A Sabesp divulgou seu resultado referente ao 4T23 e 2023 ontem (21/3) após o fechamento do mercado, mostrando mais um bom trimestre sensibilizado pelas melhorias implementadas pela gestão que assumiu a companhia no início de 2023. Apesar do forte desempenho operacional, parcialmente ofuscado por maiores despesas financeiras, após a alta de aproximadamente 30% desde a nossa recomendação de compra em novembro de 2023, optamos, neste momento, pela revisão da nossa recomendação para neutra.
A receita líquida, excluindo a receita de construção, somou R$ 5,4 bilhões no 4T23 (+22,5% a/a), com crescimento de volume faturado total de 4,6% no 4T23 e efeito dos reajustes tarifários de maio de 2022 (+12,8%) e maio de 2023 (+9,6%). Em 2023, a receita ex-construção somou R$ 20 bilhões, alta de 16% na comparação anual, com crescimento de 3,0% no volume faturado total e melhor mix de consumo com maior participação da categoria não residencial, que possui tarifas maiores.
Os custos e despesas operacionais excluindo depreciação e custos de construção somaram R$ 2,46 bilhões no 4T23, em queda de 10% na comparação anual, com destaque para a redução nas linhas de pessoal, materiais gerais e de tratamento e PCLD. Em 2023, o total de custos e despesas ex-depreciação e construção somou R$ 10,8 bilhões, alta de 7,3% a/a, avançando em ritmo bem inferior ao da receita, mesmo considerando o custo não recorrente relacionado ao PDVI no 2T23 de R$ 530 milhões, que levou o custo de pessoal a crescer mais que a receita no ano, mas que reduziu essa linha de custos já a partir do 3T23. Os custos com materiais e com PCLD beneficiaram o resultado tanto no 4T23 quanto em 2023, sendo o primeiro favorecido por queda de preços de produtos químicos importados e por melhor hidrologia, disponibilizando água de melhor qualidade e reduzindo a necessidade do uso de produtos de tratamento de água e o segundo colhendo frutos da intensificação das ações de cobrança e dos feirões de renegociação ocorridos no 2S23.
Assim, o EBITDA somou R$ 2,9 bilhões no 4T23, alta de 70% na comparação anual, correspondendo à margem EBITDA de 54,3% (sobre a receita ex-construção), ganhando 126 bps de margem na comparação anual. Em 2023, o EBITDA somou R$ 9,1 bilhões (+28,8% a/a) com margem EBITDA de 45,7%.
O resultado financeiro prejudicou a comparação anual principalmente porque a base comparativa conta com variações monetárias e cambiais positivas em montante relevante em 2022 (R$ 513 milhões) e veio ligeiramente negativa em 2023 (R$ -23 milhões). Houve também aumento da dívida bruta com novas captações de dívida e aumento de juros em empréstimos contraídos no exterior indexados a taxas de juros internacionais, além de aumento em juros sobre PPPs. O resultado financeiro líquido somou –R$ 890 milhões no 4T23 ante –R$ 507 milhões no 4T22 e somou –R$ 1.588 milhões em 2023 ante –R$ 372 milhões reportados em 2022.
O lucro líquido do 4T23 veio em R$ 1,1 bilhão, em forte alta de 85% na comparação anual sem impacto relevante do resultado financeiro sobre o excelente desempenho operacional. Já em 2023 o lucro acumulado somou R$ 3,5 bilhões, em alta mais modesta na comparação anual (+12,9%), com o custo associado ao PDVI do 2T23 e o crescimento das despesas financeiras anulando parcialmente o incremento operacional.
O resultado de 2023 mostrou bom avanço no desempenho operacional da companhia, favorecidos pelo bom momento do setor e pelo bom trabalho da nova gestão ao longo de 2023, porém já incorporados em nossa atualização de modelo de novembro de 2023. Após a valorização de 30% desde nossa recomendação de compra para os papéis, levando sua cotação a superar nosso preço alvo, reduzimos nossa recomendação para Neutra neste momento.
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