Indústria de fundos cresce 10% no 1º semestre; renda fixa e ETFs puxam captações
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
08/07/2026 às 12:29
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 08/07/2026 - A indústria brasileira de fundos fechou o primeiro semestre deste ano com um patrimônio líquido total de R$ 11,1 trilhões, alta de 10% em relação a igual período do ano passado, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Os fundos brasileiros tiveram uma captação líquida total de R$ 184,7 bilhões entre janeiro e junho deste ano, um aumento de R$ 100,7 bilhões em relação aos R$ 84 bilhões reportados no primeiro semestre de 2025.
Renda fixa puxa o crescimento
Os fundos de renda fixa seguem liderando as captações da indústria, diante do cenário de juros ainda alto e o menor apetite a risco dos investidores devido aos fatores tanto internos quanto externos. Essa classe captou R$ 108,4 bilhões até junho.
"Como o investidor não tem perspectiva de uma queda mais intensa dos juros, prefere ir para instrumentos mais conservadores que pagam rentabilidade interessante. Para que correr risco se consigo ter retorno de 14% ao ano em alguns instrumentos sem pagar imposto? Enquanto esse pano de fundo não for alterado, o apetite a risco vai se manter no nível que se encontra hoje", comentou Pedro Rudge, diretor da Anbima, durante coletiva de imprensa.
ETFs seguem ganhando espaço
Outro destaque são os fundos negociados em bolsa, ETFs na sigla em inglês, que têm ganhado mais espaço nas carteiras dos investidores. A captação dessa classe saltou mais de 6 vezes em um ano: de R$ 5,1 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 32,5 bilhões no primeiro semestre deste ano, com impacto principal dos ETFs de renda fixa, de acordo com a Anbima.
"O movimento dos ETFs é estrutural. Quando olhamos para essa classe, em mercados mais desenvolvidos, o market share é bem maior que o do Brasil. É um produto com características bastante interessantes, custos mais baixos, transparência e acessibilidade, então estamos vendo cada vez mais gestores oferecendo aos clientes", avaliou Rudge.
Segundo o executivo, as perspectivas para os ETFs seguem sendo positivas, e a classe pode ganhar ainda mais corpo com a possível regulamentação dos ETFs de gestão ativa, tema que está na agenda da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para este ano.
"Seria mais uma flexibilidade para esse tipo de fundo que ajudaria a aumentar a atratividade do produto", explicou.
Multimercados e ações seguem perdendo patrimônio
Outro movimento que segue acontecendo no mercado brasileiro é o da perda de atratividade de fundos multimercados e de ações, em meio à busca de investidores por ativos mais conservadores.
No primeiro semestre, as captações líquidas dessas classes ficaram negativas, respectivamente, em R$ 9,9 bilhões e R$ 6,5 bilhões - ou seja, houve mais saída que entrada de recursos.

