Setorial Varejo: Abril 2025
Em março, o setor de Varejo foi beneficiado pelo fechamento da curva de juros, bem como pela expectativa da economia permanecer aquecida por mais tempo que o inicialmente esperado para 2025.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
02/04/2025 às 08:57
Durante o mês de março, o mercado olhou com otimismo para a maioria das companhias do setor de Varejo. Com a economia ainda aquecida, o mercado de trabalho mostrando resiliência acima do esperado e o fechamento da curva de juros, a maioria dos papéis do segmento de consumo mostrou forte reação positiva na bolsa, o que pode se traduzir em uma melhor perspectiva de lucros à frente.
Dentre os indicadores divulgados, percebemos uma ligeira desaceleração no aumento da Concessão de Crédito divulgada pelo Banco Central. Importante mencionar que a inadimplência, divulgada pelo Bacen, para pessoas físicas, teve um incremento de 0,3 p.p. em relação ao mês imediatamente anterior, com jan/25 fechando em 5,5%. A inadimplência medida pelo Serasa, que engloba informações não somente do Bacen, mas também de Serviços e Utilities (contas de água, luz e gás), encerrou fev/25 indicando que 46,16% da população brasileira está com alguma conta atrasada (+0,9 p.p. m/m).
Outro importante indicador é o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que fechou o mês de fevereiro em 1,31%, em linha com a mediana das projeções, com os setores de Educação e Habitação entre os que mais contribuíram para a alta.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que havia registrado três meses consecutivos de queda, reverteu a tendência e fechou o mês de março subindo 0,7 ponto. Importante mencionar que essa retomada foi consequência principalmente de um maior otimismo em relação à situação atual de consumidores da faixa de renda mais alta, acima de R$ 9.600,01, mas não retira o índice do campo pessimista.
Em relação ao volume de vendas do varejo restrito, as vendas de jan/25 foram 3,1% acima do mesmo período de 2024, e praticamente estável em relação ao mês imediatamente anterior. Em janeiro, o setor de Materiais para Escritório e Informática foi o que apresentou o maior incremento e, na visão do acumulado dos últimos 12 meses, o setor de Saúde e Beleza continua sendo o que mais cresceu.
Já o IBC-BR de janeiro apresentou alta de 0,89%, acima do teto das estimativas da pesquisa Broadcast, que era de 0,70%. Isso indica uma maior pujança da economia brasileira, com possível elevação das expectativas para o PIB do 1T25.
Em relação ao mercado de trabalho, os números superaram as expectativas novamente. O mercado formal fechou o mês com um saldo positivo de 432 mil postos de trabalho e a taxa de desocupação encerrou fevereiro em 6,8%. Como consequência, a massa de renda real teve um incremento de 10,3% a/a ao final do mês na comparação anual.
Na última segunda-feira (31), a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) anunciou que o reajuste médio permitido para os medicamentos será de 3,83% em 2025, abaixo da inflação acumulada no período, de 5,06%. Este é o menor percentual de reajuste desde 2018 e será aplicado em três diferentes níveis, segundo o grau de concorrência do medicamento, conforme a seguir: (i) Nível 1: 5,06% para medicamentos com concorrência; (ii) Nível 2: 3,83% para medicamentos de média concorrência; e (iii) Nível 3: 2,60% para medicamentos de pouca ou nenhum concorrência.
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