O que mudou no MCMV e como ficam as ações de construtoras na Bolsa? Veja agora
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
25/03/2026 às 14:52
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
O Minha Casa Minha Vida (MCMV) está de cara nova. Nesta semana, o Conselho Curador do FGTS aprovou proposta de reajustes no limite de renda das faixas 1 e 4 e nos limites dos preços dos imóveis que podem ser financiados pelo programa.
Além de beneficiar cerca de 87 mil famílias a mais, segundo cálculos do Ministério das Cidades, as mudanças tendem a ser positivas para incorporadoras e construtoras listadas na , segundo analistas. Em especial aquelas que atuam com imóveis do segmento econômico.
Veja, a seguir, as mudanças nas faixas do Minha Casa Minha Vida, como elas podem beneficiar mais pessoas e o possível impacto nas ações de construtoras listadas na Bolsa:
O que mudou no Minha Casa Minha Vida?
As mudanças aprovadas, que foram propostas pelo Ministério da Cidades, mexem com o limite de renda mensal das quatro faixas do Minha Casa Minha Vida e também com o teto do preço dos imóveis. As novas configurações ficaram assim:
Limites de renda mensal:
- Faixa 1: de R$ 2.850 para R$ 3.200 (+12%)
- Faixa 2: de R$ 4.700 para R$ 5.000 (+9%)
- Faixa 3: de R$ 8.600 para R$ 9.600 (+12%)
- Faixa 4: de R$ 12.000 para R$ 13.000 (+8%)
Valor teto dos imóveis financiados:
- Faixas 1 e 2: R$ 210 mil a R$ 275 mil (sem mudanças)
- Faixa 3: R$ 350 mil para R$ 400 mil (+14%)
- Faixa 4 (Classe Média): R$ 500 mil para R$ 600 mil (+20%)
Por que as faixas do MCMV foram alteradas?
A alteração visam adequar os limites de renda mensal ao salário mínimo, que tem sido reajustado anualmente acima da inflação.
A ideia é que o limite da Faixa 1 do MCMV fique próximo a duas vezes o salário mínimo. Hoje, ele é de 1,76 vezes e, com a alteração, passa para 1,97 vezes.
Segundo o Ministério das Cidades, as alterações vão permitir que 87,5 mil famílias sejam beneficiadas com a redução da taxa de juros aplicada sobre o seu financiamento, por passarem para uma faixa menor. Os juros do MCMV vão de 4,0% ao ano, na menor subfaixa da Faixa 1, até 7,66% ao ano na Faixa 3.
Como as mudanças no MCMV mexem com as ações de construtoras?
Para o BB Investimentos (BB-BI), as alterações aprovadas no Minha Casa Minha Vida funcionam como um gatilho positivo para as incorporadoras cobertas pelo banco.
Os analistas observam um efeito potencial para companhias com alta exposição ao MCMV, como Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3) e Tenda (TEND3), que trabalham atualmente com a maior parte de seus empreendimentos enquadrados no programa.
Para essas empresas, o BB-BI diz estimar "uma estabilização ou até algum incremento na velocidade de vendas" nos próximos trimestres.
O BB-BI acrescenta que, ao considerar toda a população brasileira potencialmente enquadrável nas novas condições, os impactos tendem a ser "ainda mais significativos".
O BB-BI menciona ainda Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), que, apesar do foco em prédios de médio e alto padrão, "intensificaram a representatividade" no segmento econômico e em empreendimentos de médio porte enquadrados em programas habitacionais ao longo de 2025.
Embora em menor escala, elas também estariam aptas a capturar algum incremento de vendas com o aumento do público endereçável, diz o banco.
O Citi também vê as mudanças como positivas para todas as construtoras voltadas à baixa renda. Os analistas Andre Mazini, Piero Trotta e Kiepher Kennedy destacam que, apesar de as medidas já serem amplamente esperadas pelo mercado, elas oferecem suporte incremental à demanda habitacional e maior visibilidade para as incorporadoras.
A Cury (CURY3) é apontada pelo banco como a principal beneficiária das mudanças, por sua forte concentração nas Faixas 3 e 4, que registraram as melhorias mais expressivas.
(Colaboraram Cícero Cotrim, Camila Vech e Luísa Laval)

