Vem reestruturação por aí? Veja como ação da Braskem (BRKM5) caiu ao menor nível em 15 anos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
29/09/2025 às 11:29
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
A ação preferencial classe A da Braskem (BRKM5) despencou quase 15% no pregão da última sexta-feira (26) e fechou a R$ 7,02, a menor cotação desde 10 de junho de 2010. Nos últimos 12 meses, o papel acumula baixa de mais de 65%. Afinal, o que explica esse movimento? Existe chance da Braskem quebrar?
A seguir, entenda por que a ação da maior petroquímica da América Latina chegou a essa situação, e o que está em jogo no futuro da empresa:
A forte baixa das ações da Braskem não é uma novidade, como mostra o desempenho do papel nos últimos 12 meses, conforme investidores embutiam nos preços os riscos de liquidez da companhia, as consequências do acidente geológico em Alagoas e as dúvidas quanto à venda do seu controle por parte da Novonor, antiga Odebrecht - assunto que já se estende por anos sem uma resolução.
O movimento do último pregão, porém, veio após a empresa informar ter contratado assessorias financeira e jurídica para avaliar a situação e encontrar alternativas a fim de melhorar seu desempenho. O mercado leu esse comunicado como um sinal de que a Braskem pode começar um processo de reestruturação da sua dívida.
Os assessores contratados são Lazard, Cleary Gottlieb e E.Munhoz. Os dois primeiros atuam na reestruturação da sua subsidiária Braskem Idesa, do México, anunciada no começo do mês. Esse processo, inclusive, acelerou os problemas da matriz brasileira, uma vez que credores passaram a questionar a real situação da companhia.
E aí você pode estar se perguntando: afinal, uma reestruturação não deveria ser vista como algo positivo, que vai resolver de vez os problemas da empresa? Para o analista Pedro Galdi, da AGF, a situação da Braskem é tão complicada que, ao anunciar algo que deveria ser bem recebido, só amplia os temores sobre o seu futuro.
"A Braskem está atravessando uma fase extremamente negativa. Não bastasse as incertezas sobre o colapso de sua estrutura operacional em Alagoas, com indenizações representativas e o fato da Novonor não conseguir uma modelagem para vender sua participação no controle, ainda temos os impactos do ciclo de baixa na indústria petroquímica", afirmou o especialista em entrevista à Broadcast .
O analista Felipe Sant'Anna, da Axia Investing, avalia que há temores de que a crise da companhia a leve a uma recuperação judicial. Segundo ele, a contratação das consultorias jurídica e financeira, anunciadas na sexta, levantam dúvidas sobre a real situação de seu caixa, o que leva muitos investidores a saírem do papel em bolsa.
"O movimento já levou bancos de investimentos a cortarem recomendação e preço-alvo, algo que tende a gerar efeito cascata", diz.
Nesta segunda-feira, a agência S&P Global Ratings confirmou a tese de Sant'Anna, anunciando o rebaixamento da sua classificação de crédito global da Braskem de "B+" para 'CCC-'. Ainda na sexta, o UBS BB já havia rebaixado a recomendação para as ações da petroquímica de compra para neutro, destacando que não vê um caminho fácil para que volte a gerar caixa.
De acordo com uma fonte ouvida pela Broadcast, todas as opções para a Braskem estão na mesa, como a busca de um sócio, a capitalização, a venda de ativos ou a renegociação da dívida. A empresa pode, inclusive, precisar de uma injeção de capital.
Na avaliação do sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, o impasse societário continua sendo o principal entrave para qualquer solução definitiva.
Hoje, a Petrobras detém 47% das ações ordinárias e 36,1% do capital total da Braskem, enquanto a Novonor controla a petroquímica, com 50,1% dos papéis ordinários e 38,3% do capital total.
Em agosto, bancos retomaram o plano de ter a fatia de controle da Novonor na Braskem dentro de um fundo e junto à IG4 Capital, gestora especializada em ativos em situações especiais, vão estruturar uma saída para o impasse em torno desta venda, que já dura mais de quatro anos.
Na última semana, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, disse que os bancos "estão convergentes" na busca pela recuperação da empresa, aceno bem recebido, já que o banco de fomento é uma das partes que ainda não vinha se mostrando engajada nas negociações.
Para Queiroz, da L4, entretanto, essa demora na definição "destrói valor" da Braskem e penaliza o papel. "Falta reinvestimento (Capex), a operação se deteriora e o ativo perde atratividade", resume.
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