Minha Casa Minha Vida deve levar crédito imobiliário a recorde em 2024
Aumento de recursos do FGTS e volta da Faixa 1 devem impulsionar programa habitacional este ano
Publicado por: Broadcast Exclusivo

Aumento de recursos do FGTS e volta da Faixa 1 devem impulsionar programa habitacional este ano
Publicado por: Broadcast Exclusivo
Atualizado em
16/10/2024 às 16:06
Por Matheus Piovesana e Gustavo Boldrini, do Broadcast
Impulsionado pelo Minha Casa Minha Vida, o crédito imobiliário deve bater novo recorde de volumes neste ano, após superar as expectativas do setor em 2023. Essa é a expectativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A Abecip estima que serão concedidos R$ 259 bilhões na modalidade neste ano, volume 3% superior ao de 2023, ano em que a volta do programa do governo federal impulsionou as concessões. Este total faria de 2024 o melhor período da série histórica do setor, acima inclusive de 2021, ano em que a combinação entre juros baixos e um alto volume de lançamentos no mercado produziu um recorde de R$ 255 bilhões em concessões.
Abaixo, listamos alguns motivos que conferem tamanho otimismo com essa linha de crédito.
O Minha Casa Minha Vida, programa do governo concede financiamentos subsidiados a famílias de baixa renda, utiliza o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma espécie de poupança de trabalhadores com carteira assinada, como uma das principais formas de financiamento. Em 2024, o orçamento do FGTS para habitação é de cerca de R$ 106 bilhões. Se for totalmente aplicado, representará um aumento de 8% em relação a 2023, ano que foi de recorde em concessões para o setor com os recursos do fundo. Ao todo, o FGTS respondeu por 39% do crédito imobiliário concedido no País, a maior participação desde 2019, ano anterior à pandemia da covid-19.
"O FGTS, graças ao Minha Casa Minha Vida, teve um crescimento de 59% comparando com o ano de 2022. Ele está num patamar diferente em relação a outros anos", disse em coletiva de imprensa o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Sandro Gamba.
Outro fator que pode impulsionar o MCMV em 2024 é o retorno Faixa 1, que financia os imóveis de famílias com renda mensal de até R$ 2.640. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva espera que essa parcela responda por até metade dos financiamentos do programa habitacional.
Em 2023, o maior ímpeto do FGTS ajudou a compensar o novo encolhimento das cadernetas de poupança, que ainda são a principal fonte de recursos para a construção e a compra de imóveis no País. No ano passado, os financiamentos através da poupança encolheram 15% em relação a 2022, para R$ 153 bilhões.
A queda é consequência direta do maior aperto no orçamento das famílias, que recorreram aos depósitos na poupança para pagar despesas e fizeram com que o saldo depositado nas contas encolhesse. A saída líquida da poupança destinada ao crédito imobiliário em 2023 foi de R$ 72 bilhões, a segunda maior da história, levando o saldo total a R$ 747 bilhões.
Ainda assim, as fontes totais de financiamento para o crédito imobiliário tiveram expansão de 13%, para R$ 2,17 trilhões. A poupança teve a participação no total diluída de 40% para 34%, enquanto fontes alternativas, como as letras de crédito imobiliário (LCIs) e os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) chegaram a 40%, contra 34% em 2022.
"O setor foi resiliente em suprir essa necessidade do mercado através de outras operações", afirmou Gamba. De acordo com ele, mesmo com a poupança encolhendo, o mercado opera em um patamar mais elevado que a média histórica.
O executivo disse que a tendência em momentos de queda da taxa básica de juros (Selic), como o atual, é de retomada dos depósitos em poupança. Ainda assim, o maior fatiamento da "pizza" de financiamento do setor é definitivo. "A representatividade que a poupança tinha não volta", afirmou.
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