Uma compra, vários ativos: por que os ETFs estão ganhando força?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
25/09/2026 às 13:44
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 25/09/2026 - A trajetória de crescimento dos fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês) ganhou força no primeiro semestre deste ano no Brasil. O número de pessoas físicas com esse tipo de ativo na carteira passou de 639 mil, em junho de 2025, para 862 mil em junho deste ano, uma expansão de quase 35%, segundo dados da Bolsa.
No recorte anual, de acordo com a B3, o valor em custódia dos investidores pessoas físicas em ETFs aumentou R$ 8,2 bilhões, passando de R$ 26,9 bilhões para R$ 35,1 bilhões, alta acima de 30% no período.
Para quem ainda não os conhece, os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de índice negociados em bolsa que acompanham o desempenho de indicadores de mercado.
Por meio deles, o investidor pode alocar recursos em diferentes classes de ativos de renda variável, fixa, commodities e criptomoedas, por exemplo, de forma simples e diversificada.
Amplo acesso
Filipe Coelho, head de fundos estruturados da BB Asset, explica que a grande vantagem do ETF é justamente esta, o amplo acesso a uma cesta de ativos, a um baixo custo e com agilidade.
"Mas, assim como qualquer decisão de alocação, primeiro deve-se entender qual a necessidade e quais os objetivos do investimento para depois partir para a etapa de escolha de um fundo de índice que seja alinhado ao perfil de risco adequado para cada investidor", alerta o especialista.
"O que não serve a todos é qualquer ETF indistintamente, porque o risco de cada um é o risco do ativo que ele carrega dentro da carteira. O ETF possui muitas vantagens, mas talvez a principal para quem começa é obter diversificação real com uma única ordem de compra", concorda Danilo Moreno, analista da gestora Investo.
Quais critérios levar em conta antes de investir em um ETF?
Mas se a gama de oportunidades nesse segmento é extensa, como saber se um ETF é adequado ao meu objetivo? O que deve ser observado antes de investir?
Coelho, da BB Asset, acredita que, antes de mais nada, é fundamental ter uma análise correta do perfil daquele investidor.
Posteriormente, deve-se analisar se os critérios qualitativos do ETF estão adequados a ele. "Avaliar índice, taxa de administração, liquidez, tamanho do fundo ou histórico de desempenho isoladamente não irá garantir que o produto seja adequado para determinado perfil do investidor. O importante sempre é olhar primeiro para as suas necessidades e objetivos", defende.
E para quem já investe em ações, fundos imobiliários ou em ativos de renda fixa? Será que nesses casos vale colocar uma parte do dinheiro nos ETFs para melhorar a diversificação da carteira?
Para Coelho, da BB Asset, a resposta direta é sim. Mesmo o cliente já possuindo alocação nessas classes de ativos, diz ele, o que se verifica, na prática, é que fica inviável ao investidor replicar completamente um índice, como, por exemplo, o Ibovespa, que hoje é composto por mais de 70 ações e cujos porcentuais mudam diariamente pelos movimentos do mercado.
"Com o ETF, esse mesmo investidor consegue, com valores iniciais de aproximadamente R$ 10 a R$ 100, fazer uma replicação completa do índice. Já na carteira própria, ele pode estar muito mais exposto a algumas ações do que o índice referência, trazendo um risco, às vezes não intencional, ao portfólio", explica, reforçando que isso poderia ser mitigado com a alocação de recursos direto em um fundo de índice.
Moreno, da Investo, retoma um argumento fundamental nesse tipo de segmento: o investidor não investe no ETF, mas sim por meio dele.
"O ETF é um veículo de acesso a uma classe de ativos, não uma classe à parte. Quem já tem ações, FIIs e renda fixa não precisa acrescentar uma categoria nova à carteira, mas a pergunta que fica é se o caminho que ele usa hoje para acessar essas classes é o mais eficiente. Em ações, muitas vezes não é", diz.
Isso porque, ele lembra, o investidor que mantém quinze ou vinte posições individuais na B3 tem o trabalho permanente de acompanhamento, rebalanceamento, reinvestimento de proventos e controle tributário, além do custo de cada compra e venda.
"Substituir parte dessas posições por ETFs de ações, por exemplo, costuma resultar em uma carteira com mais nomes dentro dela, menor concentração em cada empresa, custo total menor e, sobretudo, muito menos tempo gasto em manutenção", reforça.

