Será que dá? Raízen (RAIZ4) ganha mais tempo para levar ação para R$ 1
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
20/07/2026 às 09:39
Por Gustavo Boldrini e Crisley Santana, da Broadcast
São Paulo, 20/07/2026 - A B3 prorrogou o prazo para que a Raízen (RAIZ4) leve suas ações para a faixa de R$ 1,00, a fim de se adequar ao valor mínimo exigido pelas regras de companhias listadas na Bolsa. A companhia sucroalcooleira terá até 31 de março de 2027 para atingir o objetivo - ou seja, cerca de oito meses.
Em comunicado divulgado na última sexta-feira, a Raízen informou que deverá enviar à B3 um cronograma apresentando o plano que será adotado para reenquadrar seus papéis ao valor mínimo exigido, deixando de ser uma penny stock - ação que negocia na casa dos centavos.
Como fazer o reenquadramento das ações?
Uma das medidas mais utilizadas pelas companhias de capital aberto para elevar o valor de face das suas ações e tirá-las da casa de centavos é o chamado grupamento de ações, ou inplit. Trata-se de uma operação na qual condensa um grupo de ações para aumentar o preço por ação, tirando-a da casa dos centavos.
Por exemplo: a empresa pode agrupar 10 ações e transformar esse grupo em um único papel. Com isso, a companhia reduzirá o número de ativos negociando no mercado e, automaticamente, o valor de face dessa ação vai aumentar.
No mesmo exemplo, se a ação valia R$ 0,50, seu valor será multiplicado por 10, passando a ser de R$ 5,00. Vale ressaltar que, neste caso, o que acontece é uma operação puramente matemática. Ou seja, o patrimônio da empresa e sua avaliação perante o mercado não muda, mas somente a "embalagem" pela qual ela vai aparecer ao investidor: serão menos ações, cada uma valendo mais.
Como está a recuperação extrajudicial da Raízen?
A Raízen está em recuperação extrajudicial desde março deste ano, com o objetivo de renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. A entrada no processo levou a ação da companhia a ser retirada dos índices da B3, inclusive o Ibovespa, uma vez que companhias em recuperação judicial ou extrajudicial não podem fazer parte dos indicadores da Bolsa.
Além de negociar com credores, a companhia tem buscado vender alguns ativos a fim de reforçar o caixa e reduzir despesas. A Raízen anunciou nesta segunda-feira um contrato para vender a Usina Caarapó, no Mato Grosso do Sul, e ceder cana-de-açúcar própria e contratos com fornecedores vinculados à unidade para a Adecoagro Vale do Ivinhema.
- O valor total estimado da transação é de R$ 760 milhões, com pagamento à vista na data de conclusão, sujeito a ajustes. A conclusão do negócio está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao cumprimento de outras condições precedentes.
No último dia 10, a Superintendência-Geral do Cade aprovou a venda de ativos da Raízen Energia na Argentina pela Latam Downstream Holdings e pela Silver Projects. O negócio é avaliado em US$ 1,42 bilhão, segundo apurou
Entre janeiro e março deste ano, período que equivale ao quarto trimestre do ano-safra 2025/26 da companhia, a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões, perda 191,8% maior que a registrada em igual período do ano passado. A dívida líquida saltou 70% na base anual, a R$ 58,229 bilhões.

