Imposto sobre petróleo volta: quais ações da Bolsa podem ser mais impactadas?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
01/09/2026 às 10:23
Por Gustavo Boldrini, Mateus Maia e Flávia Said, da Broadcast
São Paulo e Brasília, 01/09/2026 - O governo derrubou hoje a liminar que suspendia a cobrança do Imposto de Exportação de Petróleo, de 12%. Com isso, a tributação voltará a valer, o que pode trazer desdobramentos para a Petrobras e demais empresas do setor listadas na Bolsa.
Na decisão, o desembargador federal Roberto Carvalho Veloso cita que a medida tem "plena legitimidade", e representa a "resposta estatal em contexto de crise geopolítica".
A ideia da cobrança do imposto é incentivar as vendas locais de petróleo bruto, evitando o risco de desabastecimento do mercado brasileiro diante do cenário de incerteza gerado pela guerra no Oriente Médio.
Qual petroleira será mais afetada pela decisão?
De acordo os analistas Regis Cardoso e Enzo Sozzi, da XP Investimentos, a Brava Energia (BRAV3) deve ser a produtora mais afetada pela prorrogação do imposto, com um efeito negativo estimado de cerca de US$ 20 milhões, considerando o barril do Brent a US$ 80, o que representaria uma queda de 1,2% do valor de mercado da companhia.
A XP coloca em seguida a Prio (PRIO3) como uma das mais impactadas, com perda potencial de US$ 75 milhões, (cerca de -0,8% do valor de mercado), seguida da PetroRecôncavo (RECV3), com potencial efeito negativo de US$ 4 milhões (cerca de -0,7% do valor de mercado), e, por último, a Petrobras (PETR4/PETR3), com impacto de US$ 400 milhões, equivalentes a 0,4% do valor de mercado.
Para Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, analistas do BTG Pactual, os impactos na geração de caixa livre ao acionista (FCFE) da Prio e da Brava Energia tendem a ser negativos, mas de forma marginal, por causa da carga tributária maior.
Já para a Petrobras, o banco vê possível efeito líquido positivo, já que a continuidade das subvenções por mais tempo reduziria o risco de pressão sobre a política de preços no mercado interno.
O banco prevê ainda que, com a recente alta dos preços globais de combustíveis, a extensão das subvenções - de R$ 1,12 por litro para diesel e R$ 0,44 por litro para gasolina - ao menos até o segundo turno das eleições presidenciais passou a ser seu cenário-base.
(Colaboraram Luísa Laval e Cecília Mayrink)

