Participação de mulheres na B3 dispara 85,6% entre 2020 e 2024, mas desafios continuam
Publicado por: Broadcast Exclusivo

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Atualizado em
10/03/2025 às 15:49
Por Fabiana Holtz, do Broadcast
São Paulo, 07/03/2025 - É crescente o número de mulheres na bolsa brasileira. A participação feminina na B3 teve uma alta recorde em dezembro do ano passado no comparativo anual, com crescimento de 7% no segmento em renda variável, passando de 1.292.666 para 1.381.426 investidoras. É um avanço considerável, se pensar que na comparação com dezembro de 2020, a participação feminina registrou um salto de 85,6%, de acordo com o levantamento feito pela B3 às vésperas do Dia Internacional da Mulher.
Já no Tesouro Direto, a participação das investidoras cresceu 15,04%, superando a marca de 1 milhão de CPFs. Também na comparação com dezembro de 2020, a participação feminina nesse produto mostra um avanço de 82,2%.
Para Christianne Bariquelli, superintendente de Educação da B3, esse crescimento significativo é reflexo da evolução da educação financeira da população como um todo. "Em se tratando das mulheres, pesquisas mostram que, no geral, elas se preparam e juntam mais dinheiro antes de começar a investir. Essa preparação cuidadosa é evidenciada pela busca por diversificação", afirma.
A faixa etária que lidera entre as mulheres na bolsa é de 25 e 39 anos, com 605.932 CPFs. Em segundo lugar estão as mulheres entre 40 e 59 anos (493.386), e depois as com mais de 60 anos (178.548).
No recorte por regiões, Sudeste e Sul concentram o maior número de investidoras. No recorte por estados, a lista é puxada por São Paulo (522.124), com crescimento de 6%. Na sequência estão Rio de Janeiro (149.206), Minas Gerais (136.132), Paraná (84.407) e Rio Grande do Sul (71.593). No Nordeste, Bahia e Pernambuco lideram a lista. O levantamento ainda detalha as características de aplicação das investidoras, faixas etárias, ranking por estado e diversificação por produtos.
Comemoramos avanços, mas o caminho ainda é longo. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), apenas 35% dos investidores brasileiros são mulheres. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que menos da metade das mulheres participa ativamente do mercado de trabalho global, em comparação com 72% dos homens.
O registro de uma parcela maior de investidoras do mercado vem reforçar a importância do debate sobre a autonomia financeira feminina, em um país onde 49,1% dos domicílios são chefiados por mulheres (dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE). Na visão de Luciana Pavan, fundadora e idealizadora do 90 Segundos de Finanças, a educação financeira se mostra um pilar essencial para que o público feminino possa tomar decisões mais seguras sobre dinheiro, planejar o futuro e reduzir a dependência econômica de familiares. Ela ressalta que desafios históricos e estruturais ainda dificultam esse processo, como a desigualdade salarial e a sobrecarga de responsabilidades domésticas e profissionais.
Segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2024, as mulheres ganham em média 19,4% a menos do que os homens no Brasil. A disparidade se mostra ainda maior em cargos de liderança e entre mulheres negras.
Segundo Pavan, o primeiro passo rumo a autonomia financeira está em compreender a própria situação, estabelecer um orçamento realista, priorizar a quitação de dívidas e criar uma reserva para imprevistos. "No entanto, a falta de conhecimento financeiro ainda impede muitas mulheres de negociar melhores salários, investir com segurança e tomar decisões econômicas estratégicas", afirma.
A representatividade feminina em cargos de liderança ainda é pequena, mas vem crescendo no Brasil. Estudo recente da McKinsey sobre esse tema (Women in the Workplace 2024), aponta que organizações com uma maior representatividade feminina em cargos C-level têm 25% mais chances de registrar lucros acima da média. Além disso, um levantamento da consultoria Grant Thornton mostra que o Brasil ocupa a 11ª posição no ranking global de presença feminina em cargos de alto escalão, com 37% das posições de liderança ocupadas por mulheres.
Na América Latina e no Caribe, levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece alguns avanços, mas destaca que ainda persistem desigualdades de gênero. Em 2024, por exemplo, a taxa de participação feminina se manteve em 52,1%, muito abaixo da dos homens (74,3%).
E, de acordo com o Relatório sobre a Desigualdade Global de Gênero divulgado este ano pelo Fórum Econômico Mundial, a paridade salarial total entre os gêneros só será alcançada em 2058.
No segmento de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) a representatividade das mulheres cresceu 7,7% entre 2020 e 2023 no Brasil, de acordo com levamento da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom). Embora ainda minoritária, essa presença tem atingindo avanços consideráveis, visto que o crescimento da participação dos homens foi de 6,2% no mesmo período.
Com avanço lento e gradual, na indústria da cibersegurança o número de profissionais dessa área no mundo somava 5.452.732 em 2023, com uma participação feminina de 25%.
Outro avanço que vale comemorar é que a participação de mulheres em cursos de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática) registrou um salto de mais de 300% em um período de 10 anos, de acordo com recente estudo da Nexus. Mas no quesito remuneração, as discrepâncias salariais no setor de tecnologia, de acordo com o site britânico Diversity in Tech, também são grandes: as mulheres ganham até 28% menos que os homens nas mesmas funções.
Para Julieta Escolar, gerente de Recursos Humanos da ESET para a América Latina, multinacional desenvolvedora de softwares de segurança cibernética, especializada em detecção proativa de ameaças, a desigualdade salarial não ocorre apenas devido ao baixo acesso a cargos de liderança, mas também entre profissionais que ocupam as mesmas funções e hierarquias. "Esse ainda é um grande desafio. Embora as empresas estejam começando a mapear a situação e a buscar soluções, poucas conseguem resolvê-la no curto ou médio prazo", afirma.
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