Renda fixa e crédito privado: relatório mensal (06/2026)
O BB-BI analisa os principais indicadores que impactam as decisões de investimento em renda fixa e crédito privado.
Publicado por: Análise BB
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Atualizado em
02/06/2026 às 15:58
Panorama de Renda Fixa e Crédito Privado
Em maio, os mercados globais seguiram marcados por maior aversão a risco, com destaque para a forte volatilidade dos Treasuries em meio à combinação de inflação resiliente nos EUA, preocupações fiscais e tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento foi mais intenso nos vértices longos da curva americana, com o rendimento do Treasury de 30 anos voltando a superar 5% ao longo do mês, refletindo a percepção de que o Federal Reserve deve manter uma postura cautelosa por mais tempo, mesmo diante de sinais pontuais de moderação da atividade.
No Brasil, o mês foi marcado pela deterioração das expectativas de inflação, influenciada principalmente pela alta do petróleo e pelo risco de repasses para combustíveis, fretes e preços administrados. O Boletim Focus passou a projetar inflação acima de 5% para 2026, reforçando a cautela em relação ao ritmo de flexibilização monetária. Nesse contexto, a curva doméstica apresentou maior pressão nos vértices intermediários e longos, enquanto os prazos curtos seguiram condicionados à expectativa de novos cortes graduais da Selic. No entanto, o mercado passou a precificar um ciclo de queda mais lento, diante da inflação acima da meta, da resiliência dos serviços e do ambiente externo mais incerto, de modo que a curva DI futuro com vencimentos em dez/27, dez/28 e dez/29 encerrou o mês com taxas próximas a 14% a.a., bem acima da mediana das projeções do mercado, de acordo com o Boletim Focus mais recente.
No mercado primário, o volume de ofertas de renda fixa avançou 15% em abril na comparação anual, mas recuou de forma relevante em relação a março (-18%), refletindo uma postura mais defensiva dos emissores diante da maior assimetria de riscos - conforme pontuamos no relatório anterior - e da elevação dos spreads de crédito. Na média, os prêmios de risco das debêntures indexadas ao IPCA permaneceram próximos de 50 bps em maio, com sinais de acomodação após o movimento de abertura iniciado em meados de março. Esse ajuste foi intensificado pelos pedidos de recuperação extrajudicial de Raízen e GPA, que impulsionaram resgates relevantes em fundos de crédito e contribuíram para uma reprecificação mais generalizada dos spreads. Em paralelo, a redução das ofertas no mercado primário favoreceu uma atuação mais intensa no secundário, que registrou volume superior a R$ 125 bilhões em negócios em maio, contribuindo para a normalização gradual dos prêmios de risco, especialmente dos ativos indexados ao CDI (debêntures tradicionais).
Nesse contexto, a perspectiva para os ativos de renda fixa permanece construtiva, embora mais seletiva. Os juros ainda elevados seguem sustentando um carrego atrativo, enquanto os spreads atuais parecem mais interessantes do que no início do ano. Ainda assim, a diferenciação entre emissores tende a ganhar mais relevância, reforçando, em nossa visão, a preferência por companhias com perfil de crédito mais defensivo, fundamentos sólidos e maior previsibilidade de geração de caixa. Para saber quais são os papéis privados selecionados por nosso time para o mês de junho, acesse o relatório completo da Seleção BB-BI de Crédito Privado.

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