Prejuízo a um clique de distância: veja como não cair em golpes financeiros no ambiente digital
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
03/11/2025 às 13:35
Por Kayllani Lima Silva, especial para a Broadcast
O uso de canais digitais para realizar pagamentos, concluir investimentos ou mesmo checar a situação financeira tem, cada vez mais, ganhado espaço por aqui.
Segundo dados da edição 2025 da pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, enquanto em 2020, das 104,3 bilhões de transações realizadas, 65,7% delas foram por meio de aplicativos de celulares e/ou navegadores de internet, no ano passado o porcentual saltou para 81,5% sobre o volume total de 208 bilhões de movimentações.
Mas se de um lado o controle das finanças ficou mais fácil e na palma da mão, os golpes estão agora também "a um clique de distância" e a atenção precisa ser redobrada.
Na mesma pesquisa, por exemplo, a Febraban aponta que, apenas em 2024, 153 mil pessoas foram atingidas pelo "golpe do WhatsApp", no qual os fraudadores buscaram replicar as contas em aplicativos de conversa das vítimas para ter acesso a todo o histórico de contatos e pedir dinheiro.
O perito internacional em segurança cibernética, Wanderson Castilho, aponta que as redes sociais são os canais mais utilizados por criminosos que buscam tirar vantagens dos menos avisados. É o caso de perfis falsos de investimentos que são criados para atrair a população com promessas enganosas de ganhos acima da média.
Uma vez que o golpista chama a atenção do seu público-alvo, a interação migra para um tom pessoal, por meio de aplicativos de conversa, momento em que as vítimas são direcionadas para plataformas idealizadas para parecerem legítimas. "Então aquela vítima faz depósitos, vê saldos e movimentações aparentes, mas tudo não passa de uma ilusão criada para facilitar o golpe", aponta.
Mas, afinal, como saber que você pode estar sendo enganado?
O professor da Unicamp e membro do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), Gabriel Gomes de Oliveira, aponta que é fundamental estar atento aos canais oficiais das instituições que cuidam do seu dinheiro. "Vale alertar que os bancos não ligam pedindo senhas ou solicitam cliques em links por SMS ou e-mail", ressalta.
Já Castilho recomenda sempre manter a desconfiança para discursos atraentes e persuasivos, geralmente com a mesma mensagem: lucros altos e rápidos. De acordo com o especialista, exceto em esquemas criminosos de pirâmides financeiras, esse retorno muito acima das médias de mercado não existe. Na dúvida, deixa claro: "é melhor ficar na incerteza, mas com o dinheiro no bolso, do que ter certeza e acabar endividado".
"Se a pessoa não está segura e consciente do que está fazendo, especialmente quando recebe uma quantia maior do que está acostumada, acaba atraindo falsos consultores e especialistas prontos para oferecer ajuda", completa Castilho.
Quais erros evitar para não cair em golpes financeiros?
Embora a confiança em falsos especialistas seja um caminho para cair em fraudes, esse é apenas um dos erros recorrentes cometidos. O perito internacional em segurança cibernética chama atenção para outras atitudes, aparentemente inofensivas, que podem gerar prejuízos à segurança digital, como:
- Baixar aplicativos fora das plataformas oficiais, sem conhecer a origem dessas ferramentas;
- Clicar em links duvidosos;
- Acreditar em contatos de supostos representantes de instituições financeiras oferecendo ajuda para acessar aplicativos.
Wanderson Castilho ressalta ainda que a tendência em cair nas promessas de alto lucro tende a ser maior entre aquelas pessoas que se consideram mais experientes. Em geral, a vulnerabilidade começa na "falsa sensação de segurança" criada pelos golpistas. "Eles pagam os primeiros rendimentos para conquistar a confiança da vítima e, quando ela investe valores maiores, o golpe se concretiza", observa.
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"Saber o que fazer é tão importante quanto o que não fazer nessas suspeitas de golpes", explica o professor Gabriel Gomes, da Unicamp, que elenca algumas atitudes fundamentais para redobrar a segurança, inclusive em caso de roubo do aparelho celular:
- Mantenha a atualização de segurança de aplicativos de conversa em dois fatores;
- Não deixe e-mails de recuperação de senhas de bancos logados no seu celular;
- Desconfie de solicitações 'urgentes' de transferência financeira;
- Na dúvida, procure sempre os canais oficiais da sua instituição bancária.
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