Magazine Luiza (MGLU3) 1T26: crescimento no volume de vendas nas lojas físicas, mas insuficiente para impedir prejuízo líquido no trimestre
BB-BI analisa os resultados de Magazine Luiza do 1T26.
Publicado por: Análise BB
7 minutos
Atualizado em
08/05/2026 às 16:02
O Magazine Luiza reportou resultados neutros no 1T26, em nossa opinião. As vendas totais atingiram R$ 15,2 bilhões no 1T26, 5,6% inferior na comparação anual. O resultado foi puxado pelo desempenho mais baixo no segmento de e-commerce, que recuou 11% em volume em relação ao 1T25, tanto nas vendas do 1P (on-line com estoque próprio; -8,8% a/a) como nas vendas do canal 3P (marketplace; -14,3% a/a). Já as lojas físicas apresentaram crescimento de 6,9% na base anual, e ajudaram a amortecer a desaceleração dos canais virtuais.
O impacto na retração do volume de vendas foi menor quando observamos a receita líquida consolidada, que somou R$ 9,2 bilhões no trimestre, 2% inferior ao mesmo período do ano passado. A decomposição do lucro bruto até contou com um leve aumento na linha de revenda de mercadorias (+0,1% a/a), mas apresentou redução de 5,2% a/a na prestação de serviço, refletindo a redução das vendas no marketplace. Dessa forma, a margem bruta atingiu o patamar de 30,8%, um crescimento de 0,2 p.p. a/a.
A companhia apresentou um prejuízo líquido contábil de R$ 55 milhões, revertendo lucro de R$ 12,8 milhões no 1T25. Mesmo excluídos os resultados não recorrentes, houve um prejuízo e R$ 33,9 milhões no trimestre.
Vale mencionar que a Luizacred atingiu R$ 20,4 bilhões de carteira de crédito, com uma base de 5,6 milhões de cartões de crédito ativos no 1T26, inclusive apresentando redução na taxa de inadimplência, que já opera em patamares historicamente baixos. Essa operação agregou R$ 75,1 milhões de lucro líquido no trimestre, 10,6% inferior ao 1T25. A Magalupay, nova financeira do Magalu apresentou R$ 100 milhões de carteira de crédito no trimestre, iniciando também sua emissão dos primeiros CDBs, com prazo de 1 e 2 anos. Esses títulos vêm sendo distribuídos por plataformas de investimento e, segundo a companhia, a captação referente ao mês de abril financiou aproximadamente 80% dos créditos (CDCs) realizados no período.
Outras linhas de negócios da companhia apresentaram expansão, embora sem grande detalhamento de números individuais. Sobre a Magalog, foi reportado 30% de evolução de receitas no trimestre, enquanto a Magalu Cloud, alcançou 1.500 clientes (cerca de 1.200 no 4T25). A Magalu Ads evolui 39% na taxa de conversão, além de um crescimento de 43% no retorno sobre o investimento em anúncios.

Desempenho das Ações e Perspectivas
As ações MGLU3 recuam 10,35% em 2026 (até ontem, 07), performance substancialmente inferior à valorização de 13,7% do Ibovespa em igual período. Acreditamos que tal desempenho esteja relacionado a um volume de vendas mais contido nos últimos trimestres, especialmente por meio dos canais digitais, bem como pelos efeitos da linha de resultado financeiro, que, sobre uma base relevante de endividamento bruto, acaba limitando o potencial de entrega de resultados líquidos da companhia em momentos de juros domésticos mais elevados, como o cenário que se estende nos últimos trimestres. No entanto, percebemos uma melhora operacional gradual, com otimização das despesas operacionais, que cresceram abaixo da inflação, demonstrando esforços da companhia em otimizar sua operação “core” de vendas via canais físicos e digitais, enquanto amadurece linhas de negócio secundárias que agregam potencial de crescimento consolidado e captura de sinergias. Ainda assim, entendemos que esse processo seja gradativo, exigindo grande foco na operação de cada linha de negócio, adicionando complexidade tanto na execução por parte da gestão, como à análise dos números por parte dos investidores, dado que os resultados dessas linhas secundárias de negócios ainda não são totalmente abertos ao mercado.
Nesse contexto, optamos por manter nossa recomendação em Neutra e o preço-alvo em R$ 9,60 para o final de 2026.
Destaques 1T26

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