Petrobras divulga Plano de Negócios 2026-2030; confira a opinião do BB-BI
Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, comenta a divulgação do plano de negócios 2026-2030 da Petrobras.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
01/12/2025 às 13:17
A Petrobras publicou ontem (27) seu Plano de Negócios 2026–2030, com dados que reforçam o foco da companhia em manter resiliência operacional. Houve aumento na meta de produção para 3,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2028–2029, frente aos 3,2 milhões previstos no plano anterior. A meta é sustentada por otimização de projetos e expansão no pré-sal. A exploração da Margem Equatorial, se confirmada sua viabilidade, deve colaborar para compensar a queda esperada na produção do pré-sal a partir de 2031, com 15 poços previstos para a região. A companhia também prevê redução média anual de 8,5% nos gastos operacionais (OPEX), apoiada por iniciativas de padronização, renegociação de contratos e maior integração logística, o que contribui para manter competitividade em um cenário limitador para os preços de petróleo. Desafios para equilibrar os investimentos em expansão e o patamar de alavancagem e endividamento devem seguir como aspectos a serem observados adiante.
O plano prevê expansão relevante no parque de refino, com incremento de 320 mil barris por dia na capacidade de processamento e aumento de 307 mil barris por dia na produção de Diesel S10, alinhado à demanda por combustíveis de menor impacto ambiental e redução da dependência por importações. O avanço em refino deriva de modernizações nas refinarias atuais, além de uma relevante expansão na RNEST.
Apesar da manutenção do limite de dívida bruta em US$ 75 bilhões, os elevados gastos com arrendamentos (US$ 6 a 7 bilhões/ano) e a atual política de dividendos (45% do fluxo de caixa livre) devem manter a alavancagem próxima ao teto, o que deixa a companhia mais exposta em cenários negativos de preços da commodity. Assim, em cenários mais adversos, a empresa pode ser obrigada a escolher entre manter os investimentos, a política de dividendos ou seu nível de alavancagem.
A partir deste ano, a companhia passou a dividir a carteira em implantação em “base” e “alvo”. O grupo "alvo" inclui projetos cuja confirmação do orçamento está condicionada à análise de financiabilidade. Vemos a mudança como positiva, já que trouxe maior margem de manobra de médio e longo prazo, pois a redução do capex total foi pequena (-1,8% ante o plano anterior), mas o total de projetos em implantação caiu 7% (de US$ 98 bilhões para US$ 91 bilhões), com forte aumento na carteira em avaliação (+38%, para US$ 18 bilhões), o que dá uma margem para avançar com projetos apenas na medida em que os preços de petróleo e custos de implantação tragam retornos adequados. Vale ressaltar que essa margem vigorará mais para frente, já que nos primeiros anos a maior parte dos projetos já está em implantação.

O novo plano considera US$ 63 como média do Brent para 2026, comparado a US$ 77 no plano anterior. Em nossa opinião, dada a perspectiva de forte elevação na oferta da commodity e uma demanda contida, a concretização de tal premissa depende da manutenção de riscos geopolíticos, notadamente a continuidade da guerra Rússia-Ucrânia. Isso, porque a depender dos andamentos, se encerradas as sanções contra o petróleo russo, há espaço para o Brent recuar para valores mais próximos de U$S 50, dado o incremento previsto na oferta e o crescimento limitado na demanda, em especial na China. No entanto, este é um fator que está fora do controle da companhia, e que vemos a mitigação no baixo custo de extração (~U$S 6/boe) e no Brent de equilíbrio de US$ 25, que traz resiliência para lidar com eventuais cenários de baixa.
Na atuação em transição energética, os investimentos foram reduzidos para US$ 13 bilhões, equivalentes a 12% do CAPEX total, ante 15% no plano anterior. O foco permanece em biocombustíveis, SAF, biometano e projetos de captura e armazenamento de carbono (CCUS), mantendo a atuação em segmentos estratégicos, embora com maior cautela quanto ao retorno de curto prazo. Já comentamos anteriormente: em momentos de transição, novas tecnologias custam muito mais caro, como já foi o caso do pré-sal, que tinha custo de US$ 60 por barril antes de chegar aos atuais US$ 6, mas é preciso muito investimento em P&D para avançar e tornar viável, à medida em que volumes crescentes e novas tecnologias diluem o custo fixo unitário. O porte da Petrobras e a demanda energética nacional sugerem que a atuação deve ser gradual, como tem sido, mas sem abandonar o investimento nas tecnologias que devem ser protagonistas nas próximas décadas.
De modo geral, 2025 foi marcado por um operacional robusto, com recordes de produção no pré-sal, com destaque para o campo de Búzios, que atingiu vazão de 270 mil barris/dia e registrou um marco operacional para a companhia, além da aceleração do ramp-up de FPSOs como Almirante Tamandaré (Búzios) e Alexandre Gusmão (Mero), surpresas positivas no aspecto operacional. No âmbito estratégico, houve progresso em projetos industriais, como o Refino Boaventura e o Trem 1 da RNEST, preparando o aumento da capacidade de processamento e da oferta de Diesel S10. Tais investimentos devem colaborar para elevar oferta e para sustentar os baixos custos no pré-sal, com elevados volumes diluindo custos fixos. Tais avanços operacionais, se associados a uma continuidade da boa disciplina de capital, serão fundamentais para atravessar o atual cenário de commodity pressionada.
A questão para os próximos ciclos deve seguir no contraste entre as elevadas expectativas que o mercado tem em relação a dividendos e manutenção de um baixo nível de alavancagem, junto a um robusto plano operacional, que requer elevados investimentos para a continuidade do crescimento em E&P, aumento da oferta de derivados e expansão da atuação em renováveis. Mantemos nosso olhar otimista sobre a companhia para o longo prazo, com preço-alvo de R$ 45,00 para 2026, mas recomendação neutra, em linha com o momento atual de petróleo em baixa.
Desempenho da Ação.
Ambas PETR4 e PETR4 seguem para trás nos avanços do Ibovespa no ano, já que os papéis caem em média 5,2% em 2025, ante uma alta de 31,7% do Ibovespa no mesmo período. Porém, quando olhamos prazos mais longos, a performance do papel é bastante positiva, subindo 116% nos últimos três anos, contra 45% do Ibovespa no período, refletindo a percepção do mercado de que a Petrobras vem entregando excelentes retornos, ainda que, em nosso entendimento, as atuais incertezas em relação à demanda e preços de petróleo devam seguir pressionando as cotações da companhia.
Petróleo tipo Brent
O petróleo tipo Brent segue em tendência de baixa desde junho/2022. Até o momento, se mantém acima dos US$ 60, patamar que entendemos como divisor de águas entre um cenário de maior cautela, mas sem sinais de retorno para os patamares acima de US$ 70 e US$ 80, que trouxeram geração de caixa recorde para a companhia em anos como 2022 e 2023, e cujo atingimento usualmente coincidem com os momentos de maior euforia com os rendimentos do setor.

PETR3 vs PETR4 vs IBOV

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