Simpar (SIMH3): controladora da Movida aposta em diversificação para driblar juro alto
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
02/10/2025 às 15:17
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
A taxa básica de juros a 15% ao ano representa um desafio para empresas como a Simpar, holding que controla diversas empresas do segmento de transporte e logística, como as locadoras Movida (MOVI3) e Vamos (VAMO3), a transportadora JSL (JSLG3) e a rede de concessionárias Automob (AMOB3). A companhia, porém, aposta na diversificação para driblar o efeito da Selic alta.
"Diversificação é uma forma de diminuir toda e qualquer concentração de risco que possa existir num perfil de serviço ou de cliente", afirmou o CFO da Simpar, Denys Ferrez, em entrevista ao "Conversa com Quem Decide", do BB Investimentos (BB-BI).
Segundo o executivo, diante da volatilidade atual, a Simpar está focada em "fazer o dever de casa", focando na meta de reduzir seu grau de endividamento.
Confira o video em: https://www.youtube.com/watch?v=BgOS9LD0cKc
A Simpar nasceu em 2020, após uma reorganização societária da JSL, que buscava uma maneira de recompor as suas subsidiárias. Assim, formou-se a holding, que hoje conta com oito negócios independentes entre si: JSL (JSLG3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3), Automob (AMOB3), CS Brasil, Banco BBC Digital, CS Infra e Ciclus Ambiental.
Na ótica dos analistas, a Simpar é considerada uma empresa intensiva em capital. Ou seja, requer um alto investimento em ativos físicos - como veículos, máquinas e equipamentos - para operar e crescer. Isso a torna mais sensível às taxas de juros, que podem encarecer ou baratear o crédito.
Ferrez, CFO da companhia, afirmou que a Simpar é "mais feita de crédito do que de equity [ações]". Ou seja, a emissão de títulos de dívida, como debêntures, é importante para a manutenção do modelo de negócios.
"Do ponto de vista do credor [detentor de debêntures da empresa], o conforto é que o dinheiro dele está com ativos reais com mercado secundário resiliente e volumoso. O modelo se mostra muito firme, com diversificação de clientes, de setores, de natureza do serviço e de alocação de capital", disse o executivo aos analistas Wesley Bernabé e Luan Calimério, do BB-BI.
Segundo Ferrez, a estratégia atual da Simpar está adequada para lidar com o nível atual da Selic, a 15%. "Se vier uma inflexão de queda de juros, é melhor ainda", disse o CFO, ressaltando que uma futura indicação de cortes na Selic poderá trazer mais "conforto" para a empresa e para os investidores.
Sobre as tendências de futuro no setor de transporte e logística, como a busca pela redução do uso de combustíveis fósseis, Ferrez afirmou que a Simpar mantém "cautela" sobre onde investe seus recursos e segue atenta às demandas dos clientes.
"Reconhecemos que teremos diferentes formas de matriz de energia no futuro, mas é difícil que sejamos os pioneiros. Se o cliente tem interesse, consigo juntar duas pontas e dar uma precificação justa. Mas não temos tendência de nos precipitar", comentou.
Ferrez lembrou que a Movida foi a primeira locadora de carros a colocar veículos elétricos na frota. O resultado, porém, não foi o esperado.
"Fizemos incursão mais forte, mas tem um problema, pois o cliente não aluga. Nós olhamos para tudo, mas precisamos ver se tem o cliente na ponta. Vamos no ritmo que acontece, de acordo com as demandas do usuário", destacou.
As ações da Simpar acumulam alta de mais de 37% neste ano, mas nos últimos 30 dias sofrem uma baixa acumulada de 5%. No fim de setembro, surgiram rumores de uma possível "megacapitalização" do BTG Pactual na companhia, que negou a informação, alegando estar focada no "aumento da geração de caixa fruto da expansão de rentabilidade e redução do volume de investimentos, e fortalecimento de sua estrutura de capital".
O BB-BI tem recomendação de compra para os papéis da empresa, com preço-alvo de R$ 6,50 para o final deste ano - o que representa um potencial de valorização de 29% em relação ao fechamento de ontem.
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