Sabesp (SBSP3) 2T26: custos avançam mais que receita e pressiona margens, negativo.
BB analisa resultado do 2o TRI 26 da Sabesp.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
13/08/2026 às 14:08
A Sabesp divulgou ontem (12/8), após o fechamento do mercado, seu resultado referente ao 2T26, com forte avanço de custos e despesas, em ritmo bem superior à receita, que também sofreu algum impacto da restrição hídrica em andamento. A margem EBITDA ficou abaixo dos 60%, após superá-lo por dois trimestres.

A receita líquida excluindo receita de construção e variação do ativo financeiro veio em R$ 6,6 bilhões (+13,4% a/a), beneficiada principalmente pelo reajuste tarifário de 9,9% a partir de janeiro, mas também com algum crescimento de volume faturado no varejo residencial compensando menor volume comercial e industrial, que também constituíram um mix tarifário pior na comparação anual com maior percentual de clientes com tarifas menores. Houve também a contribuição de receita de energia com o início da consolidação da EMAE de R$ 174 milhões no 2T26. No 6M26, a receita líquida ex-construção foi R$ 12,9 bilhões (+10,9% a/a).
O total de custos e despesas operacionais excluindo depreciação e construção veio em R$ 2,7 bilhões no 2T26 (+40,4% a/a), representando forte avanço na comparação trimestral e anual, sofrendo pressão em diferentes linhas e somou R$ 4,9 bilhões no 6M26 (+14,3% a/a). O aumento de custos e despesas se deu também em função do início da consolidação do resultado da EMAE, além de maiores despesas relacionadas à melhoria no atendimento ao cliente, base comparativa fraca na linha de despesas gerais que contou com crédito não recorrente no 2T25 e pressão inflacionária sobre materiais de tratamento decorrentes do contexto geopolítico. Ressaltamos que as provisões para crédito de liquidação duvidosa apresentaram queda no 2T26 na comparação anual mas vieram substancialmente maiores que o reportado nos últimos três trimestres e em linha com o que consideramos sustentável e recorrente no longo prazo.
O avanço dos custos em ritmo superior à receita associado impediram o crescimento do EBITDA no 2T26 e avanço inferior à receita no 6M26 na comparação anual. O EBITDA do 2T26 ficou em R$ 3,9 bilhões (+0,1% a/a) e R$ 7,9 bilhões no 6M26 (+9,0% a/a). E houve perda de margem EBITDA nos dois períodos na comparação anual, vindo em 59% no 2T26 (-7,8 p.p. a/a) e em 61,7% no 6M26 (- 3,3 p.p. a/a).
O resultado financeiro continua a ser impactado pelo maior endividamento decorrente da expansão dos investimentos rumo à universalização e também pelo avanço de indexadores da dívida. O resultado financeiro líquido veio negativo em R$ 1 bilhão no 2T26 (ante –R$ 118 milhões no 2T25) e somou R$ 2 bilhões negativos no 6M26 (+187% a/a). Houve também impacto de variação cambial negativa neste primeiro semestre de 2026, enquanto em 2025 houveram variações cambiais positivas.
O lucro líquido ficou em R$ 1,4 bilhão no 2T26, queda de 32% em relação ao 2T25, e acumula R$ 3,2 bilhões no 6M26, queda de 11,6% na comparação anual.

As ações da companhia vêm sofrendo queda nas últimas semanas, já pressionadas por expectativa negativa acerca dos resultados deste trimestre. Em nossa visão, parte dos custos apresentados agora são mais próximos do que consideramos sustentável e recorrente, porém parte é pontual e deve retomar para patamares menores e/ou serem repassadas para as tarifas no ano que vem. Continuamos considerando ainda incerto o patamar exato de margem EBITDA em que a companhia deve se estabilizar no longo prazo. No entanto este resultado pode alterar premissas otimistas de parte do mercado e continuar a pressionar as ações. Por ora, mantemos nossa recomendação de venda.

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