Selic alta e desaceleração desafiam bancos privados, mas ações indicam resiliência
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
17/02/2025 às 10:14
Por Aramis Merki II, do Broadcast
São Paulo, 17/02/2025 - Nesta temporada de balanços do quarto trimestre de 2024, os principais nomes do setor financeiro estão em destaque como as estrelas até então. A maioria dos grandes bancos privados divulgou seus resultados no início de fevereiro, e os resultados foram considerados em geral sólidos - indicando que os papéis podem sustentar bom desempenho mesmo em um 2025 de Selic em alta e perspectiva de desaceleração econômica.
O UBS BB mostra otimismo para o setor por considerar que, mesmo diante de cenário desafiador, os bancos privados demonstram qualidade em seus indicadores. "Os bancos estão com níveis de renegociação bem baixo, isto dá um conforto de que eles podem crescer", afirma Thiago Batista, analista do UBS BB. A casa deu upgrade na recomendação para Itaú em janeiro, além de ter recomendação de comprar também para Bradesco, BTG Pactual, Inter e XP.
Batista destaca que a conjuntura à frente é de Selic alta e desaceleração do crescimento, mas não há indícios de destruição nos níveis de emprego. "Se for assim, a dinâmica permanece boa para bancos".
Nas carteiras recomendadas para fevereiro, o Itaú é o que mais aparece entre os papéis do segmento. Está em seis de 11 portfólios, de acordo com levantamento do Broadcast Investimentos. Apenas o papel de Petrobras é mais citado que o do maior banco privado do País. A avaliação de analistas é que o banco tem o nível de inadimplência mais controlado entre os pares.
Em relatório, o BTG Pactual destaca o Itaú como Top Pick do setor financeiro. Para os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura, o Itaú teve um ano muito forte em 2024, um balanço robusto e está em sua melhor forma em termos de carteira de crédito, qualidade dos ativos, exposição, risco, capital, entre outros. "Se o mercado melhorar, ele pode rapidamente colocar o pé no acelerador. E se o mercado piorar, acreditamos que está bem posicionado para defender seus resultados e lucratividade com uma grande margem de segurança", afirma o BTG em relatório.
Já o Santander chamou atenção por figurar em duas carteiras sugeridas para fevereiro. Pelo menos desde outubro de 2023 o papel não estava presente nas recomendações. O BB Investimentos aponta em relatório que o banco tem preços descontados, diante de "um conjunto de resultados que vem se mostrando mais salutar trimestre a trimestre". O resultado do banco de origem espanhola no trimestre passado foi o melhor em três anos, sob o ponto de vista de lucro.
Após a divulgação de resultados do Santander, o Goldman Sachs elevou a recomendação dos papéis para neutra, ante a classificação anterior de venda. Apesar da mudança, a casa pondera em relatório que o banco está mais exposto que concorrentes a linhas de financiamento de consumo, que podem sofrer mais em 2025.
O Bradesco se encontra em situação mais desafiadora. As estimativas apresentadas pelo banco após o balanço do quarto trimestre de 2024 trouxeram visões negativas para o mercado. Pesa ainda que o banco tem acelerado despesas com o fechamento de agências, o que limita o ganho de rentabilidade no curto prazo. Nesta semana, o Goldman Sachs rebaixou sua recomendação de compra para venda para a ação.
No entanto, vale observar que a ação está negociando a um preço aquém do valor patrimonial, aponta Batista, do UBS BB. A casa tem recomendação de compra para o Bradesco.
No ano de 2024, os três maiores bancos privados do País - Itaú, Bradesco e Santander - apresentaram lucro líquido de R$ 74,8 bilhões, um crescimento de 22,1% em relação a 2023. Os resultados foram alavancados pela expansão no crédito, mas esta vertical de negócios deve ter outro comportamento em 2025. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) estimou que o crédito deve crescer 9% este ano, uma desaceleração ante 10,9% de 2024.
Com piora nas projeções para os rumos da economia, os bancos informaram expectativas mais conservadoras para os próximos meses. A expectativa de desaceleração já faz o banco ficar mais conservador, aponta Batista. "Quando ele acha que a economia vai arrefecer, ele já fica mais conservador na concessão de crédito." Na visão dele, Santander e Bradesco tendem a sofrer mais que Itaú no cenário de Selic alta.

