Petrobras (PETR4): Produção e vendas 2T26 - operacional marcado por recordes; capacidade de execução segue sendo o ponto forte da tese
Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos analisa os resultados de produção & vendas da Petrobras no 2o trimestre de 2026.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
29/07/2026 às 11:33
A Petrobras divulgou os dados operacionais do 2T26 novamente com números animadores, com destaque para a produção recorde de 3,34 milhões de boed, crescimento de 14,1% a/a e 3,4% t/t, sustentada pelo ramp up dos FPSOs Maria Quitéria (Jubarte), Alexandre de Gusmão (Mero), P‑78 e P‑79 (Búzios). Somente neste trimestre, entraram em operação 10 novos poços produtores, sendo 6 na Bacia de Santos e 4 na Bacia de Campos, o que vem ajudando a compensar o declínio natural dos campos maduros. O destaque operacional foi Búzios, que atingiu sucessivos recordes de produção, ultrapassando 1,2 milhão de barris por dia. A companhia aponta ganhos de eficiência operacional como catalizadores para um incremento de ~70 mil bpd a/a. Em nossa visão, a combinação de boa execução no pré-sal e o baixo custo de extração continuam contribuindo para mitigar parte da volatilidade cambial e de preços, sustentando perspectivas favoráveis para os resultados financeiros do 2T26.
Entre os destaques do trimestre, vimos o fortalecimento do refino, com crescimento de 5,6% t/t e 10,9% a/a na produção total de derivados, com recordes de produção de diesel S10 e QAV, e crescimento na produção de todos os demais derivados. Com a maior utilização do parque de refino, houve menor volume de importações, com destaque para a queda de 85% a/a nas importações de diesel. Já as vendas de derivados permaneceram praticamente estáveis em 1,7 milhão bpd, já que a elevação em diesel e GLP compensaram os recuos em gasolina e QAV, dada a sazonalidade e maior competitividade do etanol. Já as exportações tiveram uma elevação de 41% a/a, o que resultou em exportações líquidas mais do que dobrando na comparação anual.
Um ponto nos chamou atenção: a participação da China nas compras dos produtos caiu para 35%, ante 62% no trimestre anterior, enquanto Índia, Europa e demais países asiáticos ampliaram sua representatividade, sinalizando: (i) a dinâmica de redução nas importações chinesas como um dos principais drivers que sustentaram os preços mais baixos de petróleo, mesmo diante da maior redução na oferta já observada, após o início dos conflitos no Oriente Médio; (ii) a competitividade do petróleo do pré-sal no mercado global deve colaborar para manter as receitas em elevado patamar, a despeito do imposto de exportação vigente.


Desempenho do papel e contexto setorial
As ações PETR4 sobem 37,8% no acumulado de 2026, capturando boa parte da alta do petróleo tipo Brent, que sobe 39,6% no acumulado do ano, enquanto o Ibovespa sobe 9,6% no acumulado do ano. As incertezas relacionadas ao mercado internacional de petróleo permanecem elevadas. O risco de interrupções severas de oferta no Oriente Médio voltou aumentar de forma relevante nos últimos dias, com novos ataques e novos atores: na semana passada, os Houthis, do Yemen, intensificaram as ações ao declarar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, visando o Estreito de Bab el-Mandeb, a porta de entrada sul para o Mar Vermelho. Se efetivado, o bloqueio pode prejudicar a principal rota alternativa de exportação da Arábia Saudita para a Ásia, retirando do mercado cerca de 5% adicionais da oferta global, somando-se aos aproximadamente 10% já perdidos devido ao conflito entre EUA e Irã.
Normalmente, o sistema absorve choques na oferta com reservas estratégicas e capacidade ociosa. Só que, atualmente, ambos estão bastante limitados: os estoques de petróleo dos EUA, incluindo a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), estão em seu nível mais baixo desde 1984; ao mesmo tempo, a capacidade ociosa da Opep, de cerca de 3 milhões de barris por dia, concentrada principalmente na Arábia Saudita, está tecnicamente disponível, mas pode ficar operacionalmente inacessível, dado o bloqueio em Ormuz e agora em Bab el Mandeb, incluindo ataques recentes do grupo às instalações de petróleo sauditas.
Os Houthis sinalizam a possibilidade de um sistema de tarifas, semelhante ao que o Irã anuncia para Ormuz e, em nosso entendimento, considerada a elevada vulnerabilidade das rotas e a dificuldade geográfica e militar em impedir que esse controle seja feito, a volatilidade deverá ser mantida em alta no mercado de commodities. Ao mesmo tempo, persistem dúvidas sobre o crescimento da demanda global, especialmente diante da desaceleração econômica em importantes mercados consumidores e dos impactos de potenciais elevações nos juros para conter o cenário inflacionário disparado pela alta do petróleo.
Para a Petrobras, esse ambiente produz efeitos positivos de curto prazo, mas riscos em caso de persistência por um tempo prolongado: preços mais elevados de petróleo favorecem receitas de exportação e rentabilidade do E&P, mas também aumentam os riscos de destruição de demanda global e inflação, principalmente em caso de uma desaceleração econômica mais forte ao redor do globo. No entanto, por ora, seguimos vendo um contexto de assimetria de riscos favorável à companhia, que se mantém em um momento operacional muito forte, alavancagem sob controle e sem perspectiva imediata de resolução dos conflitos, o que têm mantido os preços de petróleo elevados, colaborando para sustentar nossa recomendação de Compra para o papel.
PETR3 vs PETR4 vs IBOV



