Fechamento | Bolsa tem baixa firme de 1,52%, pressionada por commodities e de olho em tarifaço
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
24/07/2026 às 17:34
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
Como foi o dia:
São Paulo, 24/07/2026 - A baixa das commodities pressionou a Bolsa brasileira nesta sexta-feira, que marcou a segunda sessão consecutiva no negativo, em meio a preocupações sobre o efeito das novas tarifas de 12,5% dos Estados Unidos contra o Brasil e a continuidade dos temores geopolíticos no exterior.
No fechamento, o Ibovespa registrou queda de 1,52%, aos 174.041 pontos, mas terminou a semana com valorização de 0,19%. No câmbio, o dólar à vista caiu 0,06% hoje, a R$ 5,0809, encerrando a semana em desvalorização de 0,59%.
A Bolsa brasileira foi afetada pelas baixas do minério de ferro e do petróleo. O Brent caiu, realizando parte da forte alta acumulada ao longo da semana, que ficou marcada pelo recrudescimento das tensões entre EUA e Irã.
Nesta sexta-feira, relatos de que o Paquistão estaria mobilizando novas conversas de paz entre as partes, com apoio da China, também ajudaram a aliviar parte dos prêmio de risco da commodity.
No cenário local, também fica no radar uma possível aplicação da Lei de Reciprocidade pelo governo brasileiro contra o novo tarifaço contra produtos do Brasil, desta vez de 12,5%. Itens como carne bovina e café ficaram de fora da nova sobretaxa, que deve atingir cerca de 3 mil produtos, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA, segundo a Amcham Brasil.
As bolsas de Nova York tiveram fôlego curto, em nova sessão de liquidação de ações de tecnologia. O índice Nasdaq fechou em queda de 0,64%, enquanto o S&P 500 teve alta marginal 0,05% e o Dow Jones ganhou 0,45%.
Altas e baixas
As principais blue chips da Bolsa brasileira pressionaram o Ibovespa hoje. Petrobras caiu 1,72% (PETR4) e 2,36% (PETR3), em linha com o petróleo, e Vale (VALE3) recuou 0,58%, seguindo o minério. Entre os bancos, Bradesco (BBDC4) cedeu 1,28% e Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 1,08%.
A queda mais acentuada do índice foi marcada pela ISA Energia (ISAE3), de 7,16%. O papel passou por uma correção após a empresa levantar R$ 1,198 bilhão com a venda de 44,44 milhões de ações em uma oferta subsequente, com o preço das ações a R$ 27. Os recursos serão utilizados para um pagamento à Axia Energia (AXIA3), relacionado à aquisição de participação na Interligação Elétrica do Madeira e à venda de participação na Interligação Elétrica Garanhuns.
Na ponta positiva, destacaram-se ações que estão em baixa no mês e recuperaram parte das perdas. É o caso da Yduqs (YDUQ3), que subiu 3,05%, e da MRV (MRVE3), que avançou 1,59%.
Commodities
O petróleo corrigiu parte dos ganhos da semana e fechou em queda nesta sexta-feira. Além de ajuste técnico, investidores acompanham os esforços do Paquistão, com o apoio da China, para retomar as negociações entre Estados Unidos e Irã.
O barril do Brent para setembro recuou 3,88%, a US$ 96,78, enquanto o do WTI caiu 3,12%, a US$ 89,31. Na semana, o Brent saltou 9,85% e o WTI avançou cerca de 6%.
Mais cedo, na China, o minério de ferro fechou em queda de 0,13% no mercado futuro da Bolsa de Dalian, a US$ 110,19 por tonelada.
Criptomoedas
Os principais criptoativos voltaram a cair hoje, em meio a uma nova rodada de desvalorização de ações de tecnologia. Apesar da forte queda no petróleo, ativos de risco seguem em um cenário de pouco impulso, refletindo temores em relação ao avanço dos gastos com inteligência artificial.
Por volta das 16h (em Brasília), o Bitcoin caía 0,90%, a US$ 64.222, enquanto o Ethereum recuava 1,07%, a US$ 1.859,83, de acordo com a plataforma Coinbase.
(Colaboraram Gabriela da Cunha, Amélia Alves, Darlan de Azevedo e Matheus Andrade)

