Petrobras (PETR4): Produção e vendas 1T25 e mudança de recomendação: dados de produção em linha, mas cautela fala mais alto no setor
Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, muda recomendação e analisa os resultados de produção & vendas da Petrobras no 1o trimestre de 2025.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
30/04/2025 às 11:55
A Petrobras divulgou seus dados de produção e vendas com números em linha com as expectativas, com importantes avanços operacionais, com destaques para o ramp-up no campo de Búzios, bem como crescimento a/a nas vendas de derivados e evolução operacional no segmento RTC, como a conclusão da ampliação na RNEST, testes com SAF (combustível de aviação sustentável) e biorefino. Como contraponto, vimos menor taxa de utilização no refino, devido à parada na RNEST, e números mais fracos em gás e energia, como esperado.
No entanto, ainda que os dados reportados sejam majoritariamente positivos, entendemos que o contexto do setor ganhou fortes incertezas em relação à demanda por petróleo, o que já vem se refletindo nos preços da commodity: pela primeira vez desde 2021, vimos o Brent negociado abaixo dos US$ 70/barril, acumulando quedas de ~15% apenas neste mês, e isso em meio à recente elevação de estoques nos Estados Unidos e discussões sobre aumento da produção por membros da Opep+. Considerando as possíveis consequências para as cotações das petroleiras com um eventual agravamento desse cenário, alteramos a recomendação da Petrobras para Neutra. Tal mudança está calcada nas preocupações de curto/médio prazo por conta do contexto global de guerra tarifária e impactos na demanda e preços de petróleo, bem como na aversão ao risco sobre esse setor quando ocorrem mudanças tão súbitas no mercado de commodities, com possíveis impactos sobre a companhia ao longo dos próximos trimestres, ainda que mantenhamos nosso olhar construtivo para o longo prazo.
Cabe apontar que, em um olhar para ciclos mais longos, consideramos que a companhia segue com vantagens estratégicas e valuation atrativo, com um robusto plano de entrada de novas plataformas, baixo patamar de alavancagem e uma regra de dividendos alinhada aos principais peers globais, pagando 45% do fluxo de caixa livre. Tais elementos, em conjunto com a continuidade de foco no pré-sal, a manutenção do endividamento abaixo de US$ 65 bilhões, e as atuais políticas de dividendos e de preços, seguem dando suporte para um viés otimista no longo prazo, em especial considerando o custo de extração mais baixo do que pares, o que traz mais resiliência para cenários como o atual. No entanto, com as condições atuais de piora nas perspectivas de comércio global e respectivo impacto no crescimento e demanda de petróleo, esperemos uma maior pressão nas cotações em todo o setor de O&G no curto prazo, o que sugere ser um bom momento para esperar melhores condições antes de retomar as compras nesse segmento.

Produção & Vendas 1T25
A produção de óleo e gás natural no pré sal atingiu 1.853 Mbpd no 1T25, 5,3% superior a/a, impulsionada pelo FPSO Almirante Tamandaré (Búzios) e pelo ramp-up do FPSO Marechal Duque de Caxias (Mero), além da entrada de 7 novos poços. Já no pós-sal, vimos uma produção 10,5% maior, devido a menos paradas para manutenção e entrada de 4 novos poços na Bacia de Campos. Assim, a produção total do trimestre ficou 5,4% superior a/a, e estável (-0,2%) em relação ao 4T24.
No segmento de refino (RTC), houve aumento de 2,9% a/a nas vendas de derivados no 1T25, puxado por diesel, gasolina e QAV. Já a produção de derivados apresentou uma queda de 6,2% t/t, devido à parada da RNEST. Vale destacar o recorde de produção de diesel S10 na REPAR (48 Mbpd), bem como a conclusão das obras de modernização do Trem I da RNEST (Refinaria Abreu e Lima), que elevou a capacidade da planta para 130 mil barris/dia e vai resultar em aumento da produção de derivados de maior valor agregado, principalmente diesel.
Por fim, no segmento de Gás & Energia, vimos números que sugerem continuidade dos resultados financeiros ruins no próximo balanço trimestral, com queda de ~8 milhões de m³/dia nas vendas de gás natural ante o 4T24, devido à menor demanda termelétrica e maior concorrência no mercado não termelétrico. A Petrobras divulga seu resultado do 1T25 no dia 12/05.
Desempenho da Ação.
A PETR4 ficou para trás na recente recuperação do Ibovespa, já que o papel cai 16,8% nos últimos 30 dias, ante uma alta de 2,4% do Ibovespa no mesmo período. Em um prazo mais longo, a performance segue bastante positiva, subindo 85% em nos últimos dois anos, contra 29,4% do Ibovespa, refletindo uma mudança no patamar de receitas, margens e boa gestão de custos. No entanto, conforme elaborado acima, vemos um momento de incertezas globais com o andamento de disputas tarifárias e consequentes impactos em crescimento econômico e na demanda e preços de petróleo, contexto que deve pressionar as cotações da companhia e sugere ser um bom momento para aguardar definições mais estruturais antes de retomar as compras, ainda que a Petrobras siga com condições operacionais e financeiras muito boas. Portanto, alteramos nossa recomendação para neutra, mantendo o preço-alvo de R$ 48,50 para 2025.
Destaques operacionais

PETR3 vs PETR4 vs IBOV



