Paradoxo do mercado: enquanto gringos turbinam Ibovespa, investidores locais buscam renda fixa
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos

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Atualizado em
06/10/2025 às 13:37
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
O ano de 2025 tem sido de euforia para a Bolsa brasileira, com o Ibovespa acumulando alta de mais de 15% no primeiro semestre e renovando sucessivos recordes ao longo de setembro. Essa valorização tem apoio no investidor estrangeiro, enquanto o local segue buscando a renda fixa, em meio ao ambiente de taxa Selic a 15% ao ano.
Dados da B3 mostram que houve uma entrada líquida de capital estrangeiro de mais R$ 26 bilhões no acumulado do ano até setembro, em um momento de atratividade dos ativos brasileiros em comparação a outros emergentes.
Por outro lado, fundos de ações registraram saída líquida R$ 49 bilhões no acumulado de 2025 até o mês passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), enquanto fundos de renda fixa tiveram captação positiva de quase R$ 93 bilhões.
"Esse contraste revela um paradoxo: enquanto investidores estrangeiros buscam oportunidades em ativos descontados, muitos brasileiros preferem permanecer em posições defensivas", afirma Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Segundo Cruz, em análise obtida com exclusividade pela Broadcast , a atratividade da renda fixa no Brasil é o pano de fundo dessa situação. Com a taxa de juros básica a 15% ao ano, "o investidor local encontra segurança em retornos nominais que oferecem preservação e crescimento patrimonial sem volatilidade".
Segundo dados da Anbima, cerca de 60% do patrimônio das pessoas físicas está concentrado em papéis de perfil de risco mais conservador, evidenciando que o brasileiro ainda prefere a previsibilidade de ganhos oferecida por esses ativos.
"Muitos aplicadores entendem que retornos anuais de 12% a 13% obtidos em instrumentos de renda estável já satisfazem seus objetivos, reduzindo a disposição a correr riscos adicionais", avalia Cruz.
Apesar do conservadorismo do investidor local e da alta taxa de juros, apenas 14% dos fundos de ações brasileiros que investem em mais de um ativo têm desempenho abaixo do Ibovespa no acumulado deste ano até o fim de setembro, segundo análise da RB Investimentos sobre 140 produtos do tipo.
"Isso indica que a maior parte da indústria entregou desempenho acima do benchmark, comprovando a qualidade da gestão ativa", avalia Gustavo Cruz.
Para ele, esse cenário, em que os fundos de ações têm oferecido rentabilidade acima do Ibovespa, mas com registro de saída líquida de recursos, "reforça que rentabilidade por si só não é suficiente" para os gestores, e que é preciso "consistência, transparência e mudança na percepção de risco para reconquistar a confiança do investidor doméstico".
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