Último lote do IR: é melhor pagar dívidas ou investir a grana?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
28/08/2026 às 10:29
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 28/08/2026 - A Receita Federal vai depositar na próxima segunda-feira, dia 31, o quarto e último lote da restituição do Imposto de Renda (IR) ano-base 2025. Segundo o órgão, serão pagos quase 522 mil contribuintes, incluindo também aqueles que aguardavam restituições residuais de exercícios anteriores, com um valor total de mais de R$ 1 bilhão.
Entre outros caminhos possíveis, dá para pesquisar se você está entre eles no site: https://www.gov.br/pt-br/servicos/consultar-meu-imposto-de-renda
Para aqueles que serão contemplados e possuem dívidas, pode ficar a dúvida se o dinheiro que vai cair na conta pode ter um outro destino mais importante nesse momento.
Na avaliação de especialistas, vale, antes de mais nada, olhar o custo do seu débito, especialmente se ele for com o cartão de crédito e/ou no cheque especial, antes de pensar, por exemplo, em investir.
Para o professor de Finanças da Fundação Vanzolini, Michael Roubicek, a prioridade sempre deve ser reduzir dívidas, até porque é difícil conseguir uma aplicação financeira que pague juros superiores aos embutidos nas dívidas.
"Uma possível exceção é o financiamento imobiliário, particularmente mais antigo e que pode ter taxas de juros menores do que aplicações em renda fixa, por exemplo. Neste caso, melhor manter a dívida e aplicar a restituição nesse tipo de investimento", diz.
Tudo é uma questão de prioridade
"Se a gente for pensar pela cartilha da educação financeira, a ordem é pagar antes aquele débito que possui um custo efetivo total anual mais alto, aquele que está comprometendo a sua paz no dia a dia", orienta Lai Santiago, planejadora financeira comportamental independente.
Nesse sentido, explica a especialista, é muito importante ter um olhar estratégico e tentar fazer um exercício de enxergar o cenário global do seu endividamento no médio e longo prazos.
"É fundamental testar cenários na hora de quitar as dívidas e de negociar com os credores. Pode ser que no prazo imediato, quitar o cheque especial gere uma sensação de alívio muito maior. Entretanto, se você tiver um consignado pesando ali no seu contracheque, isso não vai dar a tranquilidade que você precisa para enfrentar os próximos meses", explica a especialista.
Outro ponto fundamental, diz, é estabelecer a prioridade de cada quitação e entender qual é o risco de cada dívida. "Tem algumas dívidas que não possuem nenhum bem como garantia, enquanto outras, como é o caso dos financiamentos imobiliários e de veículo, empréstimo com carro e com casa em garantia que, se você deixar de pagar, pode ter esses bens penhorados", completa.
Uma vez pagas as dívidas mais caras, onde investir o restante (caso haja)?
A prioridade deve ser construir ou manter uma reserva financeira para emergências, afirma o professor Roubicek, da Fundação Vanzolini. "Neste caso, deve-se buscar aplicações de baixo risco e alta liquidez, mesmo que com rentabilidade um pouco menor", diz, reforçando ainda que na construção de uma soma para eventualidades vale evitar os títulos de prazos longos.
"Isso porque, caso seja necessário resgatá-los antecipadamente, se houve flutuação nos juros de mercado (para cima) pode haver perda relevante no valor do principal", explica, reiterando que, de uma forma geral, a restituição do IR deve primeiro reduzir o custo financeiro da família, depois aumentar sua segurança financeira e só então buscar maior rentabilidade.
O mesmo ponto é defendido por Lai Santiago, segundo a qual para fazer a escolha de guardar o saldo da restituição do IR após o pagamento de dívidas, é importante buscar um investimento conservador, estável e seguro, e "que seja possível resgatar com agilidade, ou seja, que tem uma liquidez imediata ou diária".
- Nesse aspecto, entre as alternativas que estão disponíveis no mercado e que cumprem esses requisitos estão os CDBs de liquidez diária pós-fixados, títulos do Tesouro, como o Reserva e o Selic, além dos fundos DI.

