Setorial Papel e Celulose | Junho 2025
Especialistas do BB analisam os indicadores setoriais mais recentes de papel e celulose.
Publicado por: Análise BB
7 minutos
Atualizado em
25/06/2025 às 10:52
Instabilidade econômica internacional causada pela guerra tarifária seguiu impactando o mercado de celulose na China, enquanto a demanda e os preços da commodity se mantiveram elevados na Europa e favoreceram as exportações brasileiras
A instabilidade econômica internacional causada pela guerra tarifária continuou impactando o mercado de celulose, principalmente na China, o principal importador global de fibras. Apesar dos avanços nas negociações sobre o comércio entre o país e os EUA, permaneceram as incertezas sobre o nível de crescimento econômico, bem como do consumo de papéis no mercado interno chinês e das exportações, o que levou ao recuo nas importações de celulose pelo país, e consequentemente, à pressão nos preços da commodity, que interromperam a lenta trajetória de recuperação observada desde o início do ano.
Já na Europa, as cotações continuaram avançando, apoiadas pela redução pontual no nível dos estoques na região, que favoreceu as importações de fibras, mas há sinais de arrefecimento desse movimento, já que o consumo de celulose nos quatro primeiros meses de 2025 desacelerou em relação à média mensal do ano anterior (-6%), assim como a perspectiva de crescimento do PIB em 2025, o que pode limitar as compras da commodity nos próximos meses.


Nesse contexto, o volume brasileiro de exportações de celulose atingiu patamar recorde no mês de maio, com crescimento de 41,3% m/m e de 26,5% na comparação anual. O crescimento mais significativo ocorreu justamente nos embarques para os países da Europa, embora também se observou uma recuperação nas exportações para a China e EUA, que haviam recuado no mês anterior.

No Brasil, a expedição de caixas, acessórios e chapas de Papelão Ondulado recuou em abril, e segundo as prévias para o mês de maio, houve recuperação do volume no mês seguinte. Ainda assim, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, houve queda de 0,3% a/a no volume expedido, na contramão da produção industrial (+1,4% a/a no acumulado até abril) e da categoria de bens duráveis, que é grande consumidor de embalagens de papelão, e que avançou 8,8% em relação aos primeiro quadrimestre de 2024. Assim, segundo a Empapel, a expectativa para a expedição de caixas e chapas em 2025 está sendo revisada para baixo, caindo de 5,0% no início do ano para 2,0% em maio.
Além disso, os demais indicadores da indústria de papel continuam enfraquecidos, incluindo a confiança do empresário do setor, que segue abaixo da linha de 50 pontos desde dezembro/24, em um dos patamares mais baixos dos últimos 5 anos. Por fim, as exportações de papel voltaram a se elevar em maio e atingiram o maior patamar em quase 3 anos, levando o volume embarcado nos cinco primeiros meses de 2025 à estabilidade em relação ao mesmo período do ano anterior.

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