Suzano, Klabin, Embraer e exportadoras: como o tarifaço dos EUA afeta a Bolsa?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
16/07/2026 às 16:20
Por Gustavo Boldrini, Talita Nascimento e Elisa Calmon, da Broadcast
São Paulo, 16/07/2026 - O novo tarifaço de 25% do governo dos Estados Unidos contra produtos importados do Brasil ampliou a lista de produtos isentos da sobretaxa, o que pode trazer impacto limitado sobre as ações de algumas das principais empresas exportadoras da B3, de acordo com analistas e entidades setoriais.
A lista de isenções da tarifa veio com uma ampla relação de itens isentos, dentre eles a celulose; o petróleo bruto e gás natural; bem como aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais. Trata-se de produtos cuja taxação poderia trazer "perturbações" à economia, segundo relatório divulgado ontem pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
A medida também não traz novidades para o setor de aço, ou siderúrgico, que segue taxado em 50% para exportações aos EUA.
O tarifaço vai afetar a Bolsa?
O Ibovespa cai mais de 1% no pregão desta quinta-feira, com o tarifaço trazendo certa cautela de curto prazo. Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o clima negativo tem mais relação com a percepção de atrito diplomático entre Brasil e EUA do que pelas tarifas em si.
Segundo ele, declarações de ontem do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acendem sinal de alerta para a relação entre os dois países. Em publicação no X, Rubio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo brasileiro "não negociaram "de boa-fé" com os americanos, e, por isso, houve a confirmação da tarifa de 25%.
"Estamos vendo o mercado corrigindo muito mais por causa das declarações do Rubio, de atrito com o governo brasileiro. Esse tipo de tensão diplomática não é positiva em nenhum âmbito. Atrito diplomático é uma coisa que afeta muito o mercado", afirmou Teles.
Para João Daronco, analista de ações da Suno Research, a maior parte das empresas listadas na B3 tende a não sofrer um grande impacto do tarifaço, uma vez que muitas das grandes exportadoras, como Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3), possuem mais relações comerciais coma China do que os EUA.
"Em resumo, a tarifa pode afetar pontualmente alguns setores com mais força, mas, no agregado, o efeito sobre a Bolsa não deve ser tão significativo", afirmou.
Klabin, Suzano e siderúrgicas
O papel não foi excluído da lista de exceção às tarifas. No entanto, o impacto da sobretaxa deve ser pouco relevante para exportadoras do material, como Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), na avaliação de Daniel Sassson, analista de ações de papel, celulose e siderurgia do Itaú BBA.
A Klabin tem mais exposição a papel do que a Suzano, mas a celulose bruta representa cerca de 40% do negócio, de acordo com o analista. A estimativa de Sasson é de que apenas 2% a 3% da receita da Klabin vem de EUA, com a empresa mais exposta à economia brasileira no setor de papel.
Na mesma linha, o responsável pelas análises do setor na XP, Lucas Laghi, diz que vê impactos limitados para a Klabin e Suzano, visto que a exposição maior aos EUA está no segmento de celulose, que segue isento.
Em relação ao aço, o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, reiterou que "a medida não se aplica ao aço, que permanece com 50% de tarifa desde junho do ano passado. Essa alíquota se aplica ao Brasil e ao mundo, exceto para o Reino Unido".
Embraer
O setor de aviação, que contempla a Embraer (EMBJ3), também seguiu na lista de exceções. Recentemente, o CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, destacou que a fabricante enfrentou "muitas surpresas" com as taxações no ano passado, mas disse esperar que a suspensão fosse mantida.
Em abril de 2025, foi anunciada uma tarifa de 10% para o segmento, porcentual que posteriormente subiu para 50%. "Trabalhando com todas as partes interessadas, conseguimos trazer a tarifa de volta para 10% e, depois, zerá-la", disse o executivo.
A Embraer informou ainda em março que pagou cerca de US$ 80 milhões em tarifas de exportação aos EUA. Cerca de 85% do valor estava relacionado à divisão de aviação executiva. As cobranças foram interrompidas no fim de fevereiro deste ano. Apesar da suspensão, as tarifas ainda tiveram impacto sobre os resultados do primeiro trimestre da Embraer.
Carnes
As carnes brasileiras também estão isentas do tarifaço, o que pode ser uma boa notícia para exportadoras listadas na B3, como MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), na avaliação de João Daronco, da Suno Research.
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior destino da carne bovina brasileira, com US$ 1,35 bilhão embarcados no primeiro semestre deste ano.
"Ficamos muito preocupados no ano passado com o tarifaço. Quando entramos na lista de exceções, passamos a acompanhar a questão das tarifas americanas. Estamos observando e acompanhando as negociações entre os governos", afirmou mais cedo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
Marcopolo
Por outro lado, companhias como a Marcopolo (POMO4), que produz carrocerias de ônibus, estão entre as mais afetadas. As ações da companhia recuavam mais de 3% perto das 15h15 (de Brasília) desta quinta-feira, figurando entre as principais quedas do Ibovespa.
Segundo analistas ouvidos pela Broadcast , a empresa, que exporta para os Estados Unidos, está entre as mais prejudicadas pelas tarifas.
(Colaboraram Cecília Mayrink e Isadora Duarte)

