Magazine Luiza (MGLU3) 2T26: volume de vendas nas lojas físicas cresce e ganha representatividade, mas trimestre ainda fecha com prejuízo
BB-BI analisa os resultados de Magazine Luiza do 2T26.
Publicado por: Análise BB
7 minutos
Atualizado em
07/08/2026 às 14:42
As vendas totais do Magazine Luiza atingiram R$ 14,5 bilhões no 2T26, 5,1% inferior na comparação anual. A desaceleração teve influência do segmento de e-commerce, que recuou 12% em volume em relação ao 2T25, com variações entre as vendas do 1P (on-line com estoque próprio; -11,5% a/a) e as vendas do canal 3P (marketplace; -12,6% a/a). No entanto, as lojas físicas apresentaram expressivo crescimento de 10,3% na base anual, que não só ajudaram a amortecer a desaceleração dos canais virtuais, como avançaram em representatividade sobre o volume total de vendas para 35,7% no trimestre (30,7% no 2T25).
Tal composição no mix de vendas contribuiu para um impacto mais limitado na receita líquida consolidada, que somou R$ 8,9 bilhões no trimestre, 2,6% inferior ao mesmo período de 2025. O lucro bruto apresentou movimento semelhante, encerrando aos R$ 2,7 bilhões(-2,5% a/a), mas contando com uma leve melhora da margem bruta em 30,6% (+0,1 p.p. a/a).
As despesas operacionais totais recuaram 2,8% a/a em termos nominais, se mantendo estável em relação à receita líquida (23%). Assim, o EBITDA contábil atingiu R$ 675 milhões (-1,7% a/a), mas com um pequeno incremento na margem EBITDA, que encerrou o trimestre em 7,6% (+0,1 p.p. a/a).
Já o resultado financeiro veio negativo em R$ 572,3 milhões, valor 15,5% superior ao 2T26. Esse resultado tem influência de um maior volume de antecipação de recebíveis de cartão, gerando +44,7% de despesas com juros nessa modalidade em relação ao 2T26. O endividamento total da companhia permaneceu em trajetória de queda, encerrando em R$ 4,9 bilhões (-2% t/t, -20% a/a), que em conjunto com um volume de caixa maior nas bases de comparação, gerou uma dívida líquida de R$ 3,2 bilhões (-22% a/a). Esse volume de dívida líquida representa uma melhora em relação ao EBITDA ajustado dos últimos 12 meses, encerrando em 1,02x (1,34x no 2T25). Mas vale lembrar que a companhia conta com cerca de R$ 4,0 bilhões em saldo a receber de cartões de crédito Luizacred e de terceiros, permanecendo em uma situação de** caixa líquido** ajustado se contemplados esses recebíveis (R$ 806 milhões), o equivalente a 0,26x do EBITDA apresentado nos últimos 12 meses (0,59x no 2T25).
Por fim, a companhia apresentou um prejuízo líquido contábil de R$ 72,5 milhões, crescimento relevante em relação aos R$ -24 milhões no 2T25. Mesmo excluídos os resultados não recorrentes, houve um prejuízo de R$ 50,4 milhões no trimestre.
A companhia atualizou alguns números da Luizacred, mostrando um crescimento de 1% no faturamento de cartões, redução de 0,2 p.p. no atraso de 15 e 90 dias e de 1,1 p.p. em atrasos superiores a 90 dias. Essa operação agregou R$ 135,3 milhões de lucro líquido no trimestre, 33% superior ao 2T25. A Magalupay, nova financeira do Magalu que iniciou recentemente emissão própria de CDBs, já sendo responsável por 100% da originação dos créditos diretos ao consumidor (CDCs) realizado nas lojas da companhia, agregando um lucro líquido de R$ 17,4 milhões no 2T26, número bastante superior aos R$ 3,9 milhões gerados no trimestre imediatamente anterior.
Outras linhas de negócios da companhia também apresentaram expansão, embora sem grande detalhamento de números individuais. Sobre a Magalog, foi reportado 15% de evolução nos pedidos entregues de terceiros e que, em breve, a companhia passará a fornecer serviços de logística para a Amazon, contribuindo para a expansão do negócio. Já a Magalu Cloud, alcançou 1.700 clientes (cerca de 1.500 no 1T26).

Desempenho das Ações e Perspectivas
As ações MGLU3 recuam 48% em 2026 (até ontem, 06/08), se descolando substancialmente da valorização de 9% do Ibovespa em igual período. Acreditamos que o desempenho reflete uma reprecificação com base na desaceleração da performance de vendas dos canais digitais, bem como pelos efeitos da linha de resultado financeiro, que, sobre uma base relevante de endividamento bruto, segue limitando o potencial de entrega de resultados líquidos da companhia em momentos de juros domésticos mais pressionados. Ainda assim, observamos um crescimento relevante nas vendas em lojas físicas, que ganharam participação dentro do mix da companhia, além de uma gradual desalavancagem financeira, que tendem a beneficiar os resultados consolidados ao longo dos próximos trimestres. A companhia também tem apresentado uma constante evolução no amadurecimento nas linhas de negócio secundárias (como logística, ads e cloud), que agregam potencial de crescimento consolidado e captura de sinergias no médio prazo. No entanto, mantemos uma percepção de que a integração dessas linhas de negócios tende a demandar tempo, além de dificuldades na análise individual no curto prazo tendo em vista que seus números ainda não são totalmente abertos ao mercado.
Nesse contexto, optamos por manter nossa recomendação em Neutra e o preço-alvo em R$ 9,60 para o final de 2026.
Destaques 2T26

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