carbono Oculto e Poço de Lobato, interditando agentes irregulares, bem como a Monofasia do Etanol e início de sanções por descumprimento na compra de CBIOs são eventos que estão reequilibrando o mercado, permitindo que a Vibra recupere market share de forma acelerada: a companhia teve um aumento de 1,3 p.p. a/a entre jan/25 e out/25, para 22,4%.
Os destaques estratégicos foram organizados em cinco avenidas de crescimento, assim como vimos no ano anterior, dando continuidade a um movimento que vem dando certo, ao nosso ver. No varejo (rede de postos), o foco é seguir com expansão da rede e proposta de valor com a marca Petrobras. No Q&A a companhia respondeu que a questão do uso da marca é relevante, dada a proximidade com o fim do contrato (2029), mas que há um período de adaptação (rebranding) de seis anos, e que espera poder renovar o uso. No B2B, a meta é ampliar a rentabilidade com cross-selling, produtos premium e canais digitais. A logística segue como vantagem estrutural, com investimentos para ganhos de eficiência e suporte à expansão. Lubrificantes tem seu papel reforçado como veículo de crescimento acelerado, com ambição de expandir a operação na América Latina. Por fim, em Renováveis deve gerar retorno consistente capturando sinergias e crescendo de forma asset light.
O evento não trouxe grandes novidades para investidores que já acompanham a companhia. Porém, a tese não está isenta de desafios e riscos. Financeiramente, a alavancagem elevada pós aquisição da Comerc exige disciplina em um cenário de juros altos, enquanto a execução simultânea de múltiplas frentes aumenta o risco operacional. Nesse sentido, interessante notar o anúncio do encerramento da parceria com a Coopersucar via Evolua, que, segundo a companhia, vinha limitando rentabilidade, principalmente com o forte avanço do etanol de milho (ou seja, com o fim da parceria, deve haver mais flexibilidade para as compras de etanol com preços mais competitivos. No âmbito estrutural, é importante existir uma continuidade do rigor regulatório para manter os ganhos de market share. Durante o evento, foi mencionado o avanço no PL de devedor contumaz, e após semanas de impasses, ontem mesmo houve aprovação na câmara, representando um avanço importante ao sistematizar o combate a empresas que sonegam tributos de forma recorrente.

Atualizamos nossas estimativas e preço-alvo para VBBR3. O novo preço-alvo para 2026 é de R$ 27,00 (antes em R$ 24,27), mantendo a recomendação de Compra. Nossa avaliação deriva de um método de Fluxo de Caixa Descontada (DCF) de dez anos, assumindo um WACC em 11,2% e um crescimento na perpetuidade de 3,5%.
Projetamos uma receita líquida de R$ 183 bilhões para 2025, incremento de 6,6% ante 2024, com um volume de combustíveis vendidos 3,3% superior a/a, já considerando a incorporação das receitas da Comerc. As melhores margens de comercialização já observadas nos 9M25 devem resultar em um EBITDA ajustado estável (-0,7% a/a, sem considerar os resultados não recorrentes de créditos tributários de 2024).
A Vibra segue demonstrando resiliência em um setor que passa por desafios estruturais, com retomada de participação de mercado e manutenção de margens em um patamar bastante rentável. Nesse ambiente de melhoria no ambiente competitivo, a Vibra conta com vantagens por sua estrutura logística de maior capilaridade, além de uma atuação forte nos segmentos de grandes consumidores (B2B e aviação), que tem resultado em margens recorrentes mais elevadas do que as dos principais pares.
Recentemente, a companhia revisou seu guidance para a Comerc, como consequência do curtailment (limitação da geração de energia, realizada para manter a estabilidade da rede), algo que vem afetando a rentabilidade das companhias do setor de energia. O curtailment deve seguir como principal desafio, parcialmente mitigado pelo bom ritmo de crescimento de capacidade de GD e boas margens na comercializadora.
Nossa tese de investimento é baseada em: (i) aumento no volume de vendas de combustíveis líquidos, o que pode produzir um efeito de diluição de custos fixos; (ii) custos e despesas em patamar reduzido, dadas as bem sucedidas medidas de reestruturação ocorridas desde 2019; (iii) ganhos adicionais com a entrada nos segmentos de energia renovável (solar e eólica, através da Comerc) e trading, além da forte presença de mercado nos segmentos B2B e de aviação; e (iv) nas recentes ações de combate à concorrência desleal, que tendem a melhorar a rentabilidade do setor através de aumento da confiança do consumidor nas grandes redes.
Os riscos de nossa tese de investimento incluem, entre outros: (i) menor ritmo de crescimento da frota de automóveis; (ii) riscos de execução e/ou crescimento menor do que o esperado nas novas linhas de negócio; e (iii) concorrência mais intensa na distribuição de combustível no varejo, o que pode afetar as margens da empresa e/ou a capacidade de embandeirar novos postos de combustível.

Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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