Santander (SANB11) vai sair da Bolsa? Entenda efeitos da OPA anunciada pelo banco
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
31/07/2026 às 14:28
Por Soraia Budaibes e Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 31/07/2026 - O Santander Brasil (SANB11) anunciou nesta quinta-feira o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA), na qual a matriz espanhola do banco pretende comprar as ações em circulação no mercado que estão nas mãos de acionistas minoritários.
Isso significa que as ações do Santander deixarão de negociar na B3? Entenda, a seguir, os possíveis desdobramentos da operação anunciada pelo banco, e como ficam os acionistas:
O Santander vai sair da Bolsa?
Em comunicado, a instituição financeira afirmou que, por enquanto, não deixará de negociar suas ações na B3. O que pode acontecer é se retirar da Bolsa de Nova York, onde negocia recibos de ações conhecidos como American Depositary Shares (ADS).
No entanto, após a OPA, é provável que se reduza bastante o número de ações do Santander em circulação na B3, o que a tornaria um papel de baixa liquidez. Na prática, portanto, a OPA poderá levar futuramente a uma deslistagem do banco.
Como será a OPA do Santander?
Na prática, a oferta pública de aquisição significa a compra de papéis em circulação no mercado por parte do controlador de uma companhia de capital aberto. No caso do Santander, a matriz espanhola do banco buscará adquirir todas as ações da unidade brasileira listadas na B3, além de ADSs e ADRs listados em Nova York, que ainda não pertencem a ela.
Segundo comunicado, a oferta será voluntária e não dependerá de uma condição mínima de aceitação. Ou seja, o tamanho da OPA dependerá da adesão voluntária dos acionistas do banco.
Para convencer os investidores, o Santander oferecerá um prêmio de 15% sobre o valor dos papéis, baseado no preço de fechamento em 30 de julho - ou seja, R$ 25,25 para cada Unit do Santander Brasil (formada por uma ação ordinária e uma preferencial).
A matriz do Santander na Espanha informou que a OPA deve envolver no máximo cerca de 1,908 bilhão de euros - ou seja, esse seria o valor que o banco desembolsaria em ações se todos os minoritários aceitarem.
Por que o Santander vai fazer uma OPA?
O anúncio da OPA ocorreu um dia após o Santander Brasil divulgar seu balanço de segundo trimestre e ver sua unit SANB11 cair quase 8% no acumulado dos pregões dos dias 29 e 30.
Segundo Ana Botín, presidente executiva do Banco Santander, a operação "faz parte da nossa estratégia de alocar capital de forma disciplinada, simplificar o grupo e continuar reforçando o nosso compromisso com o Brasil a longo prazo".
Na prática, o Santander espera que a OPA reduza a liquidez dos papéis na Bolsa e possa elevar os lucros por ação em cerca de 0,5% a partir de 2028. O valor contábil tangível por ação, por sua vez, deve aumentar em aproximadamente 0,6%, segundo o banco.
O que acontece com os acionistas do Santander?
O investidor que possuir as units do Santander Brasil (SANB11), que são os papéis mais líquidos do banco na B3, e decidir participar da oferta, vai receber 0,4056 BDRs do Santander Brasil listados em Nova York ou ADSs do Santander da Espanha.
Já o investidor que tiver ações preferenciais (SANB4) e ordinárias (SANB3) recebe 0,2028 das ações da matriz espanhola.
Para viabilizar a transação, o Santander pode emitir até 156 milhões de ações novas na Espanha. Isso equivale a 1,1% do seu capital social.
Como o mercado reagiu à OPA do Santander?
A decisão, na visão do consenso dos analistas ouvidos pela Broadcast , vem na esteira do fraco desempenho do segundo trimestre do Santander, reportado na quarta-feira.
A OPA pode sustentar alta das units do Santander na B3, com o papel convergindo ao preço ofertado - ou seja, se aproximando do prêmio de 15% em relação ao fechamento de ontem. Perto das 14h (de Brasília), a unit do Santander Brasil operava em forte alta de 13,39%, a R$ 28,63.
Para Eduardo Nishio, da Genial Investimentos, o anúncio era esperado e "faz sentido" diante do cenário recente para a operação no Brasil, considerando o fraco desempenho do segundo trimestre.
Segundo Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, o lançamento da OPA parece mais favorável ao controlador do que ao minoritário.
Análise semelhante é feita por Pedro Ávila, analista de bancos da Varos Research. "Com esta OPA, o controlador paga barato por um ativo com potencial de ganho e também mostra para o mercado que confia na recuperação do banco", diz.
(Colaboraram Amélia Alves, Mateus Fagundes e Vinícius Novais)

