Fechamento (01/09) | 10ª alta seguida: Ibovespa avança 1,30%, sustentado por petroleiras e bancos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
01/09/2026 às 17:32
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 01/09/2026 -
Como foi o dia:
O clima de maior aversão a risco no exterior, que pesou sobre boa parte dos mercados externos, não repercutiu na Bolsa doméstica, que, no caminho oposto, emendou nesta primeira sessão de setembro a 10ª alta, sustentada, entre outros ativos, pelas petroleiras e bancos.
No fechamento, após bater máxima intradia aos 181.060 pontos, o Ibovespa marcou os 179.722 pontos, com valorização firme de 1,30% e apetite estrangeiro renovado junto às ações de primeira linha da B3.
No sentido contrário ao do índice de referência, as principais bolsas de Wall Street estenderam perdas recentes e marcaram baixa. Entre elas, o Nasdaq registrou a maior queda, de 1,03%, diante da realização de lucros de investidores em ações ligadas à tecnologia e inteligência artificial (IA). Na mesma ponta, o S&P 500 caiu 0,71% e o Dow Jones cedeu 0,79%.
No câmbio, o dólar fechou o dia valendo R$ 5,1557, com desvalorização de 0,47% ante o real e descolado do leve avanço da moeda ante outros países emergentes.
No radar, além da escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que deu novo fôlego aos preços do petróleo, a divulgação do PIB brasileiro do segundo trimestre - com alta de 0,5% ante o trimestre anterior e acima do consenso - chegou a gerar volatilidade nos ativos mais cedo por sugerir menos espaço para cortes de juros.
A composição do dado, entretanto, mostrou crescimento concentrado no agro e em setores menos ligados à demanda interna, reforçando a percepção de desaceleração e devolvendo fôlego às apostas de corte da taxa Selic este mês.
Altas e baixas
A Petrobras engatou a quinta sessão consecutiva de alta, marcando valorização entre 4,11% (PETR4) e 4,14% (PETR4) e recebendo apoio adicional da alta do petróleo, diante das persistentes tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
Vale (VALE3) também ficou no azul, ganhando 0,58%, em dia fraco para o minério de ferro no exterior, mas repercutindo o fato de o Santander ter reiterado a empresa como sua Top Pick do setor de mineração e siderurgia.
O apetite a risco estrangeiro ampliado junto às blue chips locais repercutiu também entre ações do setor bancário, em meio à expectativa de um novo corte da taxa Selic neste mês pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Banco do Brasil (BBAS3) subiu 2,27%, Itaú Unibanco (ITUB4) valorizou 0,96% e Bradesco (BBDC4) avançou 1,22%. Na contramão dos pares financeiros, o Santander (SANB11) perdeu 0,74%.
Commodities
O petróleo fechou em alta, após o Comando Central do Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) informar que começou no início desta tarde novos ataques contra alvos no Irã, em resposta às ações de Teerã contra embarcações no Estreito de Ormuz.
O presidente americano, Donald Trump, disse que os ataques de hoje são "grandes e poderosos" e acrescentou que, se o país persa voltar a retaliar, será atingido em "nível maior", enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, prometeu intensificar a pressão econômica a Teerã.
Na Nymex, o barril do tipo WTI avançou 5,20%, a US$ 90,22, e, na ICE, o do Brent, ganhou 4,60%, a US$ 94,65.
Criptomoedas
O Bitcoin e o Ethereum cederam nesta terça-feira, pressionados pela aversão a risco nos mercados globais em razão da escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã.
O avanço de ataques dos dois lados impulsionou os preços do petróleo, reforçando pressões inflacionárias e a perspectiva de um Federal Reserve (Fed) com taxas mais elevadas.
Perto das 16h (em Brasília), o BTC caía 2,32%, a US$ 77.220, e o ETH perdia 2,60%, a US$ 2.415, segundo a Binance.
"Do ponto de vista técnico, o movimento ainda parece uma correção natural após a forte alta de agosto. O Bitcoin segue defendendo o suporte dos US$ 77 mil e lateralizando em faixa relativamente estreita abaixo dos US$ 80 mil", disse Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin.
Na visão dele, o principal obstáculo é o cenário externo diante da piora das tensões no Oriente Médio, ainda que o mercado cripto esteja apresentando "certa resiliência".
(Colaboraram Darlan de Azevedo e Matheus Andrade)

