Ultrapar (UGPA3) 2T26: Ipiranga captura melhorias no ambiente competitivo e eleva margens; forte geração de caixa e desalavancagem são destaques
Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, analisa os resultados da Ultrapar no o trimestre de 2026
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
13/08/2026 às 12:32
A Ultrapar reportou resultados excepcionais no 2T26, com expansão de margens na Ipiranga e crescimento em todos os negócios do grupo, o que trouxe um EBITDA Ajustado 149% superior a/a. Em nossa leitura, tal desempenho reflete a melhoria do ambiente competitivo (combate às irregularidades no setor de combustíveis), e de fatores associados ao conflito no Oriente Médio, que favoreceu agentes com maior capacidade de importação e logística, possibilitando margens bastante acima da média histórica. A receita líquida avançou 22% a/a, para R$ 41,5 bilhões, com geração de caixa operacional recorde, de R$ 4,8 bilhões, beneficiada pelas melhores margens e pela liberação de capital de giro na Ipiranga. O lucro líquido ficou em R$ 1,7 bilhão, +46% a/a, mesmo com um resultado financeiro menos favorável (efeitos positivos de créditos fiscais no 2T25 e efeitos negativos de marcação a mercado). Essa maior geração de caixa possibilitou o anúncio de dividendos, de recompra de ações e redução da alavancagem para 0,9x dívida líquida/EBITDA, ante 1,9x no 2T25 e 1,5x no 1T26, o menor patamar desde 2008. A questão neste momento é a sustentabilidade de tais margens de comercialização na Ipiranga, após um contexto de normalização nas condições de mercado.
Resultados por segmento.
Na Ipiranga, houve crescimento de 8% a/a nos volumes vendidos (+10% no diesel e +6% no ciclo Otto), refletindo a continuidade da recuperação de mercado após os avanços regulatórios e o combate às irregularidades, além da maior volatilidade em derivados favorecer importações por grandes grupos. Com isso, a receita líquida avançou 24% a/a, para R$ 37,5 bilhões, enquanto o EBITDA Ajustado teve forte aumento de 131% a/a, para R$ 2,7 bilhões, com margem EBITDA de R$ 449/m³, 63% superior aos já elevados R$ 275/m³ do trimestre anterior. Houve aumento nas despesas operacionais (frete, pessoal e provisões para crédito, +26% a/a), mas compensadas pela maior rentabilidade. Na Ultragaz, houve retração de 3% a/a nos volumes, refletindo menor demanda tanto no mercado envasado quanto no granel, mas devido aos repasses de custos, a companhia reportou uma receita líquida superior em 2% a/a, de R$ 3,2 bilhões, com mix mais favorável e contribuição das novas energias. O EBITDA ajustado cresceu 6% a/a, para R$ 468 milhões, com expansão de margem para R$ 1.120/ton (+9% a/a), sinalizando que a rentabilidade compensou a redução nos volumes.
Na Ultracargo, os resultados vêm trazendo melhorias após uma sequência de investimentos: a capacidade estática média cresceu 8% a/a e o volume faturado avançou 19% a/a, com o ramp up das expansões em Santos, Rondonópolis, Palmeirante e Opla. Na visão t/t, o conflito no Oriente Médio impactou a demanda por tancagem para importação de combustíveis, vide a redução de 1% t/t no m3 faturado e o EBITDA 4% menor t/t, mas na visão a/a vemos uma receita líquida 7% superior a/a, e EBITDA Ajustado +13%, para R$ 159 milhões, beneficiado pelos maiores volumes e pela redução de 16% a/a nas despesas administrativas. Já a Hidrovias do Brasil apresentou modesta recuperação, mas ainda afetada pelos efeitos da venda da operação de Navegação Costeira. O volume total movimentado recuou 14% a/a, enquanto a receita líquida apresentou queda de 3% a/a, para R$ 664 milhões. O EBITDA Ajustado Recorrente foi de R$ 322 milhões, recuo de 8% a/a, mas considerando apenas as operações continuadas, a retração foi mais limitada, em -1% a/a, com melhor utilização dos ativos e evolução das operações no Paraguai, contrapostos por maiores custos operacionais.

A Ultrapar anunciou a aprovação de um programa de recompra de até 18 milhões de ações, além de remuneração ao acionista, com distribuição de R$ 1,1 bilhão em dividendos (R$ 1,00 por ação, yield de 3,8%) referentes ao 1S26, a serem pagos em 3/9/26. Ambos anúncios, acompanhados da forte desalavancagem ocorrida no semestre, reforçam uma leitura de boa alocação de capital da companhia e confiança nas dinâmicas que vem proporcionando a maior geração de caixa e possibilitaram forte redução na alavancagem. Tal contexto reforça a leitura de que a companhia deve buscar movimentos de M&A, o que pode envolver a entrada de novos sócios em alguma das linhas de negócio para ter maior capacidade de aquisições, como a Rumo, ou outras empresas que se alinhem à estratégia de maior exposição à logística e ao agronegócio.
Em resumo, o 2T26 foi excepcional para Ultrapar, com destaque para a atuação da Ipiranga, sinalizando que a companhia conseguiu aproveitar as condições de um ambiente competitivo mais favorável às companhias estruturadas, dada a volatilidade no mercado de derivados, que traz maiores dificuldades de atuação para importadores menores e também diante do contexto de ações contra o crime organizado no setor, vide a recente revogação da autorização da Refit pela ANP. Esse contexto de maior volatilidade reforça algo que já apontamos por aqui: a atuação da Vibra como player privado removeu uma barreira para as margens de comercialização, possibilitando que o ambiente de maior volatilidade traga ganhos acima da média para o setor. Também vale mencionar a Ultracargo, que começa a capturar os benefícios das expansões mais recentes e, como contraponto, a Hidrovias , que segue impactada pela venda da Navegação Costeira, mas com resultados que começam a sinalizar uma normalização das operações. A geração recorde de caixa foi, sem dúvidas o resultado de toda essa atuação, e que permitiu uma expressiva desalavancagem, mantendo as perspectivas favoráveis para companhia.
Desempenho da ação.
O papel UGPA3 sobe 46% no ano, ante uma alta de 4% no Ibovespa, e de +34% de seu principal par listado, Vibra (enquanto Raízen cai 69%, mas por razões de seu elevado endividamento e da fraca performance no segmento agro). Em nossa opinião, o setor deve seguir performando bem, no contexto de melhoria na competitividade com as ações contra ilegalidades e de uma dominância de mercado pelas grandes companhias, que tem conseguido garantir crescimento de volumes e margens diante da volatilidade internacional, ainda que as elevadas taxas de juros domésticas e a persistência de fraudes/evasão fiscal sigam como contraponto para novas elevações em rentabilidade. A despeito do potencial de downside em nosso modelo DCF (fluxo de caixa descontado), vemos a companhia mantendo a boa performance no curto prazo, diante da forte geração de caixa e resultados melhores do que o esperado, com previsão de revisão da nossa modelagem de todo o setor de distribuição de combustíveis após a incorporação dos resultados do 2T26.

UGPA3 vs IBOV

Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.


