Setorial Varejo: Fevereiro 2025
No mês de janeiro, o setor de Varejo foi positivamente impactado pelo fechamento do trecho curto da curva de juros.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
11/03/2025 às 14:36
Em 2024, o setor de Varejo foi beneficiado pela alta na massa de renda real das famílias e pela queda da taxa de desemprego, mas a inflação acima do esperado e o alto custo do crédito começaram a mostrar os primeiros sinais de esfriamento da atividade.
No último dia 29, o COPOM (Comitê de Política Monetária) anunciou o já esperado aumento de 1 p.p. na taxa básica de juros, que agora está em 13,25%. Essa alta traz impacto na concessão de crédito que, ao longo do ano, tende a ficar mais restrita, com os agentes sendo mais cautelosos a fim de conter o avanço da inadimplência que já está alta. Essa restrição, se confirmada, deve afetar diretamente a compra de bens de maior valor agregado e normalmente dependentes de crédito, como é o caso de automóveis, móveis e eletrodomésticos.
Durante o mês de janeiro, foi anunciado o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) fechado do ano de 2024, que ficou em 4,83%, número acima do teto da meta. O segmento que mais impactou a alta foi o de Alimentos e Bebidas que, durante o ano, sofreu com as variações climáticas, como secas em algumas regiões, as enchentes no Rio Grande do Sul e o aumento da cotação do dólar americano. A alta inflacionária afeta o setor de Varejo, já que corrói o poder de compra dos brasileiros e, portanto, desestimula o consumo.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), outro importante indicador do setor, registrou queda de 4,7 pontos em janeiro e fechou o mês em 86,2 pontos, menor nível desde fevereiro de 2023 (85,7 pontos). O recuo deveu-se, principalmente, pela piora das expectativas futuras e da percepção sobre a situação atual, impactadas pela alta da taxa Selic e a pela pressão inflacionária.
Em relação ao volume de vendas do varejo restrito, o segmento de Saúde e Beleza continua sendo o que mais avançou no acumulado dos últimos 12 meses, registrando um aumento de 13,5%, o que reforça sua resiliência.
Em 2024, o mercado de trabalho permaneceu forte, com o mercado formal totalizando um saldo positivo de 1,7 milhão de vagas no ano. A taxa de desemprego de dezembro foi de 6,2%, ligeiramente acima dos 6,1% registrados em novembro. A expectativa é que o mercado de trabalho continue apresentando bons números durante 2025, com impacto positivo na massa de renda real das famílias e no consumo, principalmente no primeiro semestre do ano.
Saldo de Empréstimos Livres e Inadimplência – Pessoa Física
(R$ bilhões e %)

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