Taxa das blusinhas vai acabar de vez? Entenda o que falta para o fim do imposto
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
24/08/2026 às 12:00
Por Gustavo Boldrini, Gabriel Hirabahasi e Victor Ohana da Broadcast
São Paulo e Brasília, 24/08/2026 - O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à TV Record exibida ontem, que pretende anunciar o fim da chamada "taxa das blusinhas", medida que prevê a cobrança de um imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que está suspensa desde maio.
Na semana passada, durante agenda em Natal (RN), Lula havia prometido para esta quarta-feira, 26, uma reunião com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, para discutir a medida provisória que extingue o imposto (MPV 1357/2026), editada pelo governo federal em 12 de maio deste ano.
A seguir, veja por que o fim da taxa das blusinhas ainda precisa de aprovação do Congresso e quais são as perspectivas para a medida:
A taxa das blusinhas vai acabar?
A reunião de Lula com Alcolumbre e Motta é crucial porque a aprovação ou não do fim da taxa das blusinhas depende do Congresso.
O governo editou a MP sobre o tema em maio, portanto, ela precisa de aprovação tanto do Senado quanto da Câmara em um prazo inicial de 60 dias para se tornar efetivamente uma lei - que pode ser prorrogado por mais 60 dias, totalizando 120 dias, ou quatro meses.
Vale lembrar que o prazo da MPV 1357/2026, que trata do fim do imposto sobre as compras internacionais de até US$ 50, expira em 8 de setembro. No momento, há uma comissão mista de senadores e deputados discutindo o assunto, mas ainda não houve acordo sobre quais parlamentares serão o relator e o presidente do colegiado.
A medida precisará ser aprovada por essa comissão antes de ser votada nos plenários da Câmara e do Senado para ter uma validade permanente.
Quem é contra o fim da taxa das blusinhas?
A taxa das blusinhas foi fruto de um pedido de setores empresariais ligados ao comércio, serviços e indústria, que veem a concorrência de produtos estrangeiros como desleal - o que justificaria a cobrança do imposto como forma de proteger produtos vendidos localmente.
Na semana passada, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) apresentou uma carta aos parlamentares pedindo rejeição integral à MPV 1357/2026, apontando que a medida pode colocar em risco cerca de 100 mil empregos no País.
"A permanência da alíquota zero do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 reabre um cenário grave de concorrência desleal, fragilizando a atividade econômica interna e a geração de empregos formais no Brasil", afirmou a entidade, que também entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP.

