A Ultrapar reportou bons números no 4T24, com a continuidade dos excelentes números na Ultragaz e Ultracargo, e uma ligeira melhora nos números da Ipiranga, cujo setor passa por momento desafiador em termos de competitividade e disputa de margens com importados e práticas ilícitas de concorrentes menores. O lucro líquido do 4T24 teve um avanço de 26% t/t, beneficiado pelo reconhecimento de créditos fiscais e provisões na ordem de R$ 1 bilhão. Com isso, a empresa encerrou o ano com lucro de R$ 2,6 bilhões, estável em relação a 2023. Destaque negativo para a perda em equivalência patrimonial da Hidrovias do Brasil no EBITDA do grupo, em R$ 104 milhões, como consequência da crise hídrica nas operações e maiores despesas financeiras.
Ipiranga.
Houve redução de 1% a/a nos volumes vendidos do 4T24, com o aumento nas vendas do ciclo otto compensando a redução de 6% nas vendas de diesel. No ano de 2024, o volume total foi 2% a/a superior, também com maior elevação (+5% no ciclo otto), puxado pelo bom desempenho do etanol. No 4T24 houve uma dinâmica de menores margens, algo que permeou todo o setor, com maior competitividade de produtos importados e elevação nas irregularidades após o aumento do mandato de biodiesel no diesel. O EBITDA ajustado ficou em R$ 844 milhões no trimestre, redução de 26% a/a e de -8% t/t, com as menores despesas operacionais atenuando parte da redução nas margens. Em suma, um trimestre desafiador em termos de competição no setor, com resultado satisfatório pela Ipiranga, ainda que aquém do potencial de margens da companhia.
Ultragaz.
A companhia segue entregando volumes sólidos com excelentes margens de comercialização. O EBITDA ajustado do trimestre veio 36% superior a/a e 24% t/t, com o aumento dos volumes e melhor mix de vendas mais do que compensando os maiores custos (aumento do CPV com GLP) e despesas (fretes e efeitos da inflação). Destaque positivo para a margem EBITDA de R$ 1014/ton, que levou a margem do ano a fechar em R$ 966/ton, 2% acima da margem de 2023.
Ultracargo.
Os resultados do grupo seguem robustos, com estabilidade no metro quadrado faturado do trimestre, mas avanço de 9% no ano. O EBITDA teve um incremento de 9% a/a no 4T24, e avanço de 6% ante 2023, como consequência do melhor mix de vendas e de maiores tarifas em vendas spot e reajustes contratuais.
Desempenho da Ação.
O papel UGPA3 sobe 7,7% no ano, mas cai 43% em 12 meses, menos do que pares como a Raízen (-53%) e mais do que a Vibra (-27% em 12 meses). Em nossa opinião, tal queda deriva do fato de este ser um setor bastante intensivo em capital, sofrendo com a elevação das curvas de juros domésticas, mas também pela maior competição no setor, situação agravada pelas práticas ilícitas que têm promovido maiores margens e ganhos de participação de mercado para a categoria outros (bandeira branca), dado ser um mercado bastante pulverizado e com difícil fiscalização, ainda que mudanças pareçam já estar em curso e efeitos de medidas estruturais como a reformulação do Renovabio e a antecipação da monofasia dos tributos federais para o etanol colaborem para um olhar mais otimista.
Ainda assim, entendemos que para o setor ter um avanço mais consistente e duradouro, seria importante o avanço em uma ou mais das três seguintes frentes: (i) redução estrutural no custo de capital das companhias; (ii) fiscalização mais ativa das práticas ilícitas pela ANP; e (iii) antecipação da monofasia dos tributos estaduais sobre o etanol (dado que é algo já previsto na reforma tributária, mas com efeitos somente a partir de 2032, e é algo que já vem impactando as margens do setor). Mantemos nossa recomendação neutra e preço alvo de R$ 28,00 para 2025.
Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.