BB BI analisa a performance do setor imobiliário em abril - Setorial Construção
Cenário de custos sugere cautela nas leituras recentes de inflação ao setor de construção civil, mas atividade permanece resiliente, sobretudo no segmento econômico.
Publicado por: Análise BB
8 minutos
Atualizado em
21/05/2026 às 14:36
Ao longo dos últimos anos, o cenário de custos relacionados ao setor de construção civil demonstrou constantemente a mesma configuração. Os custos médios de materiais vinham apresentando alguma estabilidade, enquanto a mão de obra apurada pelo INCC-M gerava uma pressão adicional, constantemente acima do indicador cheio desde outubro de 2022. No entanto, a leitura do índice de abril trouxe perspectivas de mudanças nesse cenário. Ainda que o acumulado de 12 meses da mão de obra siga acima da média dos últimos 5 anos (+8,71% a/a), houve uma desaceleração nas bases de comparação (-0,33 p.p. m/m, -0,71 p.p. a/a), enquanto os custos de materiais avançaram 1,35% em um único mês (+4,56% a/a), como reflexo dos conflitos geopolíticos no oriente médio. Embora seja difícil prever se esses impactos serão mantidos na cadeia produtiva por tempo suficiente para desacelerar a atividade de maneira mais estrutural, sinais mistos aparecem quando adicionamos à analise outros dados pertinentes ao setor.
O índice de confiança da construção recuou em abril, tanto na visão dessazonalizada como na sem ajustes. Já o estudo elaborado trimestralmente pela CNI, para apurar os principais problemas da indústria da construção, observou um significativo avanço de questões ligadas à matéria prima sob a ótica dos empresários do setor, subindo da 13ª para a 6ª posição entre o 4T25 e o 1T26, mas ainda atrás de pontos relacionados a mão de obra e carga tributária.
O fator taxa de juros também cresceu na última leitura, passando para a 1ª posição da pesquisa, refletindo um ritmo de afrouxamento monetário mais lento que o esperando anteriormente na economia doméstica. Vale ressaltar que, mesmo nessas condições, o setor tem incrementado sua participação na geração de empregos formais no Brasil, acompanhando dados bastante resilientes do segmento econômico, com forte ritmo de lançamentos e vendas de novas unidades puxadas por atrativas condições vigentes e recém atualizadas nos programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida. Além disso, mesmo que as incorporadoras com maior foco em empreendimentos de médio e alto padrão tenham desacelerado o ritmo de lançamentos, prevendo uma demanda mais limitada por essas unidades, as vendas nesse nicho permanecem superando a reposição consistentemente desde o início de 2023, levando a níveis mínimos de estoque dos últimos 5 anos, sugerindo que a demanda por esse público se manteve mais forte que as projeções.
Nesse relatório setorial, analisamos esses indicadores, além de atualizar os números relativos às fontes de financiamento, como a poupança que apresentou a primeira captação líquida mensal em 2026 e recorde na arrecadação do FGTS, incremento nas taxas de juros médias para o setor, bem como os movimentos de mercado ao longo do mês de abril
Destaques desta edição: Dados de Confiança
Confiança da Construção (ICST) recua na leitura de abril, acompanhado de baixa tanto no indicador de Situação Atual como no Nível de Expectativas.
Indicadores de Atividade
Conjunto de indicadores da Sondagem da Indústria da Construção apresenta melhora no humor na edição de março/26.
Fontes de Recursos e Novas Contratações
Poupança registra primeiro mês com captação líquida em 2026, mas contratações de financiamentos utilizando seus recursos seguem em queda. Já a arrecadação do FGTS renova recorde.
Dados de Crédito e de Emprego
Setor de construção avança em representatividade na economia formal doméstica, enquanto as taxas médias de juros para crédito imobiliário aceleram na leitura de março.
Índice de preços
INCC-M acelera aos 6,28% nos últimos 12 meses. Diferente da média recente, o indicador de materiais puxou o movimento após subir 1,35% no mês, atingindo o maior patamar acumulado anual desde setembro de 2025.
Dados de Mercado – Construção Civil
O principal índice setorial Imobiliário recuou 3,8% no mês de abril, dando continuidade ao movimento de baixa de março. Já o Ibovespa ficou próximo da estabilidade, caindo 0,1% no período.
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