Mas o Bitcoin não ia disparar? Entenda a baixa do mercado cripto neste início de ano
Especialistas ainda mantêm confiança no Bitcoin para 2025, mas momento tem sido de cautela
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
13/01/2025 às 16:21
Por Luana Pavani, Aramis Merki II e Laís Adriana, do Broadcast
São Paulo, 13/01/2025 - O mercado de criptomoedas no geral começou 2025 sem uma tendência clara, com o principal dos ativos, o Bitcoin, oscilando entre US$ 90 mil e o recorde histórico de US$ 108 mil.
Acontece que o Bitcoin depende de notícias nas searas macroeconômica e política nos Estados Unidos para voltar ao movimento crescente do final do ano passado, avalia a casa de análises especializada em criptoativos Mercurius Crypto. "Essa faixa de preço reflete um momento de indefinição e exige novidades relevantes para sair dessa zona", avalia a Mercurius em relatório.
Em dezembro, o banco central dos EUA, Federal Reserve (Fed), indicou que os cortes de juros previstos para 2025 serão menos agressivos do que o esperado. Os primeiros indicadores americanos de emprego e inflação mostraram uma economia resiliente, o que é negativo para os mercados de risco.
A explicação para isso é que uma economia forte, com geração de emprego e renda, supõe pressão inflacionária, quando esses trabalhadores passam a consumir e tomar mais empréstimo. Se a inflação sobe e escapa da meta, em teoria de política monetária, o banco central deve agir, com taxa de juros elevada para, assim, conter os preços gerais e desestimular a atividade econômica.
Altas taxas de juros significam altos rendimentos em ativos de renda fixa, que são considerados muito seguros, já que é baixa a chance de um governo falir - ainda mais se tratando da maior economia do mundo, os Estados Unidos. Por isso é que se diz que o ativo mais livre de risco do mercado são os Treasuries, títulos do Tesouro americano.
Na outra ponta, o Bitcoin, que é a criptomoeda mais negociada no mercado, é um ativo de alto risco, com forte volatilidade. Em um dia, um Bitcoin pode subir ou cair de preço na casa de dois dígitos, coisa que não se vê em títulos públicos nem em fundos de renda fixa, sob condições normais.
Do ponto de vista político, a posse de Donald Trump nos EUA dia 20 de janeiro concentra expectativas. "Se a nova administração demonstrar logo no início um posicionamento favorável a cripto, é provável que vejamos um otimismo renovado. Caso contrário, o sentimento pode esfriar", pondera a Mercurius Crypto.
Pontos de suporte e resistência das criptomoedas
Os investidores em cripto também costumam olhar o comportamento dos ativos principais - Bitcoin, Ethereum e Solana, atualmente - à luz da análise gráfica. A analista técnica Ana de Mattos, trader parceira da Ripio, uma das maiores plataformas de criptoativos da América Latina, traçou os pontos de suporte e de resistência para esses ativos.
No caso do Bitcoin, ela conta que o nível de resistência em sua análise, na faixa dos US$ 102.720, foi atingido em 6 de janeiro. Desde então, iniciou um movimento de queda - no momento, opera na faixa dos US$ 91.814 (às 12h de 13/01), conforme a plataforma Binance.
"Se houver continuidade da queda, o preço do Bitcoin poderá buscar liquidez nos US$ 87.500. Sendo que essa faixa de preço é extremamente importante para o preço do Bitcoin, portanto, caso ocorra a queda, é necessário que entre um alto volume comprador absorvendo a queda", diz a analista.
Em seu cálculo, as resistências de curto e médio prazo estão nas áreas de valor dos US$ 94.530 e US$ 98.720.
No caso do Ethereum, ao analisar o fluxo, Ana de Mattos diz que é possível observar que o preço do Ethereum está rompendo uma região importante, o que sugere busca por liquidez nas faixas de preços de US$ 3.080 e US$ 2.980. As resistências de curto e médio prazo estão nas faixas de preços dos US$ 3.270 e US$ 3.390.
Para Solana, semana passada, mais precisamente no dia 6 de janeiro, SOL atingiu máxima de US$ 222, e caiu 20% desde então.
