Petrobras (PETR4) 2T26: bom momento operacional e preços mais altos de petróleo garantem resultado expressivo; divulgando novo preço alvo de R$ 55,00 para 2027
Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, analisa os resultados da Petrobras no 2o trimestre 2026
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
07/08/2026 às 11:36
A Petrobras reportou um 2T26 expressivo, acima das expectativas em praticamente todas as linhas operacionais e financeiras, sinalizando que conseguiu capturar margens favoráveis e contou com receitas remanescentes do 1T26, com parte das exportações em trânsito e dos efeitos da alta do petróleo. O petróleo tipo Brent teve um preço médio de venda de US$ 104,5/barril (+29,7% t/t), com elevação dos volumes exportados e forte execução operacional, como apontamos em nosso relatório de produção e vendas. Assim, o EBITDA ajustado (sem eventos exclusivos) atingiu R$ 100,6 bilhões, alta de 63,2% t/t e 73,8% a/a, com lucro líquido de R$ 55,8 bilhões, crescimento de 134,2% t/t e 140,5% a/a, proporcionando uma distribuição de dividendos de R$ 1,3481 por ação.
Os resultados foram impulsionados pelo avanço operacional no segmento de E&P, com a produção total alcançando novos recordes após crescimento de 3,4% em relação ao 1T26, dado o ramp up dos sistemas do pré-sal e entrada em operação da P‑79 em Búzios. O destaque do segmento de E&P foi a forte margem EBITDA de 70%, além da redução do lifting cost (custo de extração, para US$ 6,33/boe), refletindo maior participação do pré-sal e diluição de custos fixos com o aumento da produção.
O fluxo de caixa operacional chegou a R$ 61,8 bilhões, +40,6% t/t, enquanto o fluxo de caixa livre atingiu R$ 38,6 bilhões, expressivos +92,3% t/t, sinalizando uma relevante conversão de EBITDA em caixa mesmo em um contexto de investimentos elevados. O Capex totalizou US$ 5,3 bilhões, crescimento de 3,8% em relação ao trimestre anterior, mas com uma alocação que vemos como favorável, ao reforçar a atuação em projetos do pré-sal, especialmente Búzios, Atapu, Sépia e Campos, mas também direcionado ao refino e iniciativas de gás e energias de baixo carbono.
Outro destaque foi a redução de 2,7% t/t na dívida líquida, para US$ 60,4 bilhões, que combinada com o avanço no EBITDA levou a relação de alavancagem para 1,14x (ante 1,43x no trimestre anterior, redução de 20,3%), dados os pré-pagamentos realizados ao longo do trimestre. Entre os pontos de atenção, destacamos o maior consumo de capital de giro, dado o aumento das contas a receber ligadas ao programa de subvenção de combustíveis.

