Tese de desvalorização das criptomoedas
Publicado por: TradingView
3 minutos

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Atualizado em
08/10/2025 às 15:19
“Debasement trade” é o nome feio para uma ideia simples: quando governos gastam mais do que arrecadam por muito tempo, a moeda perde poder de compra aos poucos.
Não é fim do mundo, é erosão. Quem não quer ver sua poupança sendo diluída busca ativos escassos, que não dependem do “eu prometo pagar” de ninguém. Aqui entram ouro, prata e bitcoin.
Ouro é o pilar clássico. Não paga juros, mas também não pode ser impresso. Funciona como âncora quando a confiança no papel balança. Prata é o irmão mais nervoso: também é reserva de valor, mas carrega um lado industrial que a deixa mais volátil, sobe mais quando o apetite por risco melhora e cai mais quando azeda.
Bitcoin é a versão digital da escassez: oferta conhecida, liquidez 24/7 e logística simples. Em troca, aceita um preço: oscila muito e sofre com ruído regulatório.
As crescentes preocupações fiscais em algumas das maiores economias do mundo estão dando impulso ao chamado "trade de desvalorização", à medida que os investidores migram para a segurança percebida do Bitcoin, ouro e prata, enquanto se afastam das principais moedas.
O iene retorna a cair com a parlamentar pró-estímulo Sanae Takaichi se tornou a próxima primeira-ministra do Japão. Spreads de títulos franceses explodiram e o euro caiu após a renúncia do primeiro-ministro, lançando o país em outra crise política.
Dólar, que enfraqueceu cerca de 30% em relação ao Bitcoin este ano, continua sob pressão enquanto a paralização parcial do governo dos EUA arrasta-se. O euro tem os seus próprios problemas com novas políticas de incerteza crescente na França.
No centro dessas movimentações está uma crescente dívida nos EUA, Japão e Europa, que os países estão tendo dificuldade para administrar. Isso está aumentando o apelo de ativos alternativos, como metais preciosos e criptomoedas, que estão estabelecendo novos marcos.
O ouro subiu para um novo patamar de máxima nessa semana e a prata se aproximou de um recorde, enquanto o Bitcoin pairou perto de seu novo recorde histórico definido durante o início da semana.

Acima o gráfico do Bitcoin, Ouro e Prata na mesma escala % de valorização desde o início do ano (01/01/2025 até o presente dia).
A tese do trade de desvalorização saiu do nicho e virou fluxo. Em 2024–2025, casas como o JPMorgan descreveram explicitamente a alta de ouro e bitcoin como “debasement trade”, ancorada em déficits elevados, incerteza geopolítica e diversificação longe do dólar.
Esse é em essência um investimento que visa estar fora de moedas fiduciárias, que protege da desestabilidade da combinação fiscal-monetária. Isto é, a consolidação fiscal crível, taxas de juro reais persistentemente positivas e fortalecimento institucional do Banco Central.

Posição pequena, horizonte de anos, nada de alavancagem e rebalancear quando um deles disparar. Você não precisa acertar o “cavalo” perfeito; uma cesta simples dos três já cumpre o papel de seguro contra a diluição do dinheiro.
O trade perde força se governos fizerem o dever de casa e os juros reais ficarem positivos por tempo suficiente (ou seja, muito improvável). Até lá, ouro, prata e bitcoin são a aposta direta contra a ideia de que imprimir, rolar dívida e “deixar a inflação trabalhar” resolve a matemática fiscal.
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