A Petrobras reportou números mistos no 2T25, por um lado, mantendo o ritmo de crescimento na produção em E&P, o que atenuou a queda no preço do Brent no trimestre e, por outro, registrando menor geração de caixa e investimento acima do esperado, o que levou a um anúncio de dividendos menor do que o previsto pelo consenso de mercado, de US$ 1,6 bilhão, ante expectativa de US$ 2,2 bilhões. O EBITDA ajustado ficou em R$ 57,9 bilhões, -7% t/t, apesar da queda de 10% no preço do Brent e do aumento das despesas. Em nossa opinião, o destaque positivo foi a redução nos custos de extração (lifting cost), em especial no pré-sal (-13,9% t/t), devido a menores gastos com intervenções e logística, enquanto o destaque negativo foi o aumento do custo unitário de refino (+9,8% t/t).
A geração de caixa operacional ficou em R$ 42,4 bilhões (-14% t/t), enquanto o fluxo de caixa livre teve maior recuo, chegando a R$ 19,2 bilhões (-26% t/t), pressionado pela ausência de créditos PIS/Cofins do 1T25, bem como menor preço do Brent e maiores despesas operacionais (gastos com exportação e com a individualização do campo de Jubarte).
A companhia aprovou o pagamento de R$ 8,7 bilhões em dividendos referentes ao 2T25, o que equivale a R$ 0,67192409 por ação, a serem pagos em duas parcelas (21/11 e 22/12), com data de corte em 21/8. Para as ADRs, o pagamento será 01/12 e 30/12, com record date em 25/08/25.
Seguem no radar as preocupações de curto/médio prazo por conta do contexto global de guerra tarifária e impactos na demanda e preços de petróleo, bem como a aversão ao risco sobre esse setor quando aumenta a volatilidade no mercado de commodities (o petróleo tipo Brent declina 16% em 12 meses). Além disso, o recente anúncio de aumento na oferta pela Opep+ e a previsão de superavit para o segundo semestre devem manter a pressão baixista na commodity.
De modo geral, os investimentos realizados pela Petrobras para sustentar baixos custos no pré-sal, com elevados volumes, associados a uma boa disciplina de capital, serão fundamentais para atravessar o atual cenário. A companhia deve ter que fazer escolhas delicadas em seu próximo plano de negócios, já que o momento atual de commodity pressionada pode conflitar com as elevadas expectativas que o mercado tem em relação a dividendos e baixa alavancagem, junto a um robusto plano operacional, que requer elevados investimentos para a continuidade do crescimento em E&P, aumento da oferta de derivados e expansão da atuação em renováveis. Mantemos nosso olhar otimista sobre a companhia para o longo prazo, com preço-alvo de R$ 45,00 para 2026 e recomendação neutra, em linha com o momento atual de petróleo em baixa.
Resultados por segmento:
Exploração e Produção (E&P): A receita líquida atingiu R$ 81,6 bilhões, -7,4% t/t, consequência do menor preço do Brent. O lucro operacional caiu 23,8%, impactado por despesas com o acordo de Individualização da Produção (AIP) de Jubarte. No entanto, o aumento da produção de 5% t/t, com o ramp up do FPSO Alexandre de Gusmão, atenuou esse impacto. O destaque positivo foi a queda de 12,3% t/t no lifting cost (custo de extração), para US$ 5,96/boe, beneficiado por ganhos de eficiência operacional e menores gastos logísticos e de manutenção. No segmento de Refino, Transporte e Comercialização (RTC), a receita foi de R$ 112,1 bilhões (-4% t/t), pressionada pela queda nos preços dos derivados, mas teve como destaque negativo o menor lucro operacional (-31,2% t/t), para R$ 1,9 bilhão, devido ao aumento de 9,8% nos custos unitários de refino e maiores despesas com vendas (aumento das exportações). Um marco operacional relevante foi a entrada em operação da nova unidade de hidrotratamento de diesel (HDT) da REPLAN, que ampliou a produção de diesel S-10. Por fim, o segmento de Gás e Energias de Baixo Carbono apresentou desempenho positivo, com receita de R$ 12,3 bilhões (+13,4% t/t) e lucro operacional de R$ 681 milhões, revertendo prejuízo do trimestre anterior. O resultado foi impulsionado pelo aumento das vendas de gás natural, maior processamento de gás nacional via Rota 3 do pré-sal e redução nas importações.
Em resumo, vemos o 2T25 marcado pelo crescimento no segmento de E&P, com destaque para a queda nos custos de extração, mas com geração de caixa menor do que o previsto. Em refino, as margens se mantêm pressionadas e os custos em alta, com destaque para a utilização da capacidade instalada acima de 90% e investimentos que vêm aumentando a oferta, em especial da maior necessidade para o abastecimento doméstico, o diesel. Assim, se por um lado há preocupação com o aumento no ritmo de investimentos e seus impactos em distribuição de dividendos, por outro, a companhia segue entregando um operacional bastante expressivo justamento por conta desses investimentos.
Desempenho da Ação.
A PETR4 segue para trás na recente recuperação do Ibovespa, já que o papel cai 5,2% em 2025, ante uma alta de 13,5% do Ibovespa no mesmo período. Porém, em um prazo mais longo, a performance do papel é bastante positiva, subindo 48% em nos últimos dois anos, contra 15% do Ibovespa, refletindo a percepção do mercado de que a Petrobras vem entregando excelentes retornos em prazos mais longos, ainda que, em nosso entendimento, as atuais incertezas em relação à demanda e preços de petróleo devam seguir pressionando as cotações da companhia.