Venture Capital e Private Equity no Brasil: o bolo pode ser maior
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
10/06/2025 às 16:24
Por Cynthia Decloedt, Altamiro Silva Junior e Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 10/06/2025 - Os fundos de private equity e venture capital injetaram R$ 280 bilhões na economia brasileira nos últimos dez anos, por meio de compras de participações em companhias em fase de crescimento ou nascentes e mesmo nas já de maior porte. Os dados são da Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity (ABVCap).
Apesar dos investimentos somarem bilhões, o setor representa apenas 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, número ainda pequeno em comparação com países desenvolvidos, onde a contribuição desta indústria na atividade econômica é maior - superando 2% do PIB no caso dos Estados Unidos e Reino Unido.
A presidente da ABVCap, associação que reúne as gestoras desses fundos, Priscila Rodrigues, afirma que os private equities cresceram no Brasil nos últimos anos, ficaram mais sofisticados e especializados.
Para ela, a baixa participação em relação ao PIB mostra que "o potencial de expansão ainda é grande, com um farto leque de oportunidades de boas alocações", como aconteceu recentemente com o agronegócio. Mas para isso, a economia brasileira precisa crescer mais.
Fundos gringos reduzem investimentos
Os investidores estrangeiros, responsáveis pelo começo desta indústria por aqui há 25 anos, vivem um outro momento quando comparados à participação dos fundos locais. Hoje, os gringos têm quantias muito grandes para investir e que, muitas vezes, não se encaixam nas alocações disponíveis no País.
Segundo a presidente da ABVCap, o volume de recursos que migrou para esses fundos, também chamados de alternativos, quintuplicou em 10 anos no exterior, exigindo que os gestores foquem em alocações maiores. Por isso, o volume estrangeiro alocado no Brasil tem caído.
"Os grandes fundos internacionais concentram suas alocações em países que têm cheques maiores. E mercados locais, como a América Latina, onde os cheques estão mais próximos de US$ 200 a US$ 500 milhões, acabam não tendo grande atenção", diz.
O que são Venture Capital e Private Equity?
Venture Capital e Private Equity são duas modalidades de fundos alternativos que investem seus recursos em empresas. A diferença entre elas se dá pelo porte das companhias investidas.
O Venture Capital foca em startups e empresas iniciantes com potencial de crescimento, o que o torna um tipo de investimento de maior risco.
Já o Private Equity direciona recursos para empresas mais maduras e sólidas, sejam elas de capital aberto ou não, trazendo recursos e adquirindo participação acionária nessas companhias.
Entenda:
Pessoa física pode investir nesses fundos?
Investidores pessoa física podem aportar recursos em fundos de Venture Capital e Private Equity como forma de diversificar a carteira. Entretanto, vale lembrar, geralmente as cotas para se investir neles são elevadas, o que dificulta o acesso de quem é mais iniciante no meio ou possui menos recursos disponíveis.
Também é necessário prestar atenção à questão do risco, claro, em especial nos fundos de Venture Capital. Isso porque, muitas vezes, eles estão de olho em perfis de empresas que ainda não se consolidaram ou cujos resultados são extremamente voláteis.
De todo modo, de acordo com Priscila Rodrigues, da ABVCap, o número de pessoas físicas que investem nesses fundos tem crescido no Brasil, e há também outros tipos de investidores adentrando o meio, como os Family Offices, que cuidam do patrimônio das famílias, gestoras de fortunas e fundações de previdência.
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