Maior ataque hacker da história das criptos? Entenda o rombo de R$ 34 bi da Binance
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
30/10/2026 às 11:35
Por Gabriela Pessanha, da Broadcast
São Paulo, 30/10/2026 - A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker de proporções bilionárias nesta quinta-feira - em torno de US$ 6,3 bilhões ou cerca de R$ 34 bilhões - e já anunciou que irá cobrir as perdas dos investidores. Os primeiros pronunciamentos da exchange sobre o ataque cibernético foram realizados já na noite de ontem.
Em nota, a companhia reafirma que os fundos dos usuários estão seguros. Até a atualização mais recente divulgada pela empresa na rede social X, cerca de US$ 5 bilhões já haviam sido recompostos.
"Estamos concluindo a compra do valor restante, adquirindo ativos em tokens por meio de canais de mercado e canais OTC", afirmou a empresa, reforçando que está trabalhando para rastrear e recuperar os fundos.
O rombo, estimado como o maior da história do setor, teve resposta negativa rápida do mercado: por volta das 11h, o BTC recuava 4,20%, a US$ 76.800. Na mesma ponta, o Ethereum perdia 4,48%, a US$ 2,200, segundo cotações da própria corretora.
Os serviços da Binance foram interrompidos?
Segundo a Binance, o trabalho segue em conjunto com autoridades policiais, emissores, empresas de inteligência em blockchain e parceiros da indústria para rastrear, congelar e recuperar fundos adicionais.
Durante a gestão de crise, os depósitos permaneceram inalterados, mas o serviço de saques deve ser retomado apenas em cerca de 45 horas.
Segundo a empresa ainda, não há evidência de vazamento de chaves privadas de carteiras e que, posteriormente, divulgará detalhes da investigação quando todos os fatos forem verificados.
Como aconteceu o ataque à Binance?
Segundo a exchange, o ataque pode ter sido causado por um problema de segurança com um laptop de um engenheiro de DevOps que teria sido comprometido. O ataque teria permitido que o hacker tivesse acesso à transações de saque não autorizadas.
"Esse foi um ataque complexo, e estamos fazendo tudo o que podemos em coordenação com as forças de aplicação da lei para resolvê-lo", disse a Binance por meio de post no X.
Para Rodrigo Gava, CTO da Vultus, consultoria especializada em gestão de riscos cibernéticos e segurança da informação, o ocorrido mostra como os invasores podem explorar sistemas internos com rapidez.
"O caso acontece em um momento de aumento expressivo dos incidentes cibernéticos, especialmente ao longo de outubro, período que vem sendo chamado por alguns especialistas de 'Oktoberstorm'. Esse cenário está relacionado, em grande parte, à adoção da inteligência artificial por grupos de invasores, que passaram a contar com mais capacidade e escala para executar ataques", explica.
Ele comenta que a IA, embora acelere o desenvolvimento de infraestruturas digitais, também amplia as oportunidades de ataques, uma vez que mais serviços são oferecidos.
Do lado dos hackers, a inteligência artificial se torna uma ferramentas para compreender sistemas com mais rapidez e que essa agilidade é "especialmente preocupante" quando usada contra bancos e corretoras de criptomoedas, que permitem movimentações diretas de recursos.
"Essas instituições se tornaram alvos extremamente atrativos porque os invasores podem transformar o acesso obtido em ganhos financeiros sem necessariamente depender de um processo de extorsão, como acontecia em modelos de ataque mais tradicionais", finaliza.

