Fechamento (30/06) | Bolsa perde 0,68% e fecha aos 172.024 pontos; em junho baixa foi de 1,01%
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
30/06/2026 às 17:44

Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
Como foi o dia:
- Neste último pregão do mês, o sentimento de cautela predominou entre os investidores, o que levou o Ibovespa a operar no campo negativo ao longo de praticamente todo o dia.
- Ao final da sessão, pressionado, entre outros, por ativos dos setores bancário, petrolífero e de mineração, além dos mais expostos à economia doméstica, conhecidos como cíclicos, o índice de referência da Bolsa brasileira marcou os 172.024 pontos e queda de 0,68%.
- No acumulado de junho, a perda foi de 1,01%. No ano, entretanto, o Ibovespa segue no azul, com valorização de 6,76%.
- O noticiário externo corroborou para o mau humor generalizado que atingiu o mercado doméstico, especialmente após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmar mais cedo que não há negociações diretas previstas com os Estados Unidos em torno do conflito do Oriente Médio.
- Além disso, o BlackRock Investment Institute (BII), braço de pesquisa e estratégia da maior gestora de ativos e investimentos do mundo, rebaixou a visão para ações de mercados emergentes para neutra, citando risco de concentração em cadeias ligadas à inteligência artificial (IA).
- Em Wall Street, o movimento foi novamente o oposto, com os principais índices marcando alta: o Nasdaq subiu 1,52%, o S&P 500 avançou 0,79% e o Dow Jones ganhou 0,26%.
- Já no mercado de câmbio, o dólar operou perto da estabilidade tanto aqui quanto lá fora. Fechou a terça-feira valendo R$ 5,1630, com baixa leve de 0,22%.
Altas e baixas
Entre os destaques positivos da sessão, as ações da Embraer (EMBJ3) subiram 2,08%. Mais cedo, a empresa informou que o jato Praetor 500E recebeu certificação tripla da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) e da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).
A certificação tripla é uma notícia estrategicamente positiva para a companhia, pois reduz risco de execução, reforça a sua liderança tecnológica na aviação executiva e amplia o potencial comercial global, segundo avaliaram analistas de mercado.
Já as ações da Braskem (BRKM5) perderam 3,78%, após terem passado por sucessivos leilões e terem fechado em alta de mais de 5% na véspera.
O JPMorgan cortou a recomendação para as ações da petroquímica para neutra e reduziu o preço-alvo para dezembro de 2026 de R$ 15 para R$ 7,50.
A companhia foi pressionada ainda pelo rebaixamento de ratings de emissor pela Fitch e pela S&P para C e D, respectivamente, após obter a liminar na Justiça que suspende por 60 dias a execução de ações por credores que participam do processo de mediação.
Commodities
Os preços do petróleo caíram nesta sessão, depois que o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã aumentou a oferta da commodity com a liberação das exportações iranianas.
O movimento resultou na maior perda trimestral das cotações da commodity desde 2020, durante a pandemia da Covid-19.
Segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Tanker Tracker, o país persa já exportou 50 milhões de barris do óleo desde que o bloqueio imposto pelos EUA foi suspenso há duas semanas para dar início às negociações de paz.
Ainda assim, para o ING, é uma surpresa o ritmo agressivo da liquidação no mercado de petróleo. Com a queda de junho, a commodity se aproximou dos níveis pré-guerra de fevereiro e registrou o maior recuo trimestral em seis anos.
"A dinâmica dos preços nas últimas semanas reflete um mercado que está tratando este cessar-fogo temporário entre os EUA e o Irã como um acordo permanente", afirmaram os analistas do banco holandês.
Na Nymex, o tipo WTI fechou em queda de 1,77%, a US$ 69,50 o barril, enquanto o Brent recuou 1,30%, a US$ 72,95 o barril, na ICE. No mês, o WTI caiu 20,4% e o Brent cedeu 19,9%. No trimestre, o WTI recuou 31,4% e o Brent perdeu 29,8%.
Na Bolsa brasileira, as ações da Petrobras seguiram a baixa da commodity e também recuaram entre 0,89% (PETR4) e 1,25% (PETR3).
Vale (VALE3) também encerrou a sessão em baixa, de 0,32%, ainda que o minério de ferro tenha marcado alta no exterior, refletindo o menor apetite a risco por ativos locais pelo investidor estrangeiro.
Criptomoedas
O Bitcoin e o Ethereum operaram em queda forte nesta terça-feira, permanecendo sob pressão diante das expectativas de alta das taxas de juros dos Estados Unidos, além da continuidade das saídas de capital de fundos de índice (ETFs) ligados às moedas digitais.
Segundo a Binance, perto das 16h (em Brasília), o BTC recuava 2,85%, a US$ 58.451, perdendo 20,2% no acumulado mensal. Enquanto isso, o ETH caía 2,94%, a US$ 1.573, tombando 21,7% em junho.
Para a corretora FxPro, "se de fato estivermos vendo um declínio gradual do BTC, por exemplo, o próximo passo pode ser a marca de US$ 40 mil".
(Colaboraram Darlan de Azevedo e Letícia Araújo)

