São Martinho (SMTO3) | 1T26*: rentabilidade deve seguir prejudicada com menores volumes e preços de açúcar; investimento em expansão traz vantagens, mas eleva risco
Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos, analisa os resultados do 1T26 da São Martinho.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
13/08/2025 às 11:40
A São Martinho apresentou um resultado misto no 1T26, com EBITDA ajustado de R$ 805 milhões (+19,7% a/a), com dados mais favoráveis vindo do segmento de etanol, que registrou avanço em volumes e preços, contraposto por uma piora nos resultados com açúcar e um operacional mais fraco, marcado por desafios climáticos do início do ano, que prejudicaram a produção de ATR. A operação de etanol de milho foi um destaque positivo, assim como o anúncio que acompanhou o resultado, da aprovação da segunda fase do projeto de etanol de milho, que deve adicionar uma capacidade de 270 mil m3 de etano por ano, com investimento previsto em R$ 1,1 bilhão. De modo geral, persistiu a dinâmica observada no trimestre anterior, de menores volumes prejudicando a diluição de custos fixos, mantendo a rentabilidade prejudicada.
Destaques financeiros.
No 1T26, a receita líquida atingiu R$ 1,9 bilhão, +12% a/a, sustentada por melhores preços (+16,3% a/a) e volumes (+30,1% a/a) de etanol, além da contribuição positiva do etanol de milho, que cresceu 11,6% a/a no período. Já o açúcar teve queda de 12% a/a na receita, refletindo a redução de 8,2% a/a nos preços e -4,1% a/a nos volumes. Na operação de etanol de milho, vimos um avanço de 12% na produção, bem como maiores receitas advindas de DDGS e óleo de milho, que apresentaram uma receita combinada de R$ 54,2 milhões, +49% ante o 1T25. O capex total para o ano safra 2025/26 foi revisado para R$ 3 bilhões, aumento de 29% sobre o guidance anterior, com a inclusão de investimentos focados na expansão do etanol de milho e na aquisição de ativos da Usina Santa Elisa (R$ 242 milhões). O lucro caixa ficou em R$ 157 milhões (+11,8% a/a).
Destaques operacionais.
O processamento de cana-de-açúcar do trimestre foi de 8,2 milhões de toneladas, redução de 7,6% a/a, impactada pela menor produtividade (-11,7% a/a), afetada pelo déficit hídrico em fevereiro e março. A produção de açúcar caiu 11,3% a/a, enquanto o etanol de cana declinou 13,1% no mesmo período, parcialmente compensado pelo maior processamento de milho (+11,6% a/a). No total, foram produzidas 1.097,4 mil toneladas de ATR (-10,9% a/a), com retração de 5,5% no ATR médio, refletindo os impactos climáticos ocorrido no período de maturação dos canaviais.

Expansão da planta de etanol de milho.
O novo projeto será na Unidade Boa Vista (Quirinópolis, GO), e tem um investimento estimado em R$ 1,1 bilhão, com adição de capacidade para processar 635 mil toneladas de milho por ano, além de DDGS e óleo de milho. A operação é prevista para iniciar em 2027, com plena capacidade na safra 2029/30. O projeto conta com dois elementos de forte atratividade: além do etanol de milho estar proporcionando maiores retornos do que o de cana (custo do milho e industrial mais baixo), deve contar com financiamento principal via BNDES e FINEP, com condições favoráveis (12 anos de prazo, com 2 de carência).
Essa expansão deve elevar a capacidade total para 1,15 milhão de toneladas de milho processado por safra, o que representa um avanço relevante em escala, diluindo custos fixos. Em nosso entendimento, a estratégia de diversificação, especialmente no etanol de milho, mas também em energia elétrica, reforça a perspectiva de sustentação de resultados, mas uma recuperação mais robusta está ligada à normalização das condições agrícolas e também depende de uma queda no patamar de alavancagem, já que o aumento do capex está ligado a projetos bastante rentáveis, mas o momento requer atenção aos custos operacionais e à execução dos projetos dentro dos custos estimados.
Desempenho da Ação.
A São Martinho cai 27% em 2025, menos do que pares do setor: Raízen declina 45% no mesmo período, e Jalles -33%, respondendo ao contexto de menores preços de açúcar associados aos maiores custos agrícolas, bem como uma maior necessidade de investimento (renovação do canavial para compensar desafios climáticos, bem como maiores gastos com capital de giro). Entendemos que os atuais patamares de preços das ações parecem indicar um pessimismo excessivamente prolongado, ignorando potenciais gatilhos de alta como a maior demanda por etanol no mercado doméstico e o retorno dos preços de açúcar a um patamar mais normalizado, após a sequência de baixas que refletem a maior produção global, sugerindo um patamar de valuation atrativo para a companhia, mesmo que o timing de recuperação do setor possa ser maior do que o esperado pelo consenso.

SMTO3 vs IBOV



