Menos dívida, mais investimento: o plano da Casas Bahia para converter debêntures em ações
Publicado por: Broadcast Exclusivo

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Atualizado em
06/06/2025 às 17:07
Por Gustavo Boldrini e Júlia Pestana, do Broadcast
São Paulo, 06/06/2025 - As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) figuram entre as maiores altas da Bolsa brasileira nesta sexta-feira, saltando mais de 7% perto das 14h. A empresa anunciou novo plano que contempla a conversão antecipada de R$ 1,57 bilhão em debêntures em ações da companhia.
A operação tem por objetivo reduzir o endividamento da companhia e cortar pela metade sua alavancagem, indicador que mede a relação entre a dívida e o lucro operacional da empresa, conhecido como Ebitda. Com isso, a Casas Bahia espera liberar recursos para novos investimentos.
A seguir, entenda como funciona a conversão de debêntures e ações, e quais serão os próximos passos a operação:
A conversão de debêntures em ações é um processo pelo qual os detentores de debêntures, os títulos de dívida emitidos por empresas, têm a opção ou o direito de trocar esses títulos por ações da companhia emissora.
Esse mecanismo é previsto nos termos de emissão das debêntures e pode ser voluntário, a critério do investidor, ou obrigatório, conforme definido pela empresa no momento da emissão.
Para a empresa, esse mecanismo ajuda a reduzir o endividamento, uma vez que as debêntures nada mais são do que dívidas. Para o investidor, a troca da debêntures por ações pode ser vantajosa caso os papéis da companhia se valorize no futuro, diante da melhora do perfil de endividamento.
O plano do Grupo Casas Bahia se refere à 10ª emissão de debêntures da empresa, lançada em julho do ano passado, e destinada exclusivamente a investidores profissionais - com mais de R$ 10 milhões investidos.
A ideia é converter R$ 1,57 bilhão das debêntures de segunda série desta emissão em ações já neste mês. O plano original era fazer essa conversão apenas em outubro.
Caso a totalidade das debêntures seja convertida, serão emitidas 328,9 milhões de novas ações, o equivalente a 77,58% do capital social da companhia. O que era dívida passará a ser ações, e com isso o endividamento e a alavancagem da empresa tendem a cair.
Segundo o diretor financeiro da Casas Bahia, Elcio Ito, a dívida da companhia, que somou R$ 4,55 bilhões no primeiro trimestre deste ano, deve cair para R$ 2,984 bilhões com o plano.
"A alavancagem da empresa cai pela metade", afirmou Ito, destacando que o múltiplo dívida líquida/Ebitda cairia de 1,6 vez para 0,8 vez, enquanto o porcentual da dívida líquida sobre o capital total da companhia passaria de 61,8% para 33,1%.
O plano da Casas Bahia também prevê um reperfilamento das debêntures da primeira série da emissão, por meio da extensão do cronograma de amortização da dívida e do período de carência dos juros. Com isso, o primeiro pagamento da dívida ocorreria em novembro de 2027, e não em novembro de 2026, como informado no plano inicial.
Quem possui debêntures da Casas Bahia da segunda série receberá as ações. O cálculo do valor delas é um pouco complexo: será o preço médio ponderado por volume das ações nos últimos 90 dias de negociação que antecederem a efetiva data de conversão, multiplicado por 80%.
Mesmo com a diluição do bolo de acionistas, o presidente da empresa, Renato Franklin, acredita que o plano cria valor no longo prazo.
"É melhor ter uma participação menor de uma empresa que vai valer mais no futuro que manter uma fatia maior de uma companhia travada pelo endividamento", afirmou, em entrevista ao Broadcast .
Agora, a operação precisa ser aprovada em reunião do Conselho de Administração da companhia, que está prevista para ocorrer em 12 de junho de 2025.
Segundo o CFO, a proposta já foi discutida com investidores que representam mais da metade dos títulos dessa série, e que manifestaram apoio à alteração. "A expectativa é que isso gere mais caixa livre para investimentos e aumente sua flexibilidade financeira", afirmou.
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