Fechamento (22/10) | Bolsa estende perdas e recua 1,15%, puxada por blue chips
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
22/10/2026 às 17:46
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 22/10/2026
Como foi o dia:
A sessão desta quinta-feira foi de aversão ao risco entre os investidores, em um cenário marcado pela escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã e pelas dúvidas sobre os retornos relacionados aos ativos de tecnologia e inteligência artificial (IA).
Aqui, a proximidade do segundo turno da eleição presidencial, no domingo, também reforçou a cautela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem tecnicamente empatados, de acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto. Daqui a pouco, sai o novo levantamento do Instituto Datafolha.
No radar, a nova alta do petróleo e os relatos de ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz, reacenderam os temores de interrupção da oferta de energia e de pressão inflacionária global.
Nesse contexto, o Ibovespa foi puxado pela queda de blue chips do setor financeiro, da siderurgia e da mineração, entre outros ativos, e estendeu as perdas da véspera, marcando os 204.120 pontos ao final dos negócios, com baixa de 1,15%.
Em Wall Street, o sentido foi o mesmo para a maioria dos índices acionários. Lá, o Nasdaq tombou 2,60% e o S&P 500 cedeu 1,21%, pressionados pelos balanços da Tesla e da Meta e por dúvidas sobre a rentabilidade dos investimentos em IA. O Dow Jones operou em baixa ao longo do dia, mas virou o sinal pouco antes do fechamento e marcou alta marginal de 0,02%.
Já no mercado de câmbio, o dólar fechou o dia em leve alta de 0,23% ante o real, valendo R$ 5,0394, e em linha com o movimento da moeda no exterior.
Altas e baixas
Na ponta positiva do Ibovespa, a Prio (PRIO3) seguiu a valorização do petróleo e avançou 1,85%. No mesmo sentido, a Brava (BRAV3) ganhou 0,29%.
Já entre as baixas, o Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 1,84%, o Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,75% e o Bradesco (BBDC4) - que divulga seu balanço referente ao terceiro trimestre daqui a pouco - caiu 2,08%.
Ativos do setor de siderurgia também ficaram no vermelho: a Usiminas (USIM5) perdeu 4,81% e a CSN (CSNA3) cedeu 5,43%. Além do mau humor generalizado, o segmento ainda sentiu a pressão dos últimos dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), segundo os quais as vendas dos distribuidores de aços planos caíram 7,2% em setembro ante um ano.
Visto o nível de estoque atual e o movimento sazonal de fim de ano, o presidente do Inda, Carlos Jorge Loureiro, afirmou que não são esperados novos movimentos de alta de preços das usinas siderúrgicas.
Commodities
O petróleo fechou a sessão de hoje em alta, diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio e temores de ações militares americanas e israelenses contra o Irã.
Após novos ataques dos Houthis, as defesas aéreas sauditas interceptaram um drone que tentava atingir uma instalação no campo petrolífero de Shaybah da Saudi Aramco, um dos maiores do reino.
A continuidade das tensões levou os Estados Unidos a ordenarem na noite de ontem que o pessoal governamental não essencial e suas famílias deixem a Arábia Saudita. Segundo o The Wall Street Journal , as Forças Armadas dos EUA preparam opções para possíveis ataques ao país persa.
A movimentação aconteceu em paralelo com as afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Washington não atacará o Irã antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. Trump também disse que Teerã estaria fazendo "tudo o que pode" para elevar o preço do petróleo antes do pleito americano.
Na ICE, o tipo Brent fechou em alta de 4,00%, a US$ 113,17 o barril. Já o petróleo WTI subiu 2,39%, com o barril a US$ 99,47, na Nymex.
Aqui, as ações da Petrobras fecharam com sinais opostos após passarem a maior parte do pregão no vermelho. As preferenciais (PETR4) fecharam com valorização de 0,14% e as ordinárias (PETR3) com recuo de 0,03%.
O minério de ferro encerrou as negociações em queda: em Dalian, a commodity perdeu 1,62%, e, em Singapura, a baixa foi de 1,02%.
O mau desempenho refletiu em uma nova sessão negativa para a Vale (VALE3), que fechou com queda de 3,97%.
Criptomoedas
Os resultados trimestrais da Tesla e Meta e as vendas das ações de tecnologia pressionaram o Bitcoin, que registrou baixa após os ganhos na véspera.
A retomada da alta dos preços do petróleo, em meio aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, renovou os temores inflacionário e também contribuiu para o cenário.
A movimentação do Ethereum, que não conseguiu ultrapassar a faixa de US$ 2.500, acendeu um alerta. A moeda "frequentemente" serve como um indicador antecipado da demanda em relação ao BTC e ao mercado como um todo, segundo o FxPro.
Por volta das 16h, o BTC recuava 3,44%, a US$ 81.390, enquanto o ETH caía 3,28%, a US$ 2.411, de acordo com a plataforma Coinbase.
(Colaboraram Darlan de Azevedo e Letícia Araújo)

