Seleção Brasileira pode ser a primeira a zerar emissões de carbono: entenda
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
03/07/2026 às 11:37
Por Gustavo Boldrini e Marianna Gualter, da Broadcast
São Paulo, 03/07/2026 - Além de ser a única pentacampeã mundial, a Seleção Brasileira pode se tornar a primeira da história a zerar seu balanço de emissões de gases de efeito estufa na Copa do Mundo que está sendo disputada na América do Norte, por meio de créditos de carbono fornecidos pela Caixa Econômica Federal.
A seguir, entenda como isso funciona e saiba mais sobre esse mercado:
Como funciona a Seleção Carbono Neutra?
Zerar as emissões da Seleção é o objetivo da estratégia Seleção Carbono Neutra, fruto de uma parceria entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Instituto Climático von Bohlen Halbach (IVBH), parceiro oficial e exclusivo da CBF para a agenda de enfrentamento às mudanças do clima.
O instituto está adquirindo créditos de carbono da Caixa para a compensação das emissões residuais geradas pelo time durante sua estadia nos Estados Unidos para a disputa do Mundial de 2026. Com isso, há uma compensação das emissões.
Os créditos serão gerados por meio da redução de emissões de gases de efeito estufa na Central de Tratamento de Resíduos do Rio, localizada em Seropédica (RJ), cujo projeto gerido pela Regenera Rio é integrante do Programa de Atividades (PoA) Caixa.
Explicando de uma forma didática, a redução da emissão de carbono na estação de tratamento de esgoto de Seropédica é transformada em um crédito em dinheiro. Esse crédito é comprado pelo IVBH para compensar as emissões geradas pelas atividades da CBF na Copa.
O que é o mercado de créditos de carbono?
O mercado de créditos de carbono é um sistema criado para reduzir as emissões de gases de efeito estufa por meio de incentivos financeiros a empresas e governos. A medida para negociações é a tonelada de dióxido de carbono equivalente, ou seja, cada crédito de carbono corresponde a 1 tCO2 que deixou de ser emitida na atmosfera ou que foi eliminada.
Nesse mercado, estão à venda créditos de carbono excedentes das empresas ou governos que cumprem suas metas de redução de poluentes, e quem compra são os que emitem CO2 a mais do que deveriam e, por isso, precisam dos créditos para equilibrar seu compromisso ambiental.
Quando surgiu o mercado de créditos de carbono?
O mercado de créditos de carbono teve origem no âmbito do Protocolo de Kyoto, no Japão, em 1997, um acordo para os países industrializados reduzirem em média 5% das emissões de gases de efeito estufa.
Quais são os tipos de mercado de créditos de carbono?
O mercado de créditos de carbono se divide em dois tipos:
O mercado regulado, que é estipulado por governos com metas obrigatórias para setores que mais poluem, obrigando-os a comprar créditos e possibilitando a venda de créditos excedentes por parte daqueles que poluem menos.
O mercado voluntário, no qual empresas e indivíduos compram créditos por livre e espontânea vontade, geralmente para atingir metas internas de sustentabilidade (ESG) ou para neutralizar o impacto ambiental de suas operações - é o caso do projeto Seleção Carbono Neutra.
Onde se negociam os créditos de carbono?
Já existe a possibilidade de negociar créditos de carbono em grandes bolsas mundiais, como a ICE (Intercontinental Exchange), sediada em Londres, e a EEX (European Energy Exchange), em Leipzig, na Alemanha. Nelas, os créditos funcionam quase como commodities e são operados por grandes investidores institucionais, fundos e empresas.
Para o mercado voluntário, as empresas e entidades se utilizam de diversas ferramentas. No Brasil, existem iniciativas do Banco do Brasil, do BNDES e da Caixa para a negociação de créditos voluntários.
- Também existem os famosos CBIOs, créditos de carbono emitidos por produtores de biocombustíveis no âmbito do programa RenovaBio que são negociados na B3 - essa é hoje a principal via formal de negociação de créditos no país.
Pessoa física pode investir em créditos de carbono?
O investidor pessoa física pode comprar créditos de carbono no mercado voluntário. Uma das maneiras de expor o portfólio é através de fundos negociados em bolsa (ETFs) listados em Nova York. Alguns exemplos são os ETFs KRBN, KEUA, KCCA e GRN.
- Para quem quer comprar diretamente créditos de carbono, dá para buscar plataformas online de compensação de carbono, mas é um mercado pouco acessível para a pessoa física.
Na Bolsa brasileira, uma opção possível é investir em empresas que possuem políticas de redução de emissões de gases do efeito estufa, como os ETFs ECOO11 e ISUS2, que seguem o índice ICO2 da B3, formado por companhias que possuem eficiência na gestão de emissões de GEE.

