Fechamento (28/10) | Blue chips pressionam Ibovespa, que fecha em queda de 2,68%, aos 171.006 pontos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
28/10/2026 às 17:39
Por Gabriela Pessanha, da Broadcast
São Paulo, 28/10/2026
Como foi o dia:
O Ibovespa operou com sinal negativo ao longo de toda a sessão e assim se manteve até o fechamento, quando marcou os 171.006 pontos e queda de 2,68%, pressionado por blue chips dos segmentos financeiro e de mineração, entre outros ativos.
Resultados corporativos referentes ao terceiro trimestre do ano contribuíram para o mau humor praticamente generalizado no cenário doméstico.
No sentido oposto, os principais índices acionários subiram em bloco em Nova York, ainda que com ímpeto reduzido: o Dow Jones avançou 0,19%, o S&P 500 ganhou 0,28% e o Nasdaq teve alta de 0,27%.
Já no mercado de câmbio, o dólar apresentou grande volatilidade, mudando de sinal algumas vezes durante as negociações. Perto do fechamento, a moeda virou novamente o sentido e caiu 0,19% ante com real, cotado a R$ 5,3402 e alinhado ao desempenho da moeda americana na comparação com uma cesta de pares emergentes.
A decisão sobre juros americanos pelo Federal Reserve (Fed) deu o tom dos negócios nesta quarta-feira. Como amplamente esperado, o banco central dos EUA manteve inalteradas as taxas entre 3,75% e 4,00%.
Diferente da última decisão, em setembro, que foi unânime, a reunião de hoje contou com 10 votos favoráveis à manutenção e dois contrários - Lisa Cook e Beth Hammack defenderam o aumento das taxas em 0,25 ponto porcentual.
Segundo a Capital Economics, os votos das duas dirigentes sugerem a formação de um grupo relativamente amplo preocupado com o risco de o Fed ficar "atrás da curva" no combate à inflação.
Sobre a expansão da atividade econômica do país, o Fed classificou que o movimento ocorre em ritmo "forte", ante "sólido" no texto de setembro. A mudança está relacionada à manutenção da avaliação de que os gastos domésticos seguem resilientes, os investimentos são robustos e a taxa de desemprego pouco mudou.
Altas e baixas
Os bancos ficaram entre os ativos que recuaram nesta sessão, contaminados pelo balanço do Santander (SANB11) - com perda de 5,88% -, que trouxe perspectivas negativas para o segmento.
Entre os pares na Bolsa, o Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 3,42%, o Bradesco (BBDC4) caiu 6,68% e o Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 3,39%.
O dia também foi de sentido negativo para as empresas mais expostas à economia doméstica, as chamadas cíclicas, pressionadas pela alta dos juros futuros. O Magazine Luiza (MGLU3) encolheu 9,22%, a Azzas (AZZA3) depreciou 9,64% e a Cogna (COGN3) desvalorizou 10,00%.
Na outra ponta, o balanço da Hypera (HYPE3) deu suporte às ações (+ 1,35%). A empresa teve lucro líquido de R$ 523,2 milhões, com alta de 14,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Apesar da queda apurada entre outras frigoríficas, a MBRF (MBRF3) escapou da tendência do segmento e encerrou a sessão com alta de 2,82%.
Commodities
As preocupações sobre uma possível escalada nos confrontos no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que fechou com forte alta.
Para o ING, a valorização generalizada nas últimas semanas sugere que os investidores estão precificando uma maior probabilidade de uma nova escalada no conflito.
Ainda assim, o mercado deve permanecer em compasso de espera até as eleições de meio de mandato nos EUA, quando os investidores poderão ter maior clareza sobre os planos do presidente Donald Trump em relação ao Irã.
O cenário incerto também amplifica os riscos para a oferta, de acordo com a ANZ Research.
Negociado na ICE, o tipo Brent fechou em alta de 2,03%, a US$ 111,64 o barril, enquanto na Nymex, o WTI subiu 2,88%, a US$ 102,78 o barril. No mercado doméstico, a Petrobras foi no caminho oposto e cedeu entre 0,53% (PETR4) e 1,02% (PETR3)
Já o minério de ferro avançou 1,05%, em Dalian, e 0,70%, em Singapura. A Vale (VALE3) também foi no sentido contrário ao da commodity de referência e caiu 2,57%.
Criptomoedas
A decisão do Fed - de manutenção dos juros americanos - impulsionou as criptomoedas, que avançaram nesta sessão.
Para o FxPro, uma recuperação dos preços do Bitcoin acima do nível de US$ 80 mil poderia sinalizar o fim da fase de consolidação de preços, favorecendo novas altas.
Por outro lado, uma intensificação das vendas nessa faixa aumentaria o risco de novas quedas, com possibilidade de recuo para a faixa entre US$ 73 mil e US$ 75 mil.
Por volta das 16h, o BTC avançava 0,67%, a US$ 81.200, e o Ethereum subia 0,67%, a US$ 2.358, de acordo com a plataforma Coinbase.
(Colaboraram Letícia Araújo e Pedro Lima)

