Sanepar (SAPR11) 2T26: provisão adicional referente aos precatórios polui trimestre; negativo.
BB analisa resultados do 2o TRI 26.
Publicado por: Análise BB
3 minutos
Atualizado em
14/08/2026 às 12:55
A Sanepar divulgou ontem (13/8), após o fechamento de mercado, seu resultado referente ao 2T26, sob impacto de provisões que somam quase R$ 1 bilhão referentes a decisão regulatória de repasse de 100% dos valores recebidos com precatórios aos consumidores, levando o trimestre a contabilizar prejuízo. Apesar do impacto contábil registrado, o desempenho operacional mostrou avanços com crescimento de receita estimulado pelos investimentos e reajuste tarifário recentes e despesas sob controle.
A receita líquida do 2T26 veio em R$ 1,9 bilhão, alta de 11,5% a/a, favorecida pela revisão tarifária que elevou as tarifas médias em 3,77% em maio de 2025 e pelo reajuste anual de 2,5% a partir de maio de 2026, bem como pela alta dos volumes faturados de água (+4,9% a/a) e esgoto (+5,8% a/a) que tem avançado nos últimos trimestres com investimentos em ritmo mais forte. No 6M26 a receita somou R$ 3,8 bilhões (+9,6% a/a).
Os custos e despesas operacionais totais, excluindo depreciação e amortização, somaram R$ 1,3 bilhão no 2T26 (+16,4% a/a) sendo R$ 259 milhões correspondentes a provisão relacionada ao precatório. Excluindo essa provisão, os custos e despesas totais permaneceram em linha com o reportado nos últimos trimestres porém com dinâmica diversa entre as linhas. As despesas com pessoal evoluem em ritmo inferior à receita mesmo com aumento de quadro de funcionários recém empossados ainda colhendo frutos do último PDV e os custos com materiais mostraram estabilidade contribuindo com o resultado. Por outro lado, despesas com serviços de terceiros e energia elétrica cresceram em ritmo superior à receita, enquanto as despesas com provisões para créditos duvidosos apresentaram queda na comparação anual devido a forte base comparativa que havia contabilizado registro complementar de contas vencidas parceladas no 2T25.
No 6M26 o total de custos e despesas ex-D&A somaram R$ 2,4 bilhões, alta de 32,5% sobre o mesmo período do ano passado ou 18,6% excluindo o valor da provisão neste trimestre. Ressaltamos ainda que a base comparativa semestral contou com reconhecimento de receita dos precatórios e despesas com plano de demissão voluntária além de perdas na realização de crédito prejudicando a comparação anual.
Assim, o avanço da receita foi anulado pela disparada dos custos e despesas incluindo o impacto da provisão referente ao precatório e impediu o crescimento do EBITDA que ficou em R$ 540,3 milhões no 2T26 (+0,8% a/a), em linha com o reportado um ano antes, e margem EBITDA de 28,4% (-3 p.p. a/a). No 6M26 o EBITDA somou R$ 1,3 bilhão (-16,2% a/a), com forte queda da margem que ficou em 36% (-10 p.p. a/a) devido a forte base comparativa de 2025.

O resultado financeiro também sofreu impacto da decisão regulatória, com a linha de provisão de passivo sendo responsável por praticamente todo o resultado financeiro líquido do 2T26, tendo as demais receitas e despesas financeiras se anulado. O resultado financeiro líquido veio negativo em R$ 649,4 milhões no 2T26 (+259% a/a) e em –R$ 721,9 milhões no 6M26, ante resultado ligeiramente positivo no 6M25, o que também prejudica a comparação anual.
A última linha portanto trouxe prejuízo de R$ 505,2 milhões no 2T26, ante o lucro reportado de R$ 263,8 milhões um ano antes. No 6M26, o acumulado também ficou no negativo, com prejuízo apurado de R$ 152,5 milhões.

Desempenho da ação
Após forte alta em 2025 e início de 2026 beneficiada pelo recebimento dos precatórios e por bom desempenho operacional da companhia, as units da Sanepar iniciaram trajetória de queda ao final de fevereiro, corrigindo o preço que considerávamos esticado, devido às discussões regulatórias sobre o tratamento dos recursos recebidos dos precatórios. A definição que impactou o resultado deste trimestre acabou vindo pior do que esperávamos, mas ainda acreditamos que a companhia possa reaver seu direito aos 25% sobre esses recursos, o que consideramos em nossa avaliação atualmente. Considerando que a correção no preço das ações o trouxe para patamar inferior ao nosso preço alvo, elevamos nossa recomendação de Venda para Neutra.

Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.


