Petrobras (PETR4): Produção e vendas 4T25
Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos analisa os resultados de produção & vendas da Petrobras no 4o trimestre de 2025.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
11/02/2026 às 12:31
A Petrobras apresentou seu relatório de produção & vendas do 4T25 com um conjunto de dados reforçando um operacional bastante resiliente. Em E&P, vimos forte avanço ano contra ano, com a produção total atingindo 2,99 milhões boed em 2025, alta de 11% frente ao ano anterior, impulsionada pelo aumento de capacidade dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, além do ramp-up de Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão, elevação que colaborou para diversos recordes operacionais no período. Apesar desse desempenho anual robusto, vimos modesta retração t/t, com maiores perdas por paradas de manutenção em plataformas da Bacia de Campos, como Marlim e Voador, além do declínio natural de campos maduros, parcialmente compensados pela maior eficiência em Búzios e pela entrada de novos poços.
Nas vendas, o mercado doméstico apresentou modesto dinamismo no comparativo anual, com crescimento nas vendas de gasolina (+2,0%) e de QAV (+6,4%), refletindo maior atividade econômica e sazonalidade típica do transporte aéreo. Já no comparativo trimestral, houve uma redução de 1,8% nas vendas, efeito da sazonalidade (diesel e GLP) e menor disponibilidade de nafta (paradas na RNEST e na REVAP). No mercado externo, a Petrobras registrou recorde anual e trimestral de exportações de petróleo, atingindo 1 milhão de barris/dia no 4T25, impulsionada pela maior produção e pela elevada eficiência logística em operações ship-to-ship (abastecimento entre navios).
No Refino, a produção trimestral caiu 4,9% t/t, influenciada pelas paradas de manutenção na REVAP, que reduziram o Fator de Utilização Total (FUT) do parque para 89%, ante 95% no 4T24. Vemos tal redução como um efeito pontual, dado o projeto de ampliação da unidade, com elevação da capacidade de destilação em cerca de 19 mil barris/dia, e dentro da estratégia de modernização e aumento da oferta de derivados de maior valor agregado. No segmento de Gás e Energias, as vendas de gás natural e energia mostraram desempenho mais fraco em 2025, com retração de ~12% a/a nas vendas de gás natural, influenciadas pela maior participação de terceiros no mercado e menor demanda não termelétrica no período.
Em suma, a Petrobras entregou um ano de forte crescimento operacional, puxado pela expansão de capacidade no pré-sal e pela consolidação de recordes em produção e exportações. Contudo, o ambiente de menores preços do petróleo combinado à perspectiva de forte volume de investimentos (capex), tende a pressionar o fluxo de caixa livre, o que pode pressionar a capacidade de distribuição de dividendos, mesmo diante da sólida performance operacional registrada.

Por fim, vale comentar que acompanhamos recentemente a retomada da exploração na Margem Equatorial, após um incidente que havia paralisado a operação por cerca de um mês. O movimento sinaliza continuidade da estratégia de retomada dos investimentos exploratórios. A interrupção emergencial da perfuração resultou em uma multa de R$ 2,5 milhões ao vazamento de fluido associado ao poço Morpho, evidenciando como o avanço exploratório em regiões sensíveis exige rigor na gestão de riscos. Assim, por um lado, o episódio trouxe à tona novamente o debate sobre impacto ambiental e a relevância estratégica da reposição de reservas para a Petrobras. Nesse aspecto, a companhia encerrou 2025 com seu melhor desempenho em uma década, adicionando 1,7 bilhão de boe em reservas e alcançando um IRR (índice de reposição de reservas) de 175%, superando com folga o volume produzido no ano, indicando a força do portfólio da companhia, e resultando em uma elevação da relação entre reservas provadas e produção para 12,5 anos. Tais avanços são importantes, considerada a perspectiva de declínio no pré-sal no começo da década de 2030, mas a combinação do incidente e da boa performance operacional evidenciam a importância simultânea de expandir fronteiras exploratórias e fortalecer a governança ambiental.
Desempenho do papel
O papel PETR4 sobe 23% nos últimos 30 dias e +12,8% nos últimos doze meses, recuperando-se das quedas observadas ao longo de 2025. O Ibovespa sobe, respectivamente +14% e +48%. A alta do papel é superior à variação no petróleo tipo Brent, que sobe 9,6% em 30 dias, mas cai 9% em 12 meses, em linha com o cenário que mencionamos anteriormente, de demanda mais fraca e perspectiva de maior oferta. Mantemos nosso preço alvo para PETR3 e PETR4 em R$ 45,00 para 2026, com recomendação neutra.

PETR3 vs PETR4 vs IBOV