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"Ao analisar o fluxo é possível observar que o preço da SOL está trabalhando abaixo de um alto volume financeiro, o que sugere continuidade da queda em busca dos suportes de curto e médio prazo das regiões de liquidez dos US$ 170 e US$ 140. Contudo, caso entre fluxo comprador revertendo o movimento, o preço do ativo poderá buscar as resistências dos US$ 186 e US$ 215."
Em análise gráfica, a menção a resistência de um ativo serve para delimitar o teto de preço, ou seja, o ponto em que a cotação para de crescer, o que indica uma pressão de venda em determinado período. Por sua vez, o nível de suporte é o ponto no gráfico de um ativo em que seu preço tende a inverter essa direção, indicando maior interesse de compra.
2025 só tá começando...
Rumo aos US$ 200 mil?
A marca histórica de US$ 103.800, alcançada em 6 de dezembro de 2024, ainda gera entusiasmo por parte de alguns analistas. Segundo Alex Andrade Silva, CEO da Swiss Capital, esse desempenho do Bitcoin oferece perspectivas animadoras para os investidores, com grande potencial de crescimento até o final de 2025.
"O que estamos vendo agora é um impulso que pode se estender até o final de 2025, com a possível continuidade da alta do Bitcoin e uma ampliação do seu reconhecimento como reserva de valor no cenário global."
Mesmo diante do alto risco, Silva afirma que a perspectiva otimista se baseia na crescente adoção institucional (por grandes bancos e gestoras de investimentos) e pela confiança no potencial disruptivo das criptomoedas.
"O mercado de criptomoedas tem mostrado um nível de resiliência impressionante e, com a redução da liquidez global, o Bitcoin tem se tornado cada vez mais atraente como uma opção de investimento estratégica", afirma.
A valorização do Bitcoin até a marca de US$ 200 mil pode ser alcançada em 2025, mas não será em uma trajetória linear, avalia o CEO e cofundador da Ripio, Sebastián Serrano. Ele alerta que há uma chance de forte correção nos preços do BTC após o primeiro semestre de 2025, quando a euforia com o início da administração de Donald Trump nos EUA diminuir e o mercado tiver uma visão mais clara sobre a implementação de suas políticas.
"Acredito que o bitcoin pode chegar a US$ 200 mil em um cenário mais realista, mas não será uma trajetória linear. Está sujeita a correção no curto prazo. A perspectiva depois dos próximos seis meses é incerta: Trump pode não conseguir cumprir várias promessas e a valorização elevada do mercado de ações dos EUA pode ser revertida. Se a bolha de inteligência artificial (IA) eclodir, os efeitos de correção poderiam recair sobre todos os ativos de risco, incluindo as criptomoedas", afirma.
Uma das promessas é criar estoques de Bitcoin, o que, segundo o CEO da Ripio, "pode ser viável se os EUA começarem com o que eles já têm em criptomoedas confiscadas por órgãos fiscais. Nesse caso, Trump provavelmente não precisaria aprovar um projeto no Congresso americano."
Serrano vê grandes oportunidades em outros ativos do setor cripto em 2025, diante de um ambiente global cada vez mais incerto. Os rendimentos de empréstimos por protocolos de DeFi - que usam criptomoedas como garantias colaterais - são vistos como opções mais seguras e rentáveis.
Já sobre o ponto de correção, o especialista lembra que o Bitcoin nunca ficou abaixo das máximas do ciclo anterior em períodos de correção, o que torna muito difícil que ele caia abaixo de US$ 69 mil - pico do ciclo de 2021.
"Um cenário que parece pouco provável no momento é um novo inverno cripto, com o bitcoin caindo abaixo de US$ 20 mil, tendo em vista que é uma disparidade muito grande em relação aos US$ 100 mil atuais", diz Serrano.
A possibilidade de os Estados Unidos transformarem o Bitcoin em um ativo de reserva estratégica animou empresas a aumentar exposição ao Bitcoin como reserva de valor, como observa Caio Leta, head de análise da plataforma Bipa.
- A MicroStrategy, uma das principais empresas a adotar essa estratégia, está comprando bilhões de dólares em Bitcoin mensalmente, somente na primeira semana de dezembro, a empresa comprou US$ 1,5 bilhão em Bitcoin. "Isso mostra que há diversas fontes de pressão compradora institucional, incluindo ETFs, fundos de pensão e seguradoras, com o Bitcoin sendo cada vez mais aceito pelo sistema tradicional", aponta.

