Petrobras (PETR4): Operacional robusto e potencial alta do petróleo reforçam oportunidade no setor; elevamos recomendação para Compra
Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, divulga atualização de recomendação para Petrobras.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
22/07/2026 às 10:19
O mercado de petróleo segue apresentando bastante volatilidade e mostrando diversos sinais de que a relação oferta e demanda poderá ficar fortemente desbalanceada novamente. O principal deles deriva do conflito entre os EUA e o Irã, cuja recente escalada, com trocas de ataques em instalações civis e militares no Oriente Médio, levou a uma quase completa paralização da navegação no Estreito de Ormuz novamente, restringindo a oferta da commodity, mas agora com novos agravantes: os Houthis, milícia apoiada pelo Irã no Yemen, anunciaram um bloqueio do Mar Vermelho à Arábia Saudita, o que coloca em ameaça um segundo trajeto de estrangulamento crítico, o estreito de Bab el Mandeb, ponto de trânsito de cerca de 12% do comércio global.
Nesse cenário, o petróleo tipo Brent voltou a subir e já acumula 27% de alta em relação à mínima de US$ 71,57/barril registrada no início de julho, após frágil acordo de paz estabelecido em meados de junho. Além disso, a relação crack spread 3-2-1 (indicador que mede a margem de lucro de uma refinaria de petróleo) disparou, superando, inclusive, o pico observado em março, à medida que os mercados de produtos refinados apresentam um aperto na oferta mais rápido do que o mercado de petróleo bruto. Um agravante a esse aperto na oferta vem da recente restrição da Rússia na exportação de diesel, que já obriga importadores brasileiros a diversificar a originação, após um longo período em que o produto russo tinha maior competitividade.
Em nosso entendimento, desde a retomada do agravamento dos conflitos, dois elementos vêm segurando as cotações de petróleo ainda em dois dígitos: (i) as reservas estratégicas de petróleo, liberadas por diversos países para alimentar suas demandas; (ii) a forte redução nas importações de petróleo pela China, que passou a consumir seus elevados níveis de estoques em detrimentos das importações após o início dos conflitos. No entanto, ainda que o consumo da reserva estratégica dos EUA (SPR, na sigla em inglês) tenha ajudado a conter grande parte do choque até este momento, o custo foi a redução de seu estoque em quase 99 milhões de barris desde fevereiro, para 316,5 milhões de barris, o menor nível de estoques estratégicos desde 1984. Assim, considerando que tal ritmo de liberações de reserva pode não ser sustentável caso as hostilidades persistam, entendemos que o mercado deve ficar praticamente sem margem de manobra, o que pode resultar em preços sequencialmente elevados caso ocorra um cenário de extensão dos conflitos.

Nesse contexto, nosso viés de cautela de curto prazo em relação à Petrobras, por conta de uma previsão de sobreoferta de petróleo no início deste ano, merece ser revisado, de modo a capturar essa mudança no cenário.
A tese de investimento na companhia é fundamentada em três principais pilares: (i) o pré-sal possui um dos menores custos de extração (lifting cost) do mundo (~US$ 6/barril), o que mitiga riscos mesmo em um cenário de preços de petróleo mais baixos, ao mesmo tempo em que traz um potencial de valorização expressivo quando os preços disparam, como as dinâmicas atualmente observadas no mercado; (ii) as perspectivas de crescimento da produção, sustentadas pela entrada em operação de novas plataformas no pré‑sal (que já representa 80% da produção total da companhia), especialmente em Búzios e Mero.; e (iii) o FCF Yield (retorno sobre o Fluxo de Caixa) anualizado, atualmente em ~14%, segue bastante acima de pares globais integrados, que têm yields na faixa de um dígito alto.
Como um complemento a essa tese, a mais recente re-escalada das tensões no Oriente Médio, com o tráfego no Estreito de Ormuz retornando a níveis mínimos, além do bloqueio Houthi à Arábia Saudita dos embarques no Mar Vermelho, ameaçando mais 7% da oferta global, vemos condições formadas para que os preços do petróleo permaneçam ancorados em um piso estrutural por um tempo maior do que o previsto, algo que beneficia a atuação da Petrobras enquanto produtora de baixo custo sem exposição direta à zona de conflito. Corrobora para a análise os** múltiplos negociados**: o P/L projetado está em de 4,2x e o EV/EBITDA em 3,1x, sugerindo que, apesar dos riscos abaixo detalhados, existe uma margem para forte avanço do papel caso o cenário favorável para preços de petróleo se intensifique.
No entanto, vale mencionar três riscos que exigem monitoramento e podem comprometer a tese: (i) uma possível deterioração do ROIC da companhia nos próximos períodos, caso a trajetória dos investimentos (capex) avance sem a respectiva geração de caixa, sendo essa relação fundamental para o equilíbrio de longo prazo em termos de retorno; (ii) eventuais novas mudanças na política de preços, considerando que o modelo atual, por ora, tem contribuído para reduzir a transmissão da volatilidade dos preços internacionais do petróleo ao mercado doméstico de combustíveis. Também cabe apontar que essa dinâmica mencionada, de maiores preços de petróleo, também tem sido em grande medida um fator de risco para os mercados globais de equity, já que a maior pressão inflacionária global que dela decorre pode levar a uma postura de elevação de juros pelos bancos centrais, o que poderia elevar substancialmente o custo de capital das companhias e gerar um movimento de reprecificação dos ativos, em especial dado o elevado nível de valuation no mercado norte-americano.
Em suma, ainda que a companhia deva seguir conservadora no repasse da volatilidade para o mercado doméstico, em meio a uma necessidade de importação de cerca de 30% do diesel e de 10% da gasolina consumidos no país, a tese de investimento segue amparada por fundamentos robustos. Além disso, assim como já observado ao longo do 1S26, a ação deve se beneficiar da persistência do risco geopolítico, que parece ter criado um novo e mais elevado patamar de preços para a commodity, motivo que corrobora nossa mudança de recomendação de PETR4 para Compra (antes Neutra). Por ora, mantemos o preço-alvo de R$ 45,00 para PETR3 e PETR4. A próxima atualização será realizada após a incorporação dos resultados do 1S26, já contemplando nossa projeção para o final de 2027.
PETR3 vs PETR4 vs IBOV

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