O segmento de Refino (RTC) apresentou novamente desempenho robusto, impulsionado pelo recorde histórico de utilização das refinarias (FUT de 101,2%), pelo aumento de 5,6% na produção de derivados, pela redução das importações e pelo maior peso de derivados próprios no mix de vendas. A combinação de maior carga processada, preços mais elevados dos combustíveis e ganhos com estoques fez deste um trimestre memorável para o segmento. A partir do 3T26, devemos ver números mais modestos, com a companhia retomando uma agenda de manutenções programadas para manter a eficácia e segurança do parque de refino.
A companhia anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em proventos referentes ao 2T26, equivalentes a R$ 1,3481 por ação, seguindo a lógica de distribuir 45% do fluxo de caixa livre quando atendidos os limites de endividamento estabelecidos no plano estratégico. O pagamento será realizado em duas parcelas, em novembro e dezembro de 2026. Em resumo, vemos uma Petrobras combinando excelente execução operacional, expansão da produção do pré-sal, elevada eficiência no refino e forte geração de caixa, reforçando os principais pilares de sua tese de investimento e justificando a manutenção de nossa recomendação de Compra, com novo preço alvo de R$ 55,00 para 2027, conforme detalhado nas páginas a seguir.
Desempenho da Ação.
Os papéis PETR4 e PETR3 continuaram refletindo o forte momento operacional e financeiro da companhia. Em nossa visão, a valorização média de 45% nas ações no acumulado deste ano, ante uma alta de 9% do Ibovespa no período, permanece ancorada na combinação de custos competitivos no pré-sal, expansão operacional e disciplina financeira, beneficiada também pelo cenário internacional ainda favorável para os preços do petróleo no curto prazo.
Contexto setorial.
O mercado de petróleo segue em um equilíbrio frágil: de um lado, o conflito prolongado no Oriente Médio voltou a pressionar rotas críticas, com trânsito de navios extremante reduzido no Estreito de Ormuz e uma nova ameaça em outro ponto estratégico, o estreito de Bab el-Mandeb, rota de escoamento alternativo da Arábia Saudita para o Mar Vermelho, e que pode tornar as condições de oferta ainda mais instáveis após o bloqueio parcial pelos Houthis na região. Assim, vemos a recuperação da oferta deslocada do 2S26 para 2027, mas mantendo um cenário de volatilidade, diante da falta dos principais mecanismos de absorção de choques de oferta: os estoques dos EUA estão em níveis historicamente baixos, com estoques comerciais + reservas estratégicas (SPR) no menor patamar desde 1984, elevando o risco de uma alta rápida nos preços em caso de choques, por conflitos ou por adversidades climáticas como furacões ou outras interrupções relevantes. Nesse contexto, vemos que a contenção para uma disparada dos preços se ancora em um fator bastante relevante: a redução das importações pela China. Uma possível leitura é de que, ao usar estoques acumulados para reduzir compras de petróleo bruto, o país asiático conteve uma parte relevante da demanda, atenta a evitar que um choque na comodity pudesse contribuir para uma recessão global e prejudicar sua estratégia de celeiro exportador de diversos produtos.
Para a Petrobras, esse ambiente reforça tanto a relevância do seu core business em óleo e gás, quanto a necessidade de acelerar iniciativas de resiliência e diversificação. No curto prazo, a companhia se beneficia de preços potencialmente mais sustentados em cenário de oferta apertada, mas também fica exposta à volatilidade internacional, à pressão sobre derivados e à necessidade de manter rentabilidade e de proteger consumidores e clientes industriais, como visto no mecanismo de pisos e tetos para o gás natural, que pôde reduzir o reajuste da molécula de 22% para 6% em agosto. Ao mesmo tempo, os avanços recentes anunciados em segmentos como SAF, diesel renovável e bioQAV mostram uma Petrobras tentando se posicionar para um mercado que busca maior segurança energética, o que pode ampliar sua capacidade de resposta a choques e, em um futuro não tão distante, pode trazer diversificação de receitas e maior alinhamento a um contexto de maior demanda por energias de menor pegada de carbono.
Valuation
Revisamos nossas estimativas para a Petrobras e introduzimos nosso novo preço-alvo para 2027 de R$ 55,00 para ambas PETR4 e PETR3, com recomendação Compra. Nossa avaliação deriva de um método de Fluxo de Caixa Descontado (DCF) de dez anos, assumindo um WACC em 12,6% e um crescimento na perpetuidade (g) de 2,0%.
Seguem no radar as preocupações relacionadas aos conflitos geopolíticos e impactos na relação de oferta x demanda, e preços de petróleo. A companhia tem um aspecto defensivo com seus baixos custos de extração no pré-sal, além dos elevados volumes colaborando na diluição de custos fixos. A manutenção de uma boa disciplina de capital e baixa alavancagem serão fundamentais para garantir rentabilidade no atual cenário, considerando as expectativas de menores preços de petróleo a partir de 2027, como previsto pela EIA e pelo consenso de mercado, diante das perspectivas de avanço na oferta e uma demanda mais fraca, notadamente por parte da China.
Nossa tese de investimento se baseia em: (i) perspectivas de aumento da produção com a entrada de novos sistemas nos próximos anos; (ii) baixos custos de extração (lifting cost), principalmente nos campos do pré-sal; e (iii) boas perspectivas de geração de caixa e distribuição de dividendos. Colabora para tal visão mais otimista nosso entendimento de que atual plano estratégico mantém as principais premissas que trazem previsibilidade para os investidores minoritários, como o foco no pré-sal, o endividamento abaixo de US$ 65 bilhões e a manutenção da política de dividendos (45% do fluxo de caixa livre).
Os riscos de nossa tese de investimento incluem, entre outros: (i) volatilidade nos preços do petróleo; (ii) mudanças na política de preços da empresa; (iii) risco de execução de projetos em andamento e futuros; (iv) resultado desfavorável de discussões judiciais, inclusive tributárias e trabalhistas; e (v) volatilidade cambial.

PETR3 vs PETR4 vs IBOV

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