Panorama Trimestral | Emissores de crédito: 1T26
O BB-BI apresenta as principais métricas e tendências setoriais do trimestre, com foco na análise da alavancagem financeira das companhias
Publicado por: Análise BB

O BB-BI apresenta as principais métricas e tendências setoriais do trimestre, com foco na análise da alavancagem financeira das companhias
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
27/05/2026 às 10:37
A temporada de resultados do 1T26 mostrou, de forma geral, resiliência operacional acompanhada de pressão financeira em um contexto ainda marcado por juros elevados, câmbio volátil e custos pressionados em determinados setores. Em segmentos regulados, como energia elétrica, saneamento e concessões, predominaram resultados sólidos, sustentados por revisões tarifárias, crescimento de volumes e maturação de ativos. Esses fatores impulsionaram a expansão de EBITDA e níveis elevados de eficiência operacional, ainda que a alavancagem siga pressionada pelo ciclo de investimentos - especialmente em transmissão, energias renováveis e, em menor peso, saneamento.
Em setores cíclicos e dolarizados, como papel e celulose e mineração, os volumes se mantiveram consistentes, mas a dinâmica de câmbio e preços limitaram a conversão em lucro. Em petróleo e distribuição de combustíveis, assim como em transporte e logística e locadoras, o trimestre foi positivo, com ganhos de margem, crescimento de volumes e forte geração de caixa, permitindo desalavancagem gradual. Por outro lado, setores mais expostos a volatilidade de custos e demanda enfrentaram um ambiente mais desafiador. Em proteína animal, houve compressão de margens por custos mais altos com gado e frete, além de restrições comerciais, apesar de crescimento de receitas e forte posicionamento no mercado externo. O setor de saúde mostrou melhora operacional, mas ainda com desafios na sinistralidade, enquanto o imobiliário seguiu em recuperação, com vendas resilientes e melhora de caixa, ainda que com lançamentos mais seletivos.
No consolidado, observamos a manutenção de níveis de alavancagem ainda elevados, porém administráveis, com companhias priorizando desalavancagem via geração de caixa, venda de ativos e/ou disciplina de capex, ao passo que preservam projetos relevantes de investimento - reforçando um cenário de fundamentos operacionais sólidos, mas com atenção à dinâmica financeira no curto prazo.
No mercado secundário, a dinâmica dos spreads ao longo do 1T26 refletiu um ambiente de reprecificação de risco, como já havíamos destacado no relatório do trimestre anterior. Observou-se abertura de prêmios, sobretudo nos papéis indexados ao IPCA, com maior intensidade em setores mais alavancados. Ainda assim, segmentos regulados e com maior previsibilidade de resultados também registraram elevação de spreads, em linha com um cenário mais cauteloso. Neste contexto, a discriminação entre emissores e setores - já relevante na seleção de ativos - tende a ganhar ainda mais importância, com maior foco em fundamentos e na adequada precificação do risco de longo prazo.
Nosso universo de cobertura para elaboração deste relatório passou de 44 para 41 empresas, refletindo uma revisão recente do acompanhamento setorial, com descontinuidade da cobertura do segmento de varejo. As médias setoriais citadas no gráfico abaixo, que ilustra a evolução da alavancagem financeira nos últimos trimestres dos setores selecionados*, se referem às médias do indicador medido pela relação dívida líquida / EBITDA das empresas analisadas neste relatório.



Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